Review: “Capitão América – O Primeiro Vingador” de Joe Johnston

Sem dúvida o herói dos quadrinhos de apelo mais piegas, Capitão America chegou aos cinemas nesta tentativa homérica da Marvel de lançar todos seus principais heróis nas telas para preparar o arrasa-quarteirões “Os Vingadores”. Eis que com isso surge “Capitão América – O Primeiro Vingador”, que já em seu subtítulo denuncia o real motivo de sua existência. Mas não se engane: mesmo prometendo apenas um teaser de outro filme, “Capitão América” é o resultado da Marvel mais interessante até agora.

“America! FUCK YEAH!”

Como “filme da Marvel” estou especificamente tratando de produtora Marvel, e não incluindo as adaptações de quaisquer quadrinhos dela. “Capitão América” não está no nível de “Homem-Aranha” ou “X-Men”, mas desde que a gigante das HQs resolveu entrar de vez no mundo da sétime arte – com ajuda da Paramount e futuramente da sua dona Disney – este é o primeiro projeto realmente interessante dela. Apesar do herói não ter nenhum apelo para mim. E, creio, para o resto do planeta que não é americano!

Conhecemos Steve Rogers, um jovem franzino durante a Segunda Guerra que quer entrar no exército para provar seu valor como herói. Mas ninguém tem interesse em alistar um magricelo asmático, até que um doutor alemão – trabalhando pros EUA – vê no garoto a razão do seu projeto de Super Soldado e alista Rogers na experiência. Ele se torna então um grandalhão fortão com super-força, agilidade e tudo mais, e segue daí sua aventura atrás dos inimigos da Hidra, uma subdivisão supernatural do partido nazista.

Já de início o filme vende um clima Indiana Jones e segue nesse estilo até o final. É um filme de aventura, não de super-herói. Capitão América enfrenta inimigos e tem super-poderes, mas sua motivação e todo o clima leve e divertido da trama remota mais a série do arqueólogo que também gostava de dar socos em nazistas. A época ajuda, claro. Passando nos anos 1940, “Capitão América” tem aquela vibe retro que deu muito certo no recente “X-Men: Primeira Classe”. Espero que Hollywood arrisque mais nesse estilo. Ver super-carros e super-naves típicas de super-heróis em um universo da Segunda Guerra me faz pensar como Batman funcionaria nesse estilo? Ou quem sabe um Homem-Aranha nos anos 1920, com estética noir?

Tipo “Bastardos Inglórios” com menos violência.

Meu único problema com o resultado final é o vilão. O Caveira Vermelha funciona e tem apelo, mas seu papel na trama é simplificado. Ele praticamente não faz nada, seus encontros com o Capitão América são anti-climáticos (a batalha final tem uma breve cena interessante, mas termina redundantemente) e seu grande plano de destruir o mundo não está ligado ao enredo principal. O roteiro desenvolve muito bem o herói, mas o vilão fica relegado ao seu papel de nemesis sem propósito.

O filme é dirigido por Joe Johnston, que fez “Jurassic Park III”, “Jumanji” e o igualmente retro “Rocketeer”. Johnston tem currículo (apesar de ter feito poucos filmes) e mostra que sabe o que está filmando. Se “Capitão América” é um sucesso, isso é devido ao diretor que sabia o que estava fazendo! No elenco temos Chris Evans como o herói, depois de ter feito o Tocha Humana nos ridículos filmes do “Quarteto Fantástico” (outra adaptação da Marvel). A mocinha que sabe atirar muito bem é vivida por Hayley Atwell, de “A Duquesa”. E o vilão Caveira Vermelha é Hugo Weaving, da trilogia “Matrix” e “O Senhor dos Anéis” e também o V de “V de Vingança”. O resto do elenco coadjuvante conta com os bons nomes de Stanley Tucci, Tommy Lee Jones e Toby Jones. Ah, e Samuel L. Jackson, claro, que aparentemente é obrigado a fazer pontas em todos os filmes da Marvel!

“Capitão América” me surpreendeu muito por, simplesmente, ser divertido. Enquanto que “Homem de Ferro” e “Thor” se preocupam demais em mostrar que são filmes de super-heróis que vendem bonecos, aqui parece que temos de fato um filme, com estética, propósito e estilo. Uma pena que a Marvel esteja ocupada demais com “Os Vingadores” e já encerre o primeiro filme do “Capitão América” mandando ele ao futuro, em preparação ao seu projeto principal. Uma seqüência teria mais chances de explorar esse fantástico e divertido universo criado aqui, mas a Marvel não estava de fato interessada em fazer uma nova série. Apenas de introduzir logo “O Primeiro Vingador”.

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