Review: “A Perseguição” de Joe Carnahan

“A Perseguição” talvez seja um dos filmes mais óbvios lançados recentemente, ainda assim consigo imaginar pessoas frustradas, reclamando que “o diretor não explica o final”. Evidentemente não irei entrar em spoilers, dizer o que acontece, e já digo logo que não tem nada a ver com ambiguidade, final surpresa ou qualquer clichê desses… Mas só vendo para entender. E creio que, ainda assim, talvez as pessoas não entendam.

John Ottway é um deprimido caçador que trabalha para empresas que o contratam para matar animais predadores que podem vir a caçar seus trabalhadores. Durante uma de suas jornadas de trabalho, seu avião cai no meio de um nada que parece ser mais inóspito que Hoth, e Ottway e os poucos sobreviventes precisam se virar para continuar vivos nessa situação nada agradável. Para piorar, a matilha mais insistente de todos os tempos está caçando-os, portanto o grupo precisa fugir de lobos, no meio do nada, na pior tempestade de neve já vista no cinema.

Legal, né?

A história segue o clichê desse tipo de “filme de sobrevivência” que faz tanto sucesso no Super Cine. Ottway, claro, entende tudo sobre lobos (sempre tem que ter um líder que entende tudo sobre a principal ameaça) e seus coleguinhas vão morrendo, um a um, como sempre acontece. O filme se esforça em criar um passado para cada um, para que a perda deles seja sentida por quem assiste, e a certo ponto isso funciona. Só que a maioria das mortes é sempre muito evidente (por vezes estúpida, acidental) e isso tira o clima da cena. Acaba se tornando um lento jogo de “e então não sobrou nenhum”, à lá Agatha Christie mesmo.

Isso não impede o filme de ter boas cenas de suspense, com os lobos mais malvados que você já viu no cinema (é impressão minha ou eles uivam de sacanagem?). A fotografia e boa parte do cenário – quando não encoberto pela tempestade de neve – equilibram momentos de terror e as partes mais calmas, de divagação dos personagens. Basicamente, “A Perseguição” funciona em criar um bom clima de “caçador sendo caçado” e até te faz ter raiva dos malditos lobos, mas saiba que tudo que acontece no filme é bastante previsível.

Sobre o tal final, se você não entender, é por que é burro. Sinto muito! Todo o tema do filme percorre naquele belo poema que Ottway tanto recita: “Mais uma vez rumo à briga / Para a última boa luta que eu jamais saberei / Viver e morrer neste dia / Viver e morrer neste dia”. O personagem principal fala essas palavras (por sinal, o poema não existe, é criação do roteirista) no mínimo umas cinco vezes! Se após ouvir essas palavras e ainda achar o final dúbio, sinto muito, não há nada que o filme pudesse mostrar para lhe ajudar… É o único momento que “A Perseguição” não é óbvio demais, portanto é sua melhor qualidade.

Joe Carnahan dirige e roteiriza, com certo talento. Não é o tipo de filme que vai mostrar capacidade de ninguém, mas se é bem feito, isso só importa. Quem carrega tudo, como sempre, é Liam Neeson, o novo cara-durão favorito dos cinemas. Não é de se surpreender, vindo do ator que já foi mestre de Obi-Wan Kenobi e Batman! Honestamente, nada precisa ser dito sobre Neeson que ele já não tenha mostrado muito bem em seus trocentos filmes anteriores…

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