Review: “A Separação” de Asghar Farhadi

Filme vencedor do Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro, “A Separação” e um trabalho interessante que mostra como um bom roteiro é capaz de vencer a barreira da língua ou falta de familiaridade com a cultura e tradição de um país estranho.  Eu não sei nada sobre o Irã além do que aparece sobre aquecimento de urânio no jornal, mas isso não impediu que eu me identificasse com os ricos personagens da história.

Nader e Simon formam um casal em processo de separação, ela quer fugir do Irã para tentar vida em algum país estrangeiro e ele quer ficar, pois precisa cuidar do pai com Alzheimer. Vivendo separados, o marido contrata Razieh para ajudar a cuidar do senhor doente, mas um dia a cuidadora sai de casa durante a tarde e quando Nader volta, encontra o pai quase morto. A cuidadora volta, os dois discutem e trocam acusações, ela cai da escada, problemas acontecem, pessoas são indiciadas e… Bem, daí é ladeira abaixo! Em duas horas de projeção “A Separação” vai trazer mais conflitos do que uma novela inteira.

A história é complicada, envolve tantas reviravoltas e novas informações que mais parece que você está assistindo a uma versão iraniana e realista de “A Origem”. Verdade seja dita, o roteiro não para quieto, sempre com algo novo brotando na vida dos personagens. Em algum momento você se questiona se esse realmente é um filme sobre divórcio ou sobre acusações legais, mas o diretor mostra detalhes suficiente no enredo para fazer você questionar o que quiser mesmo.

O ponto forte do excelente roteiro não são apenas as muitas reviravoltas da história, mas também dos personagens bem escritos. Seja o casal se separando ou o outro casal com problemas pessoais, além da filha adolescente dos protagonistas, a história é escrita de tal forma que você não consegue julgar nenhum dos cinco. Todos eles tomam atitudes reprováveis, mentem, se colocam em situações que só servem para complicar tudo, mas você compreende ainda assim. Como os personagens têm qualidades e defeitos bem definidos, a identificação é fácil. A vida não é feita de “faça a coisa certa” e o que torna um personagem fictício definitivamente humano é a sua capacidade natural de reagir ao que quer que esteja acontecendo.

Em certa cena o marido diz para a futura ex-esposa “isso tudo só está acontecendo por que você quer se separar” e isso de fato é verdade, tanto que ela própria concorda! Isso a torna culpada? Não. Isso torna alguém culpado? Não. A capacidade do roteiro de mostrar que ninguém ali é vilão, e sim humanos em uma situação difícil para cada um, é a sua grande força.

O filme é dirigido por Asghar Farhadi em um estilo bem casual, simples, que dá uma sensação de contidiano na estética da história. O elenco principal, excelente, conta com Peyman Moadi, Leila Hatami, Sareh Bayat e Shahab Hosseini. “A Separação” não só é o primeiro longa iraniano a ganhar um Oscar como também o recordista no Festival de Berlim, com três prêmios: Urso de Ouro como melhor filme, Urso de Prata para o elenco e prêmio do Júri.

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