Review: “Resident Evil 5 – Retribuição” de Paul W. S. Anderson

“Resident Evil – O Hóspede Maldito” é um filme que pode ser considerado eficazmente medíocre. Inspirado na famosa série de videogames da Capcom e lançado em 2002, não era muito bom e quase não tinha nada em comum com suas inspiração, mas tinha cenas interessantes e Milla Jovovich se esforçando em convencer como protagonista de ação. E não fez tanto sucesso assim, alcançando bilheteria global de 100 milhões de dólares, um trocado para o gênero. Mas o suficiente para a barata produção render sequências. Que vieram desde então, uma pior que a outra e que, ainda assim, conseguiam fazer cada vez mais dinheiro.

Só Deus sabe como “Resident Evil 4 – Recomeço” conseguiu fazer 300 milhões de dólares pelo planeta inteiro, mas foi o que aconteceu e cá estamos… Dez anos depois do primeiro filme, aturando “Resident Evil 5 – Retribuição”.

O primeiro filme mostrou a heroína Alice no meio de um contágio do T-Vírus em uma instalação secreta da empresa Umbrella, que se espalhou pela cidade de Racoon City na segunda parte. Ao final disso, Alice já tinha feito amizade com Jill Valentine e adquirido superpoderes sei lá por que (“por que sim”, aparentemente). No terceiro filme, Jill sumiu – e ninguém nos disse por que, novamente – e o planeta Terra se tornou um imenso deserto por causa da epidemia do T-Vírus. Quando chegamos ao quarto episódio, super-Alice está passeando pelo mundo com seu exército de clones (adquiridos no gancho do filme anterior) em companhia de Claire Redfield, que encontra seu irmão Chris. Ah, e todos os clones de Alice morreram (“por que sim”) e o mundo deixou de ser um deserto (“por que sim”), mas continua destruído e com poucos sobreviventes da epidemia de zumbis. Então começa “Resident Evil 5”, sem Claire e Chris – ninguém, novamente, nos explica, mas eles sumiram – e com o retorno de Jill. Ah, e Alice perdeu os superpoderes. Por que Wesker, o vilão, a curou no quarto filme. Mas no quinto ele pede ajuda dela para destruir a Umbrella. Que consegue manter exércitos de clones à lá Star Wars e instalações gigantescas e ultra-avançadas, apesar do mundo estar devastado e tomado por zumbis, então sei lá quem está produzindo toda a energia necessária.

Ninguém espera um história humana e cheia de profundidade vinda de uma adaptação de um videogame (ainda mais se inspirando em “Resident Evil”, que até para o padrão videogame é bem bobo), mas esta série aqui esquece que qualquer roteiro precisa de um mínimo de lógica para ser amarrado. Principalmente quando todo santo filme da série termina em um gancho e pede para você ter noção do que aconteceu antes para entender o momento atual. Coisas acontecem, e simplesmente acontecem, e os roteiristas não estão nem aí para lhe explicar o porquê disso. Nem Alice se torna uma personagem interessante mais, já que ela é invencível (com ou sem poderes) e não tem motivo nenhum para continuar lutando, mas pelo jeito ela quer chegar ao final da fase.

Dois exemplos de vestuário que você NÃO DEVE usar em caso de apocalipse.

O único momento que o roteiro apresenta algo interessa nesta história é com a introdução de clones de antigos personagens e até de uma “filha” da Alice, mas evidentemente o conceito não se desenvolve em absolutamente coisa alguma. Provavelmente a garotinha vai sumir no próximo filme… “Por que sim”. Ah, e uma menção precisa ser feita para a feira de cosplays que são os coadjuvantes! Jill Valentine, Ada Wong, Leon Kennedy e Barry Burton, todos aparecem, usando suas roupas famosas de jogos recentes. Mesmo que eles fiquem ridículos no contexto do filme, que é bem diferente do apresentado por um jogo.

“Resident Evil 5 – Retribuição” é dirigido por Paul W. S. Anderson, do primeiro e quarto filme desta série, e também da adaptação de “Mortal Kombat” feita nos anos 90. O cara é péssimo, mas aparentemente ele se diverte pegando videogames e adaptando-os sem coerência alguma. O prólogo do filme é bem interessante por ser apresentado em backward, um efeito que ficou legal. Mas o resto todo é bastante chato e simplório. Precisam todas as cenas de ação ser em slow motion? Será que Anderson considera seu público tão burro assim que ninguém conseguiria visualizar um soco em velocidade normal?

Milla Jovovich volta para o papel de Alice, com o mesmo entusiasmo de esforço de quem vai para o supermercado fazer as compras do mês. Jovovich tem talento para heroína de ação, mas ficar dando saltos e golpes em câmera lenta não é a melhor forma de mostrar isso. Em que anos estamos, 1999? Michelle Rodriguez volta como Rain, a personagem que morreu no primeiro filme, e também como um clone versão dona-de-casa dela. Sim, ela consegue interpretar outra coisa além de mulher durona! E temos Sienna Guillory como Jill Valentine, em visual robótico do jogo “Resident Evil 5” e soltando expressões aleatórias com a mesma expressão de um figurante de jogo de ação. “Kill them, now!Whatever…

Novo superpoder de Alice: vestir uma roupa sadomaso, sozinha, em menos de um minuto! Incrível!

Se você gostou da série até aqui, não é “Resident Evil 5 – Retribuição” que irá lhe tirar o gosto pela coisa. De uma forma bem genérica, os últimos quatro filmes da saga tem se mantido igualmente ruins. Para os fãs da franquia videogamística que querem ver seus heróis e monstros favoritos na telona, tá aqui a versão diarreia deles.

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