Review: “O Espetacular Homem-Aranha” de Marc Webb

Acho que ninguém pediu por uma nova história de origem do Homem-Aranha. Quando resolveram recomeçar o Batman, veio um filme que aprofundava em seu passado muito mais do que o primeiro “Batman”, que era bem discreto nisso. Já o “Homem-Aranha” de Sam Raimi contou direitinho como uma aranha morde um garoto que vira herói, dez anos atrás, portanto rever essa história parecia tentativa de remake. Pois bem, eis que temos “O Espetacular Homem-Aranha” que, para a sorte de todos, é somente um reboot mesmo. E convenhamos: depois do fiasco de “Homem-Aranha 3”, isso é muito bem-vindo!

Me desculpa, mas como esse topete todo cabe dentro daquela máscara?

Peter Parker é um nerd colegial traumatizado pela morte dos pais quando ele era criança, uma história na qual o prólogo nos mostra que ele guarda lembranças. Ao investigar o relacionamento do pai com um tal Dr. Curt Connors, Parker se mete nos laboratórios com os estudos genéticos do pai (na empresa Oscorp, bem famosa na mitologia da série) e acaba sendo mordido por uma aranha geneticamente modificada. Não estamos mais nos anos 60, então aranha radioativa não tem chances no cinema mesmo…

Parker descobre que está com agilidade de aranha e, como todo bom adolescente, resolve fazer mal uso disso. Aí seu tio Ben morre assassinado, Peter resolve fazer justiça atrás do assassino, ao mesmo tempo que ele resolve namorar a linda nerd Gwen Stacy e Connors vira um lagarto gigante que aterroriza Nova York.

Já ouvimos essa história antes e, em detalhes, ela é a mesma coisa que na versão 2002 narrada por Raimi. Parker usa seus poderes contra o bully da escola, por impunidade acaba sendo responsável pela morte do tio, faz rascunhos da roupa de Aranha em um caderno que pode muito bem ser o mesmo utilizado por Tobey Maguire dez anos atrás… Todo seu relacionamento com os pais é um mistério interessante, que serve como motor inicial para Peter virar o herói meio que por acaso (no filme de Raimi o por acaso foi por acaso mesmo!), mas a trama some logo depois. Recebemos um gancho ao final, dizendo que tem mais segredos a vir na sequência, o que acaba sendo frustrante demais.

Entretanto, mesmo que o início do filme tenha muito em comum com o original, o resultado final acaba sendo diferente (e bom) o suficiente para valer a certa repetição. Ok, poderíamos ter um reboot que não perdia tempo mostrando o que já foi mostrado, jogando a história dos pais de Parker de forma parecida num esquema diferente, mas de qualquer jeito funciona e entretém, então qual o problema? Quando o Homem-Aranha finalmente aparece (à lá “Batman Begins”, demora bastante) o filme fica muito melhor, com boas cenas de ação e comédia. Toda a ameaça do Lagarto não chega a tornar o filme emocionante, infelizmente. Como em “Os Vingadores”, parece que o vilão não é tão ambicioso assim, com seu plano furreca para atacar Nova York por atacar Nova York.

No final das contas, eis um filme de origens melhor que o primeiro “Homem-Aranha”, o que coloca o diretor Marc Webb em uma posição confortável. Webb apenas havia dirigido a comédia romântica indie “(500) Dias com Ela” e, além de incluir inúmeras músicas pop na edição (algo incomum em blockbusters hoje em dia) e saber conduzir muito bem os diálogos românticos da história, tem boa mão para as cenas de ação, todas muito bem feitas. Assim como Sam Raimi, que ao ganhar liberdade dos produtores em “Homem-Aranha 2”, conseguiu exercer sua liberdade e produzir uma sequência criativa e superior, se Webb seguir para o próximo filme acho que temos boas chances de nos surpreender positivamente.

O protagonista da vez é Andrew Garfield, de “A Rede Social”, que é um Homem-Aranha muito melhor que Tobey Maguire foi dez anos atrás, mas que acaba ficando meio empatado na hora de ser Peter Parker. Nerd e deslocado não era o problema, e sim o parrudinho Maguire que não convencia como um herói esguio e acrobático como o Aranha, e nesse papel Garfield se sai muito bem. Ou o dublê dele, sei lá… De qualquer forma, é uma interpretação mais fiel ao original dos quadrinhos, tanto na agilidade com que se aventura pelos prédios como nas piadinhas ácidas contra os bandidos.

A fogosa Mary Jane é substituída pela fofa Gwen Stacy, aqui vivida pela gracinha da Emma Stone, que faz caretas demais, mas isso acaba contribuindo para o humor do filme. No papel do vilão temos Rhys Ifans, o amigo esquisito de Hugh Grant em “Um Lugar Chamado Notting Hill”, controlado demais para um cientista maluco, mas competente o suficiente. Adorei a cena em que ele vê o reflexo de seu braço no vidro, mas isso acaba sendo mais um mérito de Webb como diretor. De resto, Martin Sheen vive o tio Ben (que, como de se esperar, não dura muito) e Sally Field uma tia May jovem e sarcástica demais para esse papel.

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2 respostas para Review: “O Espetacular Homem-Aranha” de Marc Webb

  1. Anônimo disse:

    Cara curti seu review emparte… mas fica aqui uma dica, antes de escrever sobre algo, procure saber sobre. Exemplo, no começo do seu review voce escreve “ninguem pediu sobre uma nova historia de origem…” neste caso a circustancia do momento tinha que fazer uma nova historia, já que a antiga, com os outros atores e diretores, havia sido rompida com a produtora. Mas curti!

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    • Entendo a necessidade de recomeçarem a série, só não vi necessidade de contar especificamente a origem, sabe? Já sabemos o básico – Peter Parker sendo mordido por uma aranha, a morte do tio Ben – e, na minha opinião, o filme poderia introduzir a nova história com o Homem-Aranha já formado como personagem. Pense, por exemplo, em “Batman Eternamente”, que não continua a história dos filmes anteriores do Batman e também não mostra novamente Bruce Wayne virando herói. ;)

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