Review: “Duke Nukem Forever” para computadores

Uma verdadeira lenda videogamística, “Duke Nukem Forever” foi anunciado em 1997, apenas um ano após o grande sucesso de “Duke Nukem 3D. A partir daí o jogo já começou a se tornar famoso por atrasos e silêncio de anos a respeito da produção. Gamers dos anos 90 lembram muito bem dessa saga. “Forever” passou a ser apelidado de “Duke Nukem For Never” e eis que, pelo bem ou pelo mal, o jogo conseguiu ser lançado.

“Duke Nukem Forever” em 1997.

Você já sabe que “Duke Nukem Forever” vai dar errado quando lembra dos  14 anos de atraso que o transformaram no “Chinese Democracy” dos videogames.  E fica claro a confusão da história toda quando, nos créditos iniciais, brotam os logos de quatro desenvolvedores: 3D Realms, Triptych Games, Gearbox Software e Piranha Games. Pois é, 14 anos e quatro times diferentes, tinha como dar certo? A 3D Realms foi quem começou o projeto em 1997 que ficou enrolado nas mãos dela até 2007, quando a empresa então teve que diminuir o time para pagar as contas e o projeto entrou no limbo. Sabe-se lá quantas versões do jogo foram produzidas em dez anos… Pense que em 1998 ele era assim:

Depois a dona dos direitos do jogo, a publisher Take-Two, botou a 3D Realms para trabalhar novamente só que, em 2009, a empresa basicamente faliu. Em 2010 entra a Gearbox Software, responsável por “Borderlands”, para finalizar o projeto. Tamanhos eram os problemas que me surpreende a Gearbox não ter tido a oportunidade de começar um novo jogo de Duke Nukem, do zero mesmo! Insistir em “Forever” foi um erro, do ponto de vista de marketing (como vender um jogo com má-fama por 14 anos?) e do fato da produtora ter que terminar o projeto de outra e lançar, em 2011, um jogo de 2009.

“Duke Nukem Forever” em 1999.

“Duke Nukem Forever” é todo atrasado, mas tenta se atualizar. Só que para se atualizar ele teve que se colocar ao lado da série “Call of Duty”, então prepare-se para jogar Duke Nukem com energia que recarrega e podendo carregar apenas duas armas. Sério, qual a graça? “Duke Nukem 3D” era uma pérola da Era Doom, quando os FPS apenas tinham inimigos interessantes e armas criativas e botavam você para explorar um labirinto atirando em tudo. Tirar o desafio do labirinto e a variedade de armas é tirar toda a graça da coisa!

“Duke Nukem 3D” não era nenhum “Metroid”, mas seu level design era muito bem feito! As fases não eram lineares, existiam vários caminhos para se chegar a uma sala e era possível dar seu jeitinho de não encontrar uma das chaves coloridas necessárias. Além de muitos segredos, claro. À lá “Call of Duty”, “Duke Nukem Forever” é linear, você apenas anda reto e mata os mesmos inimigos. Sim, existe uma boa variedade de alienígenas, mas uma menor variedade no arsenal e de situações. Basicamente você anda para frente, chega numa nova sala com vários novos inimigos e mata todos eles. E repete por 23 fases.

“Duke Nukem Forever” em 2001.

Ok, de vez em quando o jogo tenta algo diferente, o que já é mais do que se pode dizer da maioria dos FPS atuais. Existem fases que utilizam veículos, alguns enigmas simples e sequências de plataforma – algumas inclusive com Duke em miniatura, como a bem feita cena de explorar a cozinha de um fast food. São sinais de que ao menos tentaram e que durante o projeto final existia potencial para algo novo. Infelizmente não é o suficiente quando todo o resto das cenas de ação é um porre de chato.

Não se trata apenas de tiroteio repetitivo, como em “Call of Duty”, que repete-se muito, mas diverte moderadamente. “Duke Nukem Forever” reproduz salas lotadas de inimigos, alguns que aparecem de surpresa e te matam rapidamente (colocando o jogador a mercê das longas telas de loading inúmeras vezes) e lhe forçam a decorar esses encontros para superá-los. Saber de onde um Pigcop vai aparecer às vezes é a única forma de impedir que ele lhe aniquile! O jogo não dá margem para criatividade do jogador, que fica preso em obedecer a padrões estúpidos para tentar superar desafios bobos.

Não era aceitável em 1996 e não é aceitável quinze anos depois, mesmo que hoje em dia a maioria dos gamers esteja encarando qualquer FPSzinho de quinta sem identidade alguma.

“Duke Nukem Forever” em sua versão final de 2011.

Além de ser basicamente irritante em termos de level design, “Duke Nukem Forever” não é bonito (se esforça muito com shaders e efeitos de luz modernos, o que lhe dá um visual genérico meio “The Conduit”) nem engraçado. E tenta ser! “Duke Nukem 3D” era uma boa paródia dos filmes de ação dos anos 1990 e seus Arnold Schwarzenegger da vida. Duas décadas depois o padrão é outro e as piadas perderam o efeito. Sim, era o máximo ir para um strip club em um videogame em 1996. Repetir a viagem e ainda ter que “brincar de RPG” para receber uma lap dance? Não com “Grand Theft Auto” no mercado.

“Duke Nukem Forever” demorou tanto para sair que era óbvio que era melhor nem ter saído! Talvez o anti-herói tapado Duke Nukem merecesse uma nova chance, em um FPS um pouco mais criativo e não um remake de um jogo de 1996 com level design substituído por atalhos. Do jeito que saiu, nem um eventual “come get some” vai lhe fazer sentir saudades do velho Duke.

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