Review: “Prometheus” de Ridley Scott

Projeto do diretor Ridley Scott que começou como um prelúdio para a franquia Alien – que ele mesmo iniciou em 1979 – “Prometheus” acabou virando um filme próprio, original, apenas dividindo “o mesmo DNA” que o primeiro “Alien”. Prequel? Reboot? Obra completamente original? Talvez o maior defeito de “Prometheus” seja não ser nem um nem outro, ou ao menos não se assumir como.

O filme começa com aquela pergunta clássica “de onde viemos?” e a explica facilmente: do espaço, pois um ser alienígena de aparência bastante humana resolveu deixar seus traços de DNA aqui na Terra. Evolução e adaptação nos levaram a onde estamos uns 30.000 anos depois, buscando respostas para nossa origem até que dois cientistas descobrem um mapa – ou convite – para um sistema solar com uma lua que poderia abrigar vida. Eles embarcam então na nave “Prometheus”, de nome inspirada em Prometeu (que roubou o fogo de Zeus e deu para os humanos para nos aproximar deles), atrás de um bate-papo com os nossos criadores.

Claro que, como todo sci-fi extraterrestre, tudo dá errado. A tal lua (aparentemente abandonada) contém apenas com estruturas misteriosas com restos de civilizações lá dentro. Os cientistas querem descobrir se são esses os tais “deuses astronautas”, enquanto que um robô de nome David parece mais interessado em brincar de psicopata e espalhar DNA alienígena nos outros. Acontecem então as tradicionais crises de paranoia (tá achando que é fácil ficar no espaço?) e eventos misteriosos que, na maioria, não se explicam. Personagens se comportam de forma estranha, sofrem mutações, bichos esquisitos aparecem, e fica a pergunta: o que é isso tudo que acontece e para onde a trama está nos levando? Para lugar nenhum. “Prometheus” faz toda uma confusão em cima da descoberta da nossa origem, do nosso fogo, mas também banca Zeus e nos pune sem responder absolutamente nada.

Isso é frustrante. Sabe-se lá se Ridley Scott planeja uma franquia e quer deixar respostas em aberto. Não me importo. Quando um novo filme introduz uma história, preciso de algo concreto a brotar daquilo, e “Prometheus” não deixa nada de concreto. Isso não impede o filme de ser bom. O clima de suspense, a lenta criação dos enigmas, tudo é brilhantemente arquitetado. O clímax é explosivo e cheio de eventos. Mas não é nenhum orgasmo. Coisas explodem, monstros aparecem, pessoas morrem e só. Como primeiro capítulo de uma nova saga, “Prometheus” não sai do prólogo e isso não é o suficiente para criar novos fãs.

As referências ao universo Alien são tão fortes que fica muito difícil desassociar.

Ridley Scott dirigiu, além do primeiro “Alien”, “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, o que ajudou a cunhar sua fama de grande diretor de sci-fi. O que coloca “Prometheus” com um currículo de respeito e isso aparece. A história é fraca, mas a direção e os visuais dela não se contêm com isso. Ainda assim, o diretor deveria ter dado um melhor tratamento a este projeto do que mero enfeite narrativo em cima de um roteiro fraco. Não é o melhor de Scott nem de longe. No final das contas é um retorno gratuito dele ao gênero que o tornou ícone.

No elenco temos Noomi Rapace, a Lizbeth Salander sueca, carregando o filme com competência. A cena em que ela ajuda a realizar uma cirurgia em si mesma é incrível! Charlize Theron é a meio-vilã quase-robótica que, apesar de linda e inteligente, guarda o segredo mais mal guardado da trama (não julgue se você rir na cena que finge “revelar” isso) e não é muito boa na hora de fugir de gigantescas estruturas que caem de forma lenta em uma linha reta. E o robô David é vivido por Michael Fassbender, fazendo uma boa impressão de Peter O’Toole em “Lawrence da Arábia”. Todo o resto do elenco se esforça.

O problema de “Prometheus” é de ser calado demais, digamos assim. Se é uma obra original, precisava de mais elementos e mais respostas para criar uma mitologia mais interessante. Se é um prelúdio de “Alien”, não deixa isso claro e confunde mais do que explica. Se é um reboot, todas as extremamente óbvias referências ao universo da franquia ficam jogadas e gratuitas. O filme se afasta de sua origem demais (ironicamente) para no final deixar um gancho que vai confundir o público mais do que interessá-lo.

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