Post-Hype: “The Legend of Zelda: Twilight Princess”

Nesta semana ocorre o lançamento mundial de “The Legend of Zelda: Skyward Sword”, novo jogo da série que completa 25 anos de muito sucesso. Apesar de o Nintendo DS ter recebido dois jogos da franquia (os subestimados “Phantom Hourglass” e “Spirit Tracks”), o último episódio a ser lançado em um console caseiro foi “The Legend of Zelda: Twilight Princess” em 2006, para GameCube e Wii. São cinco anos entre dois principais títulos da consagrada série. Nesse espaço de tempo foram lançados quatro “Assassin’s Creed”, sete “Call of Duty” e nove “Need for Speed”.

Meia década e toda uma geração de videogame depois, como terá envelhecido um dos jogos com maior expectativa de todos os tempos?

Quando a Nintendo mostrou o GameCube pela primeira vez ao público, em 2000, havia um vídeo de demonstração do que poderia ser um novo “The Legend o f Zelda” no console. Pode parecer exagero, mas o hype para “Twilight Princess” nasceu aí. Em 2003 a Nintendo lançou o primeiro Zelda da nova geração, só que “The Wind Waker” tinha gráficos infantis e estilizados com uma estética Disney. Apesar de ser reverenciado como um dos melhores episódios da série, é como se isso não bastasse. Os fãs queriam algo que voltasse para o estilo do clássico “Ocarina of Time”. O público queria o Zelda que a Nintendo mostrou em 2000. E quando o primeiro teaser para “Twilight Princess” foi mostrado, com gráficos realistas e sombrios, na feira E3 2004, o hype reprimido explodiu de vez. Vide o vídeo abaixo mostrando a reação dos jornalistas para o trailer – veja bem, estamos falando de uma conferência de imprensa, mesmo que os aplausos pareçam vir de uma reunião de fã-clube!

Dois anos depois o jogo finalmente chegou às lojas, com uma expectativa monstruosa por trás. Este era o Zelda que prometia ser tudo que “Ocarina of Time” foi, só que melhor! Eis que a ironia do destino afetou a percepção dos fãs para “Twilight Princess”. O jogo foi muitíssimo elogiado pela crítica – recebeu inúmeros prêmios de Game of the Year – só que os fãs reclamaram, curiosamente, por ele ser parecido demais com “Ocarina of Time”. Algo como apenas um remake, sem a inovação e ar de novidade de “The Wind Waker”. Opa, mas não era isso que eles queriam? Pois é, mas se tem um grupo de fãs de videogames que pode ser considerado passional demais, são os fãs de Zelda.

Esteticamente falando “Twilight Princess” está tão longe de “Ocarina of Time” quanto “The Wind Waker”. Parece que os óculos da nostalgia não permitem aos fãs, obcecados com o conceito de um “Zelda maduro”, ver que “Ocarina of Time” era tão fantástico – mas menos cartunizado – que o clássico de GameCube. Video os gráficos de seu remake para 3DS, apropriadamente atualizados e coloridos. “Twilight Princess” remete mais à seqüência direta de “Ocarina of Time”, o “Majora’s Mask” do Nintendo 64. Talvez um pouco mais gótico, mas igualmente sombrio e perturbador. Só ficaram faltando os exageros timburtonescos – como a lua sorridente – já que “Twilight Princess” era um pouco mais realista.

Isso aqui lembra “Ocarina of Time”…

Apenas essa questão já serve para separar “Twilight Princess” de “Ocarina of Time”. Apesar de ambos terem elementos em comuns nem sempre repetidos em outros episódios da série – a Hyrule como um grande campo aberto para se explorar com a égua Epona, por exemplo – são apenas elementos. O resultado final em si é outro. Em termos de jogabilidade, “Ocarina of Time” é focado na viagem no tempo e exploração de dois mundos, com o Link adulto e com o Link criança. Já “Twilight Princess” é focado no mesmo mundo sendo explorado pelo Link humano e Link lobo. Já narrativamente, “Ocarina of Time” focava no relacionamento de Link com a Zelda disfarçada de Sheikh. “Twilight Princess” botou em foco a relação de Link com Midna, a “princesa do crepúsculo” que o ajuda durante a aventura. E sim, ambos têm como o grande vilão Gannondorf, mas por boa parte da história “Twilight Princess” nos engana com Zant, que leva o enredo para outro caminho. “Ocarina of Time” é sobre derrotar um mal que já aconteceu; “Twilight Princess” é sobre impedir que esse mal retorne.

Aí está o verdadeiro elo entre os dois jogos: “Twilight Princess” se passa depois dos eventos de “Ocarina of Time” – fortemente evidenciado pelo retorno do herói ao Temple of Time para resgatar a Master Sword e, claro, pela volta do vilão Gannondorf. Mas que isso baste. O quanto menos “Twilight Princess” for comparado com “Ocarina of Time”, mais fácil é de se apreciá-lo. E este foi o grande erro dos fãs em 2006: idealizaram um jogo, reclamaram da idealização que acharam que receberam e não conseguiram ver o verdadeiro potencial dele!

… mas isso aqui não!

Não tem como escapar e deixar de criticar o início lento e chato de “Twilight Princess”. As primeiras horas envolvem Link fazendeiro na Ordon Village, Link lobo coletando bolinhas que brilham por Hyrule e algumas dungeons sem graça. O jogo só realmente começa ao fim do Water Temple e quando o jogador passa a poder explorar o cenário com mais liberdade. Daí já se passaram umas quatro horas. Sim, Zelda sempre demora a começar, mas nesse caso a Nintendo exagerou um pouco. Mas, depois deste “demasiadamente curtido” prólogo, a história anda, a aventura começa e o Zelda que a gente gosta aparece novamente! O principal está lá: boas dungeons com bons enigmas; muitas coisas escondidas por Hyrule para se achar com novos itens; emocionantes batalhas de chefes. A Snowpeak Ruins (templo que na verdade é uma mansão) e a batalha contra Stallord em Arbiter’s Grounds (veja o vídeo abaixo) entram fácil como alguns dos momentos memoráveis da série.

Cinco anos se passaram, muitos outros jogos foram lançados e mais um Zelda se aproxima. Acho justo dizer que “Twilight Princess” não se sustentou ao seu enorme hype à época e que talvez ele não seja mesmo um dos melhores episódios da série. Mas a meu entender, nenhuma dessas afirmações diminuem o fato deste ser um excepcional jogo, mesmo que esteja um pouco envelhecido – principalmente os gráficos, alguns cenários e suas texturas borradas não ficam legais hoje em dia. De qualquer forma, o hype era inalcançável e ser um “Zelda mediano” em uma franquia que ainda não teve um jogo ruim é algo digno. “The Legend of Zelda: Twilight Princess” é um ótimo episódio de uma ótima franquia que ainda vale à pena ser experimentado. Inclusive em virtude de alguns jogos mais modernos! Não há nada mais atual do que a boa e velha qualidade.

E se puder escolher, jogue a versão GameCube, sistema para o qual o jogo foi de fato desenvolvido. A versão Wii é idêntica, mas alguns gestos de movimento ficaram forçados e mal implementados.

Aproveitando: ouça abaixo a “Twilight Princess Symphony”, faixa do álbum de aniversário com músicas da série que acompanhará “Skyward Sword”.

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