Review: “Melancolia”, de Lars von Trier

Dizer que “Melancolia” é um filme sobre tristeza é tão estúpido quanto dizer que “Titanic” é um filme sobre o navio. Mas fazer o que, toda resenha precisa de uma introdução: “Melancolia” é um filme sobre tristeza.

Dividido gratuitamente em duas partes (por que todo filme dividido em partes parece mais inteligente, tipo um livro), acompanhamos a história de duas irmãs. Cada parte recebe o título de uma, mas ambas acompanham as duas. É uma história sobre depressão e o fim do mundo. Uma irmã sofre de depressão clínica e não consegue sorrir nem no próprio casamento. A outra não tem esse problema, mas fica muito abalada com a possibilidade de morrer – junto com o resto do planeta. Claro que a deprimida não tá nem aí – o que é o fim do mundo para um depressivo senão apenas um “fim de festa”?

O roteiro não julga as personagens. Por que Justine é deprimida, não sabemos, mas ela tem a doença e não consegue vencê-la. Por Claire ficar tão abalada com a própria mortalidade podemos nos identificar com ela, mas no fundo a reação dela perante o fim não é muito diferente da de sua irmã perante a vida. Como Justine só consegue ver a morte e Claire descobre que irá morrer, o conceito de “viver” é meramente uma ilusão no filme. Tudo leva à morte. A vida leva à morte. Ou seja, qual a diferença se um planeta vai ou não chocar com a Terra se, no final das contas, a gente vai morrer mesmo?

Vide o tema da tristeza. “Melancolia” não é um filme sobre o fim do mundo e sim um filme sobre tristeza.  Causada por uma doença, causada por um evento cataclísmico, no final das contas qualquer motivo para se ficar triste é compreensível. Afinal se a vida leva à morte, a alegria leva à tristeza. E Justine está radiante no começo do filme!

As cenas com efeitos especiais - em um filme do Lars von Trier!! - são muito bonitas.

Dirigido por Lars von Trier, que é muito chato, a narrativa surpreende com um ritmo razoável. Claro, o filme é lento, mas também pudera, é como reclamar que um filme chamado “Planeta dos Macacos” tem macacos falantes. Se por momentos a história arrasta, em outros von Trier demonstrou uma surpreendente capacidade de nos manter interessado. As cenas “apocalípticas” são tão belas que eu fiquei pensando que, se o diretor não fosse tão chato, talvez ele conseguisse dirigir belos filmes cheios de efeitos especiais.

No elenco o destaque vai para Kirsten Dunst (que ganhou a Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes) em uma atuação absolutamente perfeita e assustadora. Talvez a melhor performance do ano! Como a outra irmã temos Charlotte Gainsbourg (que já trabalhou com Von Trier no insuportável “Anticristo”), também ótima no papel. Kiefer Sutherland (Jack Bauer!) como o cunhado reclamão, John Hurt como o pai bêbado e Charlotte Rampling como a mãe demoníaca.

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