Review: “Thor”, de Kenneth Branagh

O problema do filme “Thor” é de se inspirar nos quadrinhos errados. Não sou um especialista na mitologia nórdica, meus conhecimentos do assunto se resumem ao que aprendi jogando “Tomb Raider: Underworld”. Mas o que você diria da história de um herói chamado Super Jesus, o filho alienígena do poderoso rei Deus, líder da monarquia totalitarista do distante planeta Éden, cujo grande vilão Judas é um manipulador quer roubar dele a sua namoradinha mortal Maria de Madalena? Pois é, transformar a Bíblia em quadrinhos de ação pode ficar bastante estranho, se mal desenvolvido.

Agora troque o conceito católico e aplique em outra mitologia qualquer e o erro permanece o mesmo.

A idéia de “seriam os deuses astronautas?” é um clichê velho e pode render boas histórias, se forem criativas. Como os quadrinhos “Thor” apenas pegam conceitos mitológicos e copiam, deixando tudo meio idiota. Asgard é um planeta distante, não uma morada divina, e Odin não é deus, apenas um rei alien. Helheim e Niflheim são apenas outros dois planetas quaisquer, e não tem a referência poética que a cultura católica dá ao Céu ou Inferno. Thor e seu machado Mjolnir são tão divinos quanto Batman e seu batarangue. Ah, e Yggdrasill é uma galáxia que o Hubble já captou por aí, sabe… Árvore que simboliza a ligação de nove mundos? Pfft, nada, é só um aglomerado de nebulosas!!

Aí pegue todas essas idiotices e aplique numa película e você tem um filme que, se não tentasse ser comédia, acaba sendo engraçado ainda assim. “Thor” começa com o nosso herói nórdico, quer dizer, nosso herói ET sendo expulso de casa após um maligno coup d’état do seu irmão safadinho Loki. Na Terra ele é encontrado por cientistas que tentam ajudá-lo, aí o filme enrola por duas horas nessa lenga-lenga para acabar com um duelo Caim VS Abel dos dois irmãos. Mas sem, novamente, o significado mitológico da história. Afinal é um filme de invasão alienígena, no final das contas.

Pode parecer que eu estou levando “Thor” muito a sério, mas pense bem, são os quadrinhos que levaram a mitologia nórdica a sério demais! Se a intenção da Marvel era de se apropriar de uma história antiga, qual a necessidade de transformá-la em uma saga interplanetária? Em um universo onde mutantes, heróis da Segunda Guerra e adolescentes picados por aranhas radioativas não são a mesma coisa, por que um deus do trovão precisa se encaixar?

E por que diabos ele anda de cavalo em Asgard? Teriam sido os cavalos abduzidos da Terra ou os aliens nórdicos que os trouxeram para cá? E o que Darwin acha dessa hipótese?

Até alienígenas se apaixonam por Natalie Portman. Vide “Star Wars”.

“Thor” é dirigido por Kenneth Branagh, ator e diretor que já fez muitos filmes inspirados em Shakespeare. Caiu na Marvel como uma bigorna.  Estrelado por Chris Hemsworth, também tem Natalie Portman sendo fofa como sempre e Anthony Hopkins fazendo pose de… Bem, de Odin. O filme é chato, não tem ação nenhuma, um clímax bocó e uma história que se arrasta em um conceito burro. Dá para assistir por que, no fundo, não é ruim e tem cenas engraçadas.

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