Review: “A Dama de Ferro” de Phyllida Lloyd

“A Dama de Ferro” conta a história da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, famosa não só por ser a primeira mulher a ocupar este poderoso cargo, como também por ter liderado um governo conservador, duro e mal lembrado pelos ingleses. O filme vem com a tarefa complicada de tentar resumir a vida de uma figura política única do século passado e se carrega no fato de que Meryl Streep simplesmente consegue atuar como qualquer um.

Sério, ela conseguiria interpretar o Gollum, se quisesse!

O problema do filme, evidentemente, não está em Streep. O roteiro (de Abi Morgan) se ocupa muito em mostrar a fase final da vida de Thatcher, uma idosa senil que fica em casa conversando com o falecido marido. Talvez em uma tentativa de mostrar o lado frágil de uma figura vista como forte, a ideia é boa se fosse apenas um epílogo. Mostrar a fase final da vida de uma pessoa importante é muito bem-vindo em uma biografia, mas aqui este recurso serve como fio da meada, como foco narrativo de toda a história. Francamente, definir a vida da primeira mulher primeira-ministra do Reino Unido como “idosa que fala com um fantasma” é um tanto quanto fútil.

Thatcher ganhou o apelido de “dama de ferro” dos seus inimigos comunistas, mas sua fama em seu próprio país é muito negativa. Alan Moore escreveu “V de Vingança” inspirado no governo Thatcher! Ela teve o privilégio de encarar a recessão econômica do início dos anos 1980, a Guerra das Malvinas (que a transformou no anticristo para os argentinos) e enfrentar resistência de outros governos europeus com o fim da Guerra Fria que acabaram encerrando seu terceiro mandato. Além de, claro, ser uma mulher a conquistar um cargo que, não custa lembrar, ainda não foi conquista por outra. Em resumo, Thatcher (odiada ou amada) carrega nas costas inúmeros eventos importantes.

Bette Midler?

O roteiro de “A Dama de Ferro” não explica por que seu governo encarou forte recessão, recorde de desemprego e resistência popular. Não explica os reais motivos de combater os argentinos pelo território das Ilhas Malvinas (rola uma comparação com Pearl Harbor e o Havaí, que me pareceu ingênuo demais). A sua saída do poder é vista basicamente como uma expulsão. Oras, se Thatcher se sentiu traída por seu próprio partido, algo ela fez de errado! Seu índice de aprovação era um dos piores da história, mas o filme não fala isso.

Se a intenção de “A Dama de Ferro” era humanizar Thatcher, focando mais em sua velhice do que em suas conquistas, fracassou. A idosa Thacther é tão bidimensional quanto a política obstinada, ambas simplesmente estão lá, suas ações nunca são desenvolvidas.

O filme é dirigido por Phyllida Lloyd, que dirigiu o abominável “Mamma Mia!”, e isso aqui é “Casablanca” comparado com o musical! Mas sua direção tem problemas graves. O filme é lento, chato, não desenvolve sua interessantíssima personagem principal e fica dependendo da atuação a atriz protagonista para dar um pouco de expressividade na história. Lloyd permitiu Streep atuar, mas não lhe entregou algo além para seu talento explorar.

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Deal with it!

E vamos falar sobre Meryl Streep. Ela já foi indicada ao Oscar umas 800 vezes, então que ela é talentosa todos sabemos… Que ela pode atuar com o que quiser, também. Aqui ela interpreta uma senhora de 80 anos com tamanha naturalidade que se pode fazer paralelos de sua performance com a de Marion Cotillard em “Piaf – Um Hino ao Amor”. A fabulosa maquiagem ajuda muito também, claro… De qualquer forma, Streep se esforça ao cúmulo em criar a personagem. Tom de voz, maneirismos, expressões… Sua Thatcher em nada lembra a Streep de verdade. É outro ser humano! O problema: uma excepcional atuação em um projeto medíocre.

A meu ver, o principal problema na carreira de Streep. Sempre com atuações dignas de aplauso, mas que nunca conseguem se elevar a atuações históricas por que o filme em si geralmente não lhe permite. Qual o último filme genial que ela fez? “A Escolha de Sofia”? Tá explicado por que ela empacou no terceiro Oscar… Meryl Streep tem talento, de sobra, para umas cinco gerações de sua família! Mas falta a ela a sabedoria em escolher atuar em algo mais consistente.

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