Review: “The Legend of Zelda: Skyward Sword” para Wii

Sem dúvida umas das mais cultuadas séries dos videogames (não vejo problema sequer em considerar a mais cultuada), todo novo episódio de “The Legend of Zelda” apresenta uma contradição: eis uma franquia que sempre inova e apresenta novos elementos ao jogador, ao mesmo tempo em que parece presa a uma fórmula eterna. Ao mesmo tempo que cada Zelda é um jogo próprio, seja visualmente ou em termos de jogabilidade, a regra do “encontre a dungeon, ache um item, mate o chefe, repita X vezes” nunca foi quebrada. Comemorando 25 anos de aniversário da saga, a Nintendo lança “The Legend of Zelda: Skyward Sword” para mudar – um pouco! – esse conceito.

“Skyward Sword” de cara é um “Zelda” como nenhum outro. Seu começo é lento (desde que a série entrou na perspectiva 3D ela tem dado tempo antes de começar a aventura), mas sem dúvida é um avanço em relação a “Twilight Princess” que tinha um prólogo que durava quase seis horas e desperdiçava umas três dungeons. “Skyward Sword” tem o típico blá-blá-blá para introduzir personagens, mas assim que Link cai na aventura em si, o jogo não perde tempo mais nenhum; passa a marcha e vai a um único ritmo impressionantemente bem conduzido durante mais de 40 horas.

Tudo começa com o mesmo herói de sempre, Link, que vive em Skyloft, um mundo flutuante nas nuvens. Ele está estudando para ser um guerreiro e tem uma amizade bastante colorida com Zelda (que não é princesa de nada aqui) e durante, um passeio voando pelas nuvens em seus pássaros, um monstro aparece, a garota cai no misterioso mundo “superfície” e daí… Bem, daí vem uma longa história que basicamente serve de fundamentos para toda a mitologia da saga. “Skyward Sword” vai explicar muitas perguntas sobre “Ocarina of Time”, “Twilight Princess” e “Minish Cap” – ao menos foram esses os jogos que eu percebi.

No momento que Link cai no tal mundo “superfície” (Hyrule ainda não foi povoada pelo tal “povo que veio dos céus”, conforme outros jogos da série explicavam) o jogo já coloca o jogador para perceber que este “Zelda” aqui sai dos fundamentos tradicionais recentes da franquia e volta a um passado mais distante: pense em “A Link to the Past” em 3D! Ao contrário de “Ocarina of Time” ou “Wind Waker” ou mesmo o portátil “Spirit Tracks”, aqui não temos uma vasta Hyrule para explorar livremente no nosso próprio tempo, descobrindo novos segredos com a ajuda de um cavalo, barco ou trem. Sim, Link tem seu veículo (um pássaro voador), mas Skyloft e o mundo das nuvens é apenas um hub com pouca liberdade. A tal da “superfície” é o mundo principal de “Skyward Sword” e, assim como o clássico do Super Nintendo, é na verdade uma imensa dungeon com inúmeros desafios que você vai desvendando aos poucos. Nada mais de cavalgar por um terreno vazio sem poder entrar em uma caverna por falta de bombas ou qualquer outra limitação. Conforme a “superfície” vai se descobrindo, novos desafios surgem. Não há espaço no novo mundo para becos vazios.

“Skyward Sword” com em HD com o auxílio do Dolphin. (clique para ampliar)

Talvez alguns fãs fiquem decepcionados com essa idéia. Sabe, aqueles fãs que gostariam que “The Legend  of Zelda” seguisse por um caminho como o da série “The Elder Scrolls”. Bem, para esses fãs, eu diria “crie vergonha na cara e vá jogar ‘The Elder Scrolls’!!” Não há motivo para as duas séries, tão diferentes em estilo, narrativa e jogabilidade, se misturem. “The Legend of Zelda” sempre teve um pouco de liberdade, mas nunca foi esse o foco. O foco da série são as dungeons, os itens especiais para serem utilizados em maneiras inusitadas para resolver enigmas, a exploração. Nesse aspecto, “Skyward Sword” é o jogo da franquia mais centrado desde “A Link to the Past”. Sem perda de tempo para que você explore terrenos vazios. Mesmo que “Skyward Sword” tenha algumas sidequests (a maioria em Skyloft) e que elas sejam ótimas para quebrar o ritmo, não estamos falando de um jogo open world ou sandbox aqui. É um jogo de aventura focado em exploração e enigmas, não um RPG de andarilho. E para os fãs que sentiam falta desse foco em Zelda, o resultado final é absurdamente impressionante.

Mas apesar de “Skyward Sword” funcionar muito bem dentro de sua própria estrutura, isso não o impede de ter alguns defeitos sérios. Os controles por movimento, em geral, são ótimos. Não só o Wii Motion Plus capta muito bem os movimentos da espada como os duelos são divertidos. Seja com um simples Goblin ou nas batalhas mais elaboradas com chefes – a batalha final é a perfeição da excelente jogabilidade de esgrima do jogo! Também me surpreendi com o quanto idiotamente divertido pode ser catar borboletas com uma rede. A maioria dos itens funciona muito bem…  Mas em certas situações os movimentos são um pouco atrapalhados… Como nadar, voar com seu pássaro ou andar em cima de cordas. Você não irá morrer ou fracassar em algum enigma por causa disso, mas sem dúvida irá se frustrar algumas vezes ainda assim.

Os duelos de espada funcionam muito bem!

E pouco se pode dizer da repetição e chatice de Fi, a companheira espiritual de Link. Pegando o papel que antes já foi da insistente Navi ou da simpática Midna, Fi é um robô sem carisma algum que fala o tempo inteiro coisas óbvias. Como, por exemplo, “Mestre, nesta sala tem uma arca, acho que você deveria abrir essa arca, pois tem chances de a chave que você procura estar nela”. Não me diga! Isso acontece um pouco mais do que devia e não ajuda quando às vezes Fi fala muito para algo que não precisa sequer ser dito – “Mestre, você está preso nesta sala, com uma porta trancada, procure por uma chave, existe uma chance de que a chave abrirá a porta trancada e você poderá sair dela”. Na história Fi tem um propósito, mas na jogabilidade ela apenas deixa tudo mais lento. “Skyward Sword” precisa dela na história, mas não para você jogar.

Ainda assim, esses momentos mais desinteressantes somem perante as cenas mais brilhantes. As situações mais criativas geralmente envolvem a mecânica das Timeshift Stones, pedras que voltam no tempo o cenário a sua volta. Dungeons e até mesmo algumas mini-dungeons que utilizam desse elemento são algumas das fases mais criativas em um videogame desse ano! Difícil não ficar encantado com a criatividade da Nintendo durante o ato em que Link explora um deserto que vai se transformando em oceano, encontra uma criativa dungeon que se passa em um navio pirata que culmina em uma batalha com um chefe divertidíssimo. Se por alguns minutos de sua longa duração “Skyward Sword” tropeça em defeitos, o jogo simplesmente se ilumina nesses momentos de puro brilhantismo. Fica difícil reclamar da Fi quando você está hipnotizado pelo level design incrivelmente acima da média.

E não há elogios o suficiente para a última dungeon do jogo, que pode ser considerada a primeira “não-linear” da série. Não irei elaborar muito sobre seu funcionamento, mas prepare-se para uma ótima surpresa!

As dungeons do jogo são excelentes!

Nos quesitos técnicos este não será um Zelda memorável. Artisticamente falando, o visual de “Skyward Sword” é ímpar. Mas tecnicamente ele raramente impressiona. Algumas vistas aqui e acolá se destacam (como as cachoeiras da província Faron), mas de uma forma geral boa parte dos cenários são bem simples e pouco criativos. A trilha sonora, orquestrada pela primeira vez na série, também não me chamou a atenção. Zelda sempre tem belas músicas e aqui não é diferente, mas me parece que – apesar da inclusão da harpa como recurso no jogo – este episódio aqui é um pouco menos musical que os outros. Nenhuma cena se destaca pela musicalidade dela.

O resultado final é mais um espetacular jogo The Legend of Zelda. “Skyward Sword” é um dos melhores dela? Cedo demais para dizer. No final das contas achei uma experiência inferior a “Twilight Princess”, que como já explorei antes, considero um jogo sensacional. Não sei onde colocar “Skyward Sword” em um ranking da série. Mas talvez essa seja a graça a respeito da qualidade da franquia! Após 25 anos, parece-me difícil lembrar de um Zelda que não me tenha agradado por algum motivo. Se não são jogos que acertam em tudo, com certeza acertam sempre em algum elemento que agradará alguém. Há um Zelda para cada tipo de gamer. Talvez por isso que todo gamer seja um fã de Zelda!

Feliz aniversário! (clique para ampliar)

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