Review: “Bela Vingança” de Emerald Fennell

Já em sua primeira cena, “Bela Vingança” deixa o recado da história bem claro: cenas de homens dançando lentamente em uma casa noturna, com o enquadramento focado em seus corpos. Essa não é uma história sobre seus corpos. Esse é um filme do ponto de vista feminino. Sob uma direção mais convencional, a abertura seria com os quadris femininos rebolando sensualmente. Não é o caso e a introdução é perfeita para o clima da jornada a seguir. Eis um thriller de vingança feminino, mas sem aquela visão masculina da vingança. É uma revanche feminina mesmo.

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Review: “Relic” de Natalie Erika James

Os anos 2010 foram definitivos para o gênero horror abandonar o besteirol das produções de massa (não que filmes eficientes como “Invocação do Mal” não tenham feito sucesso) e abraçado o cinema indepenente como exercício narrativo. Incrível pensar que pulamos de “Jogos Mortais” e trocentos remakes sem inventividade na década anterior para filmes como “Hereditário“, “Corra!” e “O Homem Invisível“. Algo se deu no ramo e ganha os amantes do cinema de alta qualidade e fãs de um gênero desprezado por muito, mas muito tempo. “Relic” entra nessa nova safra de “horror metafórico” que irá produzir muito mais debate que a maioria dos “dramas oscarizados” que serão esquecidos semana que vem.

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Review: “Mulher-Maravilha 1984” de Patty Jenkins

“Mulher-Maravilha 1984” provavelmente é o filme mais complicado de analisar desde “Star Wars: Os Últimos Jedi“. Sendo que, ao menos neste caso, eu gostei um pouco do resultado final. Mas definitivamente é um produto estranho. Acredito que a maioria ficará decepcionado – principalmente em relação ao antecessor, que foi muito bem acabado e direitinho – e mesmo quem gostar ficará ao menos com aquela impressão de “o que diabos eu acabei de assistir?”. Como no já mencionado “Os Últimos Jedi”, é um filme muito bem intecionado em sua temática, mas que fracassa completamente na hora de narrar uma história coesa.

Irei evitar spoilers, mas certos assuntos precisam ser debatidos para entender o que deu errado.

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Review: “Mank” de David Fincher

“Cidadão Kane” é costumeiramente lembrado como um dos melhores filmes da história do cinema, quando não é no mínimo considerado um dos mais influentes. E de fato tem muito mérito em sua fama. Primeiro por que realmente é bom. Segundo por que inovou bastante em muitas técnicas, como alguns ângulos inovadores de câmera e na narrativa não-linear. E terceiro por que sua história, sobre um magnata da mídia que usa de sua inflência financeira para controlar o jogo político, se tornou algo atemporal. Como filme, “Cidadão Kane” é tão relevante em 2020 quanto foi em 1941. E isso diz muito de uma produção.

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Review: “Era Uma Vez Um Sonho” de Ron Howard

O “excepcionalismo americano” (ou “Excepcionalismo Estadunidense”) é um conceito político de que os Estados Unidos são um país melhor que todos os outros, geralmente por motivos divinos ou religiosos, e que tem o direito de moldar o resto do mundo à sua imagem. A partir desta idéia surgiu o tal “American Way of Life“, propaganda do governo Norte Americano surgida após a sua vitória na Segunda Guerra Mundial – dividida com os soviéticos – para conter o avanço do socialismo através de mensagens de superioridade do modelo neo-liberal nos produtos culturais exportados por eles. No caso, o cinema Hollywoodiano. Nessa conjunção de ideias, os EUA é um país maravilhoso para se viver e se você vive mal, é por que não se esforçou Sendo que lá eles sequer oferecem saúde pública, então se você morre de gripe é culpa sua, não do sistema.

“Era Uma Vez Um Sonho” é um filme sobre um homem branco que sobrevive a uma educação familiar tóxica e vira advogado em Yale. Por que ele se esforçou. E se isso deu certo para ele, tem que dar certo para você também. Né?

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Review: “Borat: Fita de Cinema Seguinte” de Jason Wolimer

O primeiro Borat foi lançado lá em 2006 em uma época que o mundo era muito diferente. Mas nem tanto. Os americanos já eram idiotas que elegiam um fascista genocida para ser presidente. Mas, no contexto internacional, digamos, existe uma diferença entre um fascista polido (Bush) e um tosco (Trump). Então digamos que, hoje em dia, menosprezar o povo norte-americano deixou de ser um hobby da esquerda e virou algo necessariamente básico a qualquer humano com o mínimo de ética. Poranto, um “Borat 2” vem em boa hora.

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Review: “Tenet” de Christopher Nolan

O diretor Christopher Nolan deve ter umas questões a respeito do tempo. O tema se tornou algo recorrente na narrativa ou estrutura de sua recente filmografia. Em “Interestelar” o tempo é distorcido por que os personagens resolvem explorar uns planetas aí perto demais de um buraco negro. Em “Dunkirk“, que segue uma tradicional história da Segunda Guerra Mundial, a estrutura é focada em três linhas de tempo diferentes que progridem em seu próprio ritmo. Seu mais recente trabalho, “Tenet”, pega as duas ideias e brinca com o conceito de tempo tanto na base narrativa quanto na estrutura do filme. Apesar de, em termos de gênero, ser mais similar ao seu já clássico “A Origem” – que falava sobre sonhos, mas não vamos ignorar, tinha uma música na trilha sonora chamada “Time“. Opa, alguém dá um relógio pro moço!

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Review: “The Last of Us Part II” para PlayStation 4

“The Last of Us Part II” é sequencia de um dos mais aclamados jogos do PlayStation 3 – que também recebeu uma excelente remasterização no PlayStation 4″ – que chega carregado de hype por conta deste rótulo. Apesar de “The Last of Us” ser apenas mais um survival horror de apocalipse zumbi como tantos outros, seu foco narrativo em um lento desenvolvimento de personagens o coloca em um patamar diferente da maioria dos videogames. Claro que tal desenvolvimento é algo bastante simplório e que caberia em uma meia dúzia de episódios de “The Walking Dead”. Mas, para videogames, especialmente blockbusters de apelo massificado – onde “The Last of Us” confortavelmente se encaixa – a sensação que se teve era que a gente tava assistindo a algum drama oscarizado. Mesmo que, em termos de qualidade do texto, era algo mais próximo de “Green Book” do que “Parasita”, né.

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