Review: “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” de Christopher Nolan

“Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é o fim da trilogia do diretor Christopher Nolan que começou com “Batman Begins” em 2005 e continuou no cultuado “Batman – O Cavaleiro das Trevas” de 2008. O filme busca, acima de tudo, encerrar a história que começou sete anos atrás, do garoto traumatizado que resolveu combater o crime vestido de morcego. Talvez as pessoas buscando o comentário social pós-11 de Setembro de “O Cavaleiro das Trevas” se frustrem. Como episódio próprio ou ato final de uma história, é um filme inesquecível.

Oito anos depois de o Coringa criar o caos em Gotham City e o Batman assumir a culpa pelos assassinatos de Harvey Dent, Bruce Wayne se isolou do mundo e a cidade vive em paz, apesar de o Comissário Gordon ficar na dúvida entre revelar o segredo de Duas-Caras para o público ou continuar com a mentira. Aparece então Bane, um mercenário com um plano para destruir a cidade e o próprio Batman, forçando o herói a voltar a ativa para impedi-lo.

Essa sinopse é basicamente o desenvolvimento da primeira hora do filme, que introduz os personagens e o momento histórico em que vivem enquanto preparam para a trama em si. Quando Bane finalmente começa seu plano “bwahahaha vou destruir o mundo!” é que o filme começa mesmo, colocando todos os personagens em situações de conflito e criando uma reviravolta após a outra. De vez em quando o roteiro escorrega em algumas coisas sem sentido (Bane vai e volta de Gotham com facilidade para um mercenário procurado mundialmente e o Batman parece que “adivinha” quando alguém está precisando dele em um beco no meio do nada). Não acho que isso atrapalhe o filme em nenhum momento. Sim, buracos no roteiro frequentemente nos tiram do momento, quebram a ilusão, mas nenhum dos casos é grave o suficiente. A história não lida com coincidências ou acaso, o pior tipo de furo, e mais com situações um pouco irrealistas.

Pois o que importa é que a história funciona, os personagens funcionam, as reviravoltas são boas e as cenas tem clima, momento. Furos de roteiro só evidenciam um filme que já não anda muito bem sozinho (vide “Homem-Aranha 3”), mas ninguém ficou assim realmente tão incomodado com os Ewoks destruindo o Império em “O Retorno de Jedi”, né? É forçado, mas cola uma trama maior que caminha muito bem, e é esse o caso de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. Toda a trajetória do filme é bem amarrada (furos inclusos!) e explode em um terceiro ato épico – no melhor sentido que o cinema épico representa – com um clímax empolgante. Dá para reclamar de pequenos detalhes? Dá. Mas não precisa.


E como eu disse no primeiro parágrafo, falta ao filme o contexto social tão bem argumentado em “O Cavaleiro das Trevas”. Talvez as pessoas façam alusão ao movimento Occupy e aos 99% influenciados pela Primavera Árabe do ano passado. Ainda assim, é pouco. A obra está mais preocupada em desenvolver o personagem Bruce Wayne e criar situações interessantes do que fazer algum comentário. E eu não acho que fez tanta falta assim. Como em “Batman Begins”, a história funciona muito bem falando sobre os personagens, não necessariamente sobre a sociedade.

Além de ter dirigido os filmes do Batman, Christopher Nolan é responsável por “Amnésia”, “Insônia”, “O Grande Truque” e “A Origem”, o que dá muito bem para rotulá-lo como o diretor com o mais impressionante conjunto de obras da década passada. São todos filmes muito bons e de sucesso, mostrando que além de conseguir produzir autoralmente, ele tem tato para falar com o grande público. “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é incrivelmente bem dirigido, com espetaculares cenas de ação e com a segurança para contar uma boa história com personagens reais, quem diria! A gente sabe que nem todo blockbuster se dá a esse luxo…

Prrrr….

O elenco trás de volta Christian Bale como Batman (seu melhor trabalho na trilogia), Michael Caine como Alfred, Gary Oldman como Gordon e Morgan Freeman como Lucius Fox. O vilão Bane é interpretado por Tom Hardy (de “A Origem”), espetacular na expressividade corporal do personagem, muito intimidante e arrogante. Anne Hathaway interpreta Selina Kyle – também conhecida como a Mulher-Gato, mas nunca referida assim no filme. Ela é a surpresa no final das contas, trazendo um ótimo equilíbrio como heroína de ação, alívio cômico e sensualidade feminina. As outras novidades são Joseph Gordon-Levitt (“500 Dias com Ela”) como o policial bonzinho John Blake e Marion Cotillard (vencedora do Oscar por “Piaf – Um Hino ao Amor”) como Miranda Tate, íntima de Bruce Wayne que acaba se envolvendo no plano maligno no vilão e rende uma ótima atuação no clímax do filme.

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