Review: “Tão Forte e Tão Perto” de Stephen Daldry

“Tão Forte e Tão Perto” não é um filme sobre o 11 de Setembro. É um filme sobre uma criança em busca de uma resolução após a morte do pai nos atentados terroristas do World Trade Center. A história funciona muito bem e tem bastante apelo dramático, claro, mas sofre de um problema: um protagonista anticarismático.

Conhecemos o esquisito (como ele mesmo se define) Oskar envolvido em um relacionamento bastante amoroso com seu pai. Os dois brincam de descobrir coisas pela cidade, por que Oskar é muito inteligente e ótimo para solucionar enigmas… Eis que acontecem os tais atentados, o pai morre em uma das torres, passa-se um ano e o filho encontro no armário uma chave dentro de um vaso. Transformando a situação em outro enigma para solucionar, Oskar quer encontrar a fechadura que se encaixa nesta chave, que vinha em um envelope escrito “Black”, o que o leva a andar por toda Nova York procurando todos de sobrenome Black que existem na lista telefônica.

O filme todo é sobre Oskar e o personagem não funciona. Ele sofre de algo, que o roteiro não deixa claro se é psicológico ou algum transtorno mental (a Síndrome de Asperger é apenas citada). Oskar reage aos outros à sua volta como se fosse um alienígena descobrindo que humanos são capazes de se emocionar. E emenda com algo tipo “uma gota de lágrima contêm tantos miligramas de água”. Sério?

Suas neuroses podem ser divertidas (seu medo de transporte público, ou de atravessar pontes, produzem bons momentos), mesmo que seu pandeirinho constante – para mantê-lo calmo – irrite. Mas, se fosse apenas isso, o personagem passaria. Só que Oskar toma atitudes extremamente questionáveis, logo no início do filme. Ignora a mãe (que sofre tanto quanto ele pela perda do marido), é egoísta quanto à dor dela, esconde as mensagens que o pai deixou na secretária eletrônica… Certos desses elementos se resolvem, ou se explicam, ao final do filme. Mas o problema é que Oskar não se mostra um personagem interessante (por ser antipático) e isso compromete todo o resto da história. Temos catarse ao final? Sim, mas até ela chegar, somos forçados a tolerar a história de um garoto extremamente irritante.

“Estou estudando humanos para aprender a me comportar como eles e dominar o planeta!”

Problemas ao Oskar se resumem ao roteiro, pois o ator estreante Thomas Horn é muito bom no papel. Sim, ele é bom em ser antipático (sabe-se lá se sem querer!), mas não deixa de ser eficaz. Ele acompanha as cenas dramáticas com boa maturidade. Seu pai é Tom Hanks, que praticamente não tem cenas. Sua mãe é Sandra Bullock, que não é uma excepcional atriz, mas consegue chorar (e lhe fazer chorar) com o apertar de um botão. Sabe essas atrizes de novela que ficam a cena inteira fingindo choro, mas não cai uma lágrima e ficam fazendo barulho de nariz entupido? Bullock deveria dar aula para elas.

No elenco coadjuvante temos Max von Sydow (o exorcista de “O Exorcista”) como um senhor misterioso que não fala. Suas cenas com Oskar são as que dão um pouco de humanidade ao garoto. Von Sydow está excelente e tem ao menos uma cena dramática tão boa, e tão forte, que até o Oskar chora! Além dele temos participações menores de Viola Davis e Jeffrey Wright.

O filme é dirigido por Stephen Daldry, de “O Leitor”, “As Horas” e “Billy Elliot”. Sua direção acerta na maioria das vezes, mesmo que não consiga elevar o material a algo excepcional. Seu esforço em tentar emocionar é evidente. Uma pena que o personagem Oskar não demonstre a mesma vontade.

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4 respostas para Review: “Tão Forte e Tão Perto” de Stephen Daldry

  1. Anônimo disse:

    Eu achei essa sua resenha preconceituosa contra os portadores da sindrome de asperger. Oskar muito provavelmete é portador dessa sindrome, pois eu sou e me identifico muito com o personagem, e uma amiga minha especialista que assistiu o filme comigo acha o mesmo. Voce diz que “okar nao se mostra humano por tentar nao ser”. Desculpe, mas é assim que nós somos. Temos que aprender cientificamente o que os outros sabem extintivamente. É por causa de pessoas assim como voce que pessoas como eu preferem se isolar, causando-nos tristeza e muitas vezes depressao.

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    • Me desculpe se eu pareci preconceituoso de alguma forma, não foi minha intenção de fato. Mnhas críticas ao comportamento do personagem Oskar se resumem exclusivamente ao personagem Oskar, não a portadores de Asperger. O filme não esclarece se esta é a condição dele (em uma cena o próprio Oskar diz que os resultados foram inconclusivos) e qualquer comentário meu a respeito do comportamento de Oskar não é de forma alguma direcionado a portadores dessa síndrome ou de qualquer outra parecida, e sim única e exclusivamente aos resultados das ações deste personagem perante o roteiro do filme. Peço desculpas de qualquer forma e, por favor, não se sinta mal por isso.

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  2. Daniela disse:

    Bem se vê que essa resenha é escrita por alguém totalmente leigo em relação aos Asperger, vi meu filho todinho no ator, excelente atuação!

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    • Realmente sou leigo em relação ao Asperger. Mas o filme não deixa claro se o personagem tem Asperger. Em determinada cena ele menciona ter sido testado com resultados inconclusivos. Portanto minhas críticas foram ao personagem e como ele é retratado, não posso avaliar a atuação em relação a algo que o roteiro não aborda.

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