Review: “Jogos Vorazes” de Gary Ross

Inspirado no livro extremamente popular de Suzanne Collins, “Jogos Vorazes” é uma história de sci-fi e fantasia que, por algum motivo, fez muito sucesso entre garotas adolescentes. Claro, a protagonista feminina ajuda muito a isso, mas convenhamos que nem sci-fi nem fantasia costumam atrair esse público – muito menos na literatura. Ainda mais considerando o enredo bastante violento, sabe-se lá o que atraiu as meninas para esse novo fenômeno teen. Mas, claro, não demorou a sair uma adaptação cinematográfica.

Não li o livro e não sei o que levou aos eventos narrados no prelúdio, onde uma guerra de doze distritos contra a Capital – que venceu – levou a criação dos anuais Jogos Vorazes, um torneio onde vinte e quatro jovens (dois de casa distrito derrotado) devem gladiar entre si e o último sobrevivente volta para casa. É um conceito estranho, um futuro distópico onde alguns vivem na miséria e outros poucos abusam do luxo e da riqueza, enquanto assistem a maioria miserável matar-se por puro entretenimento. O que levou a humanidade a isso? Não sei e este primeiro filme de uma série não dá dicas.

Uma pena, pois o potencial crítico está lá. A referência aos antigos gladiadores romanos é óbvia, ao mostrar uma sociedade que se entretém demais ao assistir outros morrerem. E também há a referência aos atuais reality shows, desde a fútil pompa de apresentação (querer transformar tudo em espetáculo) aos próprios participantes fazendo tipo e agindo de acordo com um “manual de etiqueta para ser popular”. É uma mistura de duas coisas que nada tem em comum (ninguém se mata no “Big Brother”) e, como o tema é pouco desenvolvido, fica um pouco vazio. Houve uma guerra, que mudou drasticamente o sistema de uma nação, e a levou a vangloriar a violência e a presepada de um “videogame de verdade”. E? É isso.

Katniss Everdeen (oi?) e Peeta Mellark (hein?) são os representantes do Distrito 12 – ela foi voluntária para ir no lugar da irmã – que acabam se envolvendo durante o jogo. Claro, estamos falando de um fenômeno teen, tinha que haver algum romance! Peeta tem um enorme talento para fingir ser carismático perante as câmeras e Katniss é uma excelente caçadora, portanto o relacionamento dos dois trás um rumo que os diretores do espetáculo querem explorar. Mas o enredo, em si, não cria momentos realmente surpreendentes. Katniss tem um interesse romântico que deixou para trás no Distrito 12, mas como ele não participa da história, mal dá para chamar isso de triângulo amoroso.

O filme é dirigido por Gary Ross, de “Quero Ser Grande” e “A Vida em Preto e Branco”. Ross escolheu filmar com a infame shaky cam, para dar uma certa urgência nos eventos e situações. Mas isso aqui não envolve Jason Bourne, e sim uma garota que, de vez em quando, tem que fugir de uns adolescentes assassinos. De uma forma geral é tudo simples, sem um estilo que se destaque ou demonstre o talento do diretor. Não ajuda também o ar de produção barata, principalmente nas roupas e cenários da Capital, que ficaram com aquele jeitão de filme B.

A protagonista é vivida por Jennifer Lawrence (a Mística de “X-Men: Primeira Classe”), que dá bastante força a um papel bem interessante. Se o filme lhe mantém interessado, é por conta de Katniss Everdeen. Seu namoradinho de reality é vivido por Josh Hutcherson, carismático o suficiente. E na outra ponta do pseudo-triângulo está Liam Hemsworth, irmão do Thor, que deve ter umas cinco cenas e só fala duas vezes. O elenco de coadjuvantes inclui Stanley Tucci, Elizabeth Banks, Wes Bentley, Woody Harrelson, Lenny Kravitz, Donald Sutherland e Toby Jones. Nossa, quanta gente! Infelizmente, a maioria só serve de enfeite.

“Jogos Vorazes” tem grande potencial para se transformar em uma análise interessante de uma sociedade fracassada. Mas o primeiro episódio não faz nada além de introduzir um romance. Como fenômeno entre garotas adolescentes, pelo menos, é um sensacional avanço em cima da saga “Crepúsculo”. Katniss Everdeen seria capaz de caçar vampiros, lobos e ainda fazer picadinho de Bella para o jantar.

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