Review: “Planeta dos Macacos: A Origem” de Ruper Wyatt

Propagandeado como um prelúdio da saga original, “Planeta dos Macacos: A Origem” na verdade deveria ser considerado um reboot. Apesar de algumas espertas referências à mitologia da série clássica – como a notícia televisionada de uma nave em missão a Marte que desaparece – o filme na verdade conta uma história própria. Apesar de o final também fazer referência ao clímax clássico do primeiro “Planeta dos Macacos” (repare como a tela foca no letreito Nova York), a trama em si prepara um caminho totalmente diferente.

Aqui acompanhamos o cientista Will, procurando a cura para o Alzheimer (doença que atinge seu pai) fazendo testes em macacos. De uma de suas cobaias sai um filhote que ele é forçado a criar em casa, dá o nome de César que demonstra ter inteligência incrível. César é criado como um filho de Will – a cena onde o macaco pergunta, em gestos, se é um “bicho de estimação” resume tudo. Esse é o primeiro ato do filme, o mais fraco. Sem grandes acontecimentos, apenas acompanhamos um símio em família.

Um acidente acontece e César é levado para, digamos assim, um “campo de concentração de macacos”. Lá é maltratado e começa o segundo ato do filme, onde acompanhamos o símio evoluir de adolescente dependente dos pais a adulto líder de sua própria tribo. É tudo uma preparação para o clímax, uma espetacular seqüência em que o macacos fogem para a cidade de São Francisco, rumo a uma floresta, e enfrentam a polícia local. Se fosse de fato um prelúdio, terminar assim não seria o suficiente para indicar o “começo do planeta dos macacos”. Como reboot, temos um belíssimo recomeço para uma nova saga. Como “Batman Begins” ou “Cassino Royale” fizeram antes, podemos delirar com as possibilidades a seguir, ao invés de ficarmos presos a um elo.

O olhar pode ser digitalizado, mas é completamente humano.

O filme é dirigido pelo estreante Rupert Wyatt, que tem jeito para a coisa. Apesar do início fraco, o segundo ato com César “na prisão” onde também enquanto acompanhamos Will desenvolver um “certo problema” para a raça humana (sim, ele é responsável pela evolução dos macacos e extinção dos humanos, um verdadeiro anti-Cristo!) tem um ritmo impecável. A cada nova ação de César você fica surpreso. Um determinado momento chave, importante virada no enredo, provocou silêncio de choque na platéia – uma raridade para o público Cinemark! E o que mais elaborar do ato final? É uma espetacular cena de ação, que causa empolgação não por explosões, mas sim pela organização, ritmo e surpresa de cada atitude dos macacos evoluídos. Tudo é muito bem construído nessas duas partes, tudo se conecta e se encaixa. Mérito de um ótimo roteiro e de um diretor que mostrou que sabe o que está fazendo.

No elenco temos James Franco, fazendo a mesma cara de maconheiro de sempre, e Freida Pinto, em papel inútil. E também o vilão adolescente de “Harry Potter” fazendo o mesmo papel. O destaque, na verdade, é para Andy Serkis, o Gollum e o King Kong, roubando a cena como César. Ele não interpreta apenas um macaco, e sim um macaco inteligentíssimo com desenvolvimento de sentimentos. Suas expressões são impressionantes!

Talvez James Franco devesse pedir para Andy Serkis atuar por ele no seu próximo filme…

"Um dia você evolui e atua melhor do que macaco digital, Jimmy..."

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