Review: “Xenoblade Chronicles” para Wii

Produzido pela Monolith Soft após sua compra pela Nintendo, “Xenoblade Chronicles” é um dos títulos mais ousados desenvolvidos para o Wii. Lançado no Japão em 2010 e, apesar de todo o potencial comercial na terra dos RPGs, o jogo não conseguiu sucesso nas lojas, vendendo menos de 200.000 unidades. Por conta disso a Nintendo desistiu dos planos de trazer esse aguardado épico fora do oriente, para desespero dos fãs que começaram o protesto chamado de Operation Rainfall, praticamente implorando para o lançamento deste e outros jogos exclusivos ao Wii japonês.

Em 2011, a Nintendo da Europa bancou a produção da tradução para o inglês (o jogo tem um enorme número de diálogos falados) e lançou “Xenoblade Chronicles” por lá, também sem grande sucesso comercial. Para desespero dos fãs americanos, restou esperar ainda mais. Eis que apenas em 2012, dois anos após seu lançamento original, temos a oportunidade de colocar esta pérola em nosso Wii NTSC.

(clique para ampliar – e pode salvar como seu papel de parede também!)

Sim, a espera valeu à pena. Mas convenhamos, não precisava ter demorado tanto!

A Monolith Soft* é famosa por RPGs orientais, como a série “Xenosaga” e os dois “Baiten Kaitos” do GameCube. “Xenoblade Chronicles” é típico do gênero, com uma longa e elaborada história, mundos vastos para explorar e batalhas em grupo. Mas pegou algumas lições de RPGs ocidentais também, como foco em loot para avançar no jogo, personagens de mudam de aparência de acordo com o equipamento e muitas, mas muitas sidequests que quebram a rotina da história. Um pouco de “Final Fantasy” e de “The Elder Scrolls”, basta você gostar de RPGs para admirar o que a Monolith Soft produziu.

* não confundir com a empresa americana Monolith Productions, de “No One Lives Forever” e “F.E.A.R.”

O jogo é uma sequência de paisagens gigantescas (clique para ampliar).

A história de “Xenoblade Chronicles” começa com uma introdução do curioso mundo onde a aventura se passa: dois gigantes, Bionis e Mechonis, lutavam uma batalha épica até que, durante um golpe duplo, ficaram paralisados para sempre. É neles que começa tudo. Sim, neles, literalmente! Nosso protagonista, Shulk, é um jovem da Colony 9, que fica no calcanhar de Bionis. Um ano se passou após uma guerra entre os Homs, de Bionis, e os Mechons, de Mechonis, e uma nova invasão a Colony 9 coloca Shulk utilizando a lendária espada Monado, a mais poderosa de todas. Acontece que os novos inimigos não são Mechons comuns e Shulk e seu amigo Reyn partem em uma aventura além do, err, do calcanhar de Bionis.

O conceito é inusitado, mas funciona perfeitamente. A história vai se abrindo conforme novos personagens entram na trama. Então conforme Shulk e Reyn vão subindo pelo Bionis, passando pela coxa, cintura, costas, pulmões (!!!), conforme o mundo deles aumenta, assim cresce a ambição da narrativa. Quando você chegar à metade do jogo (a cabeça do Bionis) já terá encontrado novas colônias, uma cidade futurista com tramoias políticas e se confrontado com a verdade sobre a lenda da Monado e seus poderes de prever o futuro. “Xenoblade Chronicles” não usa o termo “épico” para se descrever em vão. É uma história verdadeiramente épica e interessantíssima de acompanhar.

As cachoeiras não são apenas cenário de fundo: é possível nadar até elas! (clique para ampliar)

Evidentemente uma boa história não é nada sem uma mecânica de jogo interessante. “Xenoblade Chronicles” é um jogo longo (no mínimo umas 60 horas, se você não se desviar muito da trama principal) e que não perde tanto tempo assim com cenas de história, portanto o foco ainda é na jogabilidade. E é uma fórmula bastante complexa. Você controla apenas um personagem líder do grupo, da sua escolha, e ele será o seu avatar para navegar pelo mapa e durante as batalhas. Apesar de ter um sistema de escolha de golpes como “Final Fantasy”, os duelos são em tempo real e acontecem na própria tela do mapa (nada de transporte para um cenário especial). Os outros dois personagens do grupo são controlados pelo computador e irão seguir inteligentemente com golpes que colaboram com as suas escolhas. A cadeia de golpes é fundamental nas batalhas e tem um ar de “Final Fantasy XIII”, só que menos automático, e é um pouco confuso de início. Conforme você avança, libera novos golpes e descobre combos funcionais para cada grupo de personagens, você se acostuma.

A história tem seus próprios objetivos, portanto você não ficará preso apenas em “seguir em frente toda a vida”, mas ainda assim o jogo lhe proporciona uma infinidade de sidequests. Desde missões para matar certos tipos de monstros, encontrar itens escondidos ou simplesmente falar com outros personagens, são inúmeros desafios extras, simples e um pouco repetitivos, mas excelentes para tirar você da rotina da história, quando quiser e precisar avançar seus personagens em pontos de experiência ou afinidade. Essa afinidade, inclusive, ajuda a liberar novas habilidades. “Xenoblade Chronicles” tem um sistema de avanço por experiência automático, mas você melhora os golpes dos seus personagens, escolhe novas habilidades para eles e outras para o grupo de acordo com a afinidade deles. E, claro, tem armas, armaduras e pedras especiais para melhorar as funções delas, que podem ser encontradas em missões, recompensadas em sidequests ou confeccionadas em uma máquina a partir de cristais. Ah, e a partir de certo momento na jornada, você deve ajudara Colony 6 a ser reconstruída, encontrando itens e chamando novos habitantes.

Ufa! Em resumo: além de uma história bastante longa, “Xenoblade Chronicles” tem conteúdo adicional que o ajuda a ultrapassar as absurdas 100 horas de jogo. Ah, e claro, depois que você zera, libera um “New Game Plus”, caso esteja interessado em outras dezenas de horas de aventura. Tá bom, né?

A variação de cenários também é grandiosa (clique para ampliar).

Visualmente falando, “Xenoblade Chronicles” é bom e ruim ao mesmo tempo. É um jogo de Wii lançado originalmente em 2010 e demonstra isso em certas áreas. Os personagens não são detalhados, mas suas armas e armaduras específicas dão um ar especial a eles. Cavernas e outros cenários internos são incrivelmente medíocres, já as cidades são bastante detalhadas – a modernosa Achamoth é de deixar boquiaberto! O que mais impressiona no mundo criado pela Monolith é os cenários gigantescos dos mapas aberto, não apenas largos em tamanho, mas criativos e variados visualmente. A Colony 9 já lhe causa boa impressão e quando você chega na perna do Bionis o mundo cresce ainda mais e você não consegue imaginar que algum cenário supere aquilo, mas o jogo irá lhe surpreender varias vezes. Entre planícies vastas, pântanos brilhantes e uma gigantesca praia com ilhas flutuantes em cima, o universo de “Xenoblade Chronicles” é admiravelmente belo. Mesmo que não seja tão bem acabado de uma forma geral.

A dublagem é muito bem feita e a trilha sonora contém alguns temas fascinantes também. Por algum motivo, as músicas ambientes dos cenários noturnos foram as que mais me chamaram a atenção.

(clique para ampliar)

“Xenoblade Chronicles” pode ter feito fama com o público ocidental à custa do infame Operation Rainfall, mas não tenha dúvidas: é um excepcional RPG. Se você está cansado dos recentes jogos do gênero que focam demais em histórias espalhafatosas e melodramáticas e não lhe dá liberdade para fazer outra coisa além de navegar por corredores (sim, “Final Fantasy XIII”, é você), este inusitado e complexo jogo irá lhe satisfazer. Nem todo mundo curte um longo e elaborado RPG. Para os que procuram exatamente isso, “Xenoblade Chronicles” é um dos melhores exemplares em muitos anos!

Caso tenha ficado interessado na estética deste título (todas as imagens utilizadas neste review vieram do emulador Dolphin, por isso estão em HD), não se esqueça de ver meu artigo com inúmeras imagens de arte conceitual que coletei.

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