A Link to the Past: “Lara Croft – Tomb Raider”

Nesta sessão de artigos que eu chamo de A Link to the Past (referência nerd pouco óbvia) irei revisitar filmes do meu passado e analisá-los do ponto de vista do “tantos anos depois”. Começarei com “Lara Croft – Tomb Raider”. Este filme foi lançado com um bom hype, longínquos dez anos atrás. Competiu nos cinemas com filmes como “Shrek”, “O Retorno da Múmia”, “Pearl Harbor”, “Moulin Rouge!”, “Velozes e Furiosos”, “Jurassic Park III” e o “Planeta dos Macacos” do Tim Burton. Eita! Lembra de ter ido assistir algum desses no cinema? Pois foram filmes muito populares dez anos atrás e “Tomb Raider” tava no meio disso.

Eu era muito fã dos jogos “Tomb Raider” na época (ainda sou) e queria muito ver o filme e tinha fortes expectativas que desse certo. Participei de uma promoção do site da Greenleaf, então distribuidora dos jogos aqui no Brasil. Não lembro qual era a pergunta nem qual resposta que eu dei (foi uma daquelas promoções idiotas onde você responde “o que faria para explorar uma tumba com Lara Croft”, sabe?), só sei que ganhei um convite para a pré-estréia do filme no Roxy Copacabana. E lá fui eu, cheio das expectativas, e lembro-me de ter saído satisfeito.

No fundo no fundo, por pior que o filme seja, que ele atende às expectativas, ele atende! Citando a resenha que Roger Ebert escreveu na época, “eis um filme tão monumentalmente bobo, mas tão maravilhoso de olhar, que só um chato encontraria falhas”. Falhas o filme tem, e muitas, mas eu sou chato mesmo Ebert! Mas concordo com esta fala. O filme é bobo, muito bobo, até para o padrão de adaptações de videogame, mas que ele é muito bem realizado, isso é claro. Por mais idiota que seja toda a história, ela leva Lara Croft para o Camboja e seus belíssimos cenários, e ela explora tumbas que são grandiosos cenários, onde pula e corre e atira em um monte de coisa diferente. Se falta coerência, tem exuberância. E cinema nem sempre tem coerência, mas precisa ter exuberância. Convenhamos que “Moulin Rouge!” não se tornou um clássico por ter sentido ou lógica, né? Mas tá lá a exuberância, o tempo todo!

Outra grande vantagem do filme está, claro, em Angelina Jolie. Ela realmente nasceu para esse tipo de filme. Quer prova maior do que sua interpretação canastrona aqui? Sim, canastrona, mas o que você queria que ela fizesse com a Lara Croft? Método?! Hoje a gente sabe que ela é ótima nos filmes de ação, mas na época foi um risco do estúdio que deu certo. Além de sempre estar presente nas cenas (dublê? Coisa de homem fraco!), sua naturalidade é genial até quando é ruim. Sua soberba para dizer diálogos idiotas (“Hence the live fire!”) ou seu ar blasée para outras conquistam qualquer um. Em uma cena o amigo dela pergunta “time to save the universe?”, e Lara responde um “absolutely” como se ele tivesse perguntado para ela “vambora no Campo de São Bento?”. Blasée, bobo, canastrão, fútil. Mas com evidente intenção, e de muita categoria.

Daniel Craig pré-James Bond ao lado de Angelina Jolie pré-Brad Pitt.

E lembremos que Jolie não era nada antes de Lara Croft. Ganhou um Oscar, eu sei, mas pergunta para Jennifer Hudson ou Mira Sorvino de que isso serve. Na época ela era apenas a atriz maluca que namorava Billy Bob Thorton e colecionava facas. Mas seu desempenho em “Tomb Raider” a catapultou para o estrelato (não que trocar o Billy Bob por Brad Pitt não tenha ajudado na sua reputação) e isso aqui vale mais do que um Oscar. Afinal ela fez por merecer a fama de grande estrela da ação. Jolie talvez não conseguisse ser Salt ou Sra. Smith sem a experiência como Lara Croft antes.

Além de Jolie não vamos esquecer do outro grande astro do filme: Daniel Craig! Vai lá, quem viu isso aqui em 2001 e pensou “esse moço daria um bom James Bond”? Eu sei, ninguém. Chega a ser engraçado ver “Tomb Raider” esse tempo todo depois e, lá está ele, 007, magrinho e mirradinho, atendendo porta de hotel de Veneza pelado por que é assim as pessoas fazem mesmo, sabe…

Claro que Daniel Craig e Angelina Jolie catapultaram para a fama em papéis de ação e isso diz muito do talento do diretor Simon West em fazer filmes de ação. Os atores convencem por que o filme os convence! Mas não vamos ignorar que o filme é fraco sim. O roteiro às vezes dá sono, a história “cadê papai?” de Lara é brega, a interpretação do vilão (Iain Glen atua como estivesse fazendo um teatro shakespeareano) dá dó e temos o final mais idiota que alguém poderia imaginar para o enredo. A cena clímax naquele planetário dentro de uma caverna é boa, a corridinha final na pirâmide para pegar o artefato não! Mas vou ser sincero: o filme é ruim, mas diverte com seus ares de Sessão da Tarde – ele foi feito para passar na Globo! E a trilha sonora eletrônica “não para não para não para não!” é ótima. Comprem o CD, tem U2, Nine Inch Nails e Macy Gray, uma bagunça fantástica!


Tomb Raider começa com ação gratuita em edição videoclíptica. Ah, e Angelina Jolie mandando ver em meio minuto de filme!

Dez anos depois, só deve lembrar de “Tomb Raider” a não ser quem queira lembrar. O filme é bem esquecível, mas foi interessante revisitá-lo. Tem filme que fica melhor ou pior com o tempo. Este caso é de uma relíquia que parou no tempo, sequer envelheceu… Não deixa de ser um elogio.

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Uma resposta para A Link to the Past: “Lara Croft – Tomb Raider”

  1. Makaela disse:

    I’m quite pleased with the infrotamion in this one. TY!

    Curtir

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