Review: “Deus Ex: Human Revolution” para PlayStation 3

Lançado em 2000, o primeiro “Deus Ex” fez muitos fãs com seu enredo cheio de conspirações em uma narrativa punk futurista. O que mais chamou a atenção mesmo, além da história interessante, foi como o jogo mesclava a sua perspectiva de jogo de ação em primeira pessoa com uma jogabilidade de RPG, cheia de possibilidades e opções de caminhos a seguir. Três anos depois, a seqüência “Deus Ex: Invisible War” decepcionou a maioria ao abrir mão da liberdade em troca de um jogo mais simples e linear. Agora, com mais de dez anos de distância do original, “Deus Ex: Human Revolution” tenta consertar isso.

O jogo se passa antes dos dois primeiros jogos (“Deus Ex” ocorria nos anos 2050). Não é bem um prelúdio, a história não explica melhor os eventos seguintes, como muitos prequels fazem… Não, “Human Revolution” ocorre antes talvez por questões de mercado – é mais fácil vender uma história sem ligações com o último episódio após tantos anos. Estamos nos anos 2020, que convenhamos nem é um futuro tão distante assim, mas os avanços que a história vende para a próxima década fazem o iPad parecer coisa medieval! Estamos em um mundo onde a ciência de implantes artificiais está criando humanos avançados, com membros mecânicos e alguns super-poderes sci-fi. Este dado do enredo é o que explica os elementos RPG dos jogos anteriores, mas aqui é o foco da história.

Você controla Adam Jensen, um ex-policial que trabalha como chefe de segurança da principal empresa de implantes dos Estados Unidos que sofreu um ataque e agora é um implantado poderoso: super-força, agilidade, visão especial e espadas à lá Wolverine saindo de seus braços. Adam é um bom protagonista, mas a sua voz de Christian Bale interpretando Batman cansa rápido. Mas ele apenas é um avatar que nos permite fazer escolhas. “Deus Ex” sempre foi um RPG de escolhas – até no segundo jogo, a meu ver injustamente criticado, mas que realmente era um pouco mais linear. Uma missão não tem apenas uma forma de ser realizada, mas inúmeras. E conforme você navega pelos diálogos, novos acontecimentos podem vir na trama. Eis um estilo de RPG que cresceu muito desde 2000, em jogos como por exemplo “Mass Effect”. Mas somente “Deus Ex” aplica isso a uma característica de real interação. Não importa se a história muda com uma ação sua, mas sim as novas opções de ação a serem tomadas depois.

"Stealth" é sempre o método mais fácil de navegar pelas fases. (clique para ampliar)

O termo “deus ex machina” vem do latim e é um recurso narrativo para trazer soluções a uma trama. Como um personagem que surge do nada e revela um grande mistério. É um truque barato, às vezes, mas na série “Deus Ex” se aplica além de dar um nome legal ao jogo. Estamos em um videogame, a interação vai além de ultrapassar a “quarta barreira” de um teatro – a quarta barreira de um videogame se chama “controle” e pede para ser ultrapassada! Em “Deus Ex”, o “deus ex machina” é você. Trazendo soluções para a trama, encontrando caminhos inesperados, miraculosamente solucionando tudo. Em um filme seria um personagem estranhamente divino; em um bom videogame sempre fazemos este papel. Só que em “Deus Ex” isso fica mais explícito.

Não é um recurso narrativo, portanto, mas sim interativo, de jogo. Não está restrito a mudar um diálogo ou o relacionamento de Adam com outro personagem. Mas sim os diferentes caminhos a se tomar em cada missão, como procurar em uma sala pelo tablet contendo a senha de outro escritório, caso você não queira hackear o terminal ou procurar por um caminho escondido. Ou simplesmente ignorar a sala e esgueirar-se até o próximo objetivo.

Sair metralhando seus inimigos às vezes funciona - mas só às vezes! (clique para ampliar)

Seguindo muito bem o esquema do primeiro jogo, “Deus Ex: Human Revolution” é um RPG de escolhas e caminhos a se seguir. Além de missões bem desenhadas que acompanham muito bem uma história interessante, o jogo tem uma estética belíssima (principalmente nos cenários internos) e uma das melhores trilhas sonoras recentes. Quem estiver atrás de ação vai se frustrar, claro. Mas os fãs de uma jogabilidade mais lenta e que lhe permite escolher vão encontrar a melhor opção do gênero em 11 anos.

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