Review: “Os Descendentes” de Alexander Payne

“Os Descendentes” começa com uma narração interessante que explica bem o tom do filme: ricos também sofrem. É fácil minimizar a dor de um humano supondo a facilidade que o dinheiro pode lhe trazer na vida, mas até no paraíso o câncer dói. Portanto o fato dos nossos protagonistas serem herdeiros de um lote avaliado em meio bilhão de dólares no Havaí não minimiza em nada o sofrimento deles perante a morte de um ente querido.

Matt King é o dos tais herdeiros do lote mágico e sua mulher sofre um acidente de barco e entra em coma. Matt “acorda para a vida”, digamos assim, percebendo que estava distante de suas filhas, muito ocupado com o trabalho e levando o casamento no modo automático. Portanto pede para a esposa acordar, para ter a chance de reparar seus erros, até os médicos lhe explicarem que o coma é irreversível e sua mulher tinha um pedido de desligar os aparelhos em uma situação dessas. Portanto para Matt, e suas filhas, sobra apenas o tempo para se despedir.

O filme é um drama, com um pouco de comédia, mas nunca mergulha no melodramático. É um sofrimento discreto, bem humano. Seus personagens, por motivos que o enredo aos poucos revela, tem motivos para sofrer com a morte inevitável como também para sentir ódio por qualquer questão particular deles. É um filme sobre despedidas e reparações, mas sem simplificar a dor como algo simples. Às vezes é dor, às vezes é raiva, às vezes é culpa, às vezes é incompreensão… “Os Descendentes” entende muito bem que, em se tratando de morte, todo sentimento é possível.

O Havaí ajuda, mas a fotografia é muito bem feita.

O filme é dirigido por Alexander Payne, que já ganhou o Oscar pelo roteiro de “Sideways – Entre Umas e Outras”. Ele carrega sua direção com muita leveza, sem nunca estragar uma cena com qualquer extravagância. E olha que ele filmou no Havaí, então digamos que dá para entender se rolasse um deslize!

Como protagonista temos George Clooney, que hoje em dia ninguém mais acredita que realmente fez “ER”. Aquilo lá era o irmão menos talentoso dele, sei lá… Clooney não tem mais nada a provar para ninguém, já mostrou que é bom diretor (“Boa Noite e Boa Sorte”) e que sabe atuar muito bem. Aqui ele tem dificuldade de controlar seus maneirismos, mas eles nunca atrapalham nas cenas mais emocionantes.

Outro destaque importante do filme está para sua filha adolescente rebelde, a encantadora (para usar um adjetivo mais discreto) Shailene Woodley. Ela lembra um pouco a jovem Natalie Portman, ao menos em aparência, e demonstrou grande maturidade neste papel. Suas cenas iniciais são as mais impressionantes, pois sua personagem cai um pouco com o andar no filme, mas isso não diminui seu belo trabalho aqui. Eu diria que ela tem futuro.

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