Revisitando os melhores jogos de WiiWare

Menosprezado por causa de um serviço online mal gerido pela Nintendo, o WiiWare foi uma ótima ideia que deu certo. Antes do avanço das AppStore, títulos pequenos vindo de empresas independentes ficavam excluídos a serviços de download para PC como Steam. O WiiWare, junto com a PlayStation Store e Xbox Live Arcade, trouxe muitos jogos divertidos, simples e criativos para os consoles caseiros.

Agora que o Wii está em seus momentos finais (com o lançamento do Wii U no final do ano), aproveito para lembrar os dez melhores jogos lançados neste serviço desde Maio de 2008, quando o o WiiWare entrou no ar. Os jogos estão organizados em ordem alfabética – não é uma lista comparativa e sim de destaque para dez excelentes jogos que talvez você não tenha dado uma chance ainda. Alguns deles tem demos no Shop Channel, caso você fiquei curioso para experimentar.

Bit.Trip Runner

Não sou fã da série Bit.Trip (que já recebeu uma versão “Complete” com todos seus episódios em um único disco). A maioria de seus jogos simplórios não me agradou, mas “Runner” prende minha atenção. Um jogo de plataforma rítmico e extremamente viciante, “Runner” sequer pede que você ande com o personagem Commander Video. O jogo fará isso para você, que deve apenas se preocupar em pular, dar chutes e agachar – simples comandos que não verdade testará seus reflexos para desviar de obstáculos do cenário e inimigos.

O conceito é simples e dá muito certo. Você não faz muito, mas as fases são incrivelmente bem desenhadas e desafiadoras. Você irá morrer repetidas vezes e insistirá até conseguir desviar daquela pedrinhas que aparece naquela hora rápido demais! O jogo lhe recompensa com fases cada vez mais difíceis – chegando ao absurdo no mundo final, onde ele realmente testará sua paciência. Neste caso, vale à pena ficar frustrado! É um teste de reflexos, muito bem executado.

Bonsai Barber

Um jogo onde você é um cabeleireiro de vegetais. Hein? Este é o conceito nada convencional de “Bonsai Barber”, um pérola do gênero casual com grande apelo, por mais estranho que seja. Aqui você controla o Wiimote como uma tesoura e deva aparar legumes carismáticos de acordo com as instruções deles, podendo também pentear e pintar. E se você realizar algum movimento especial, outros segredos divertidos aparecem na cabelereira vegetal. Pode parece baboseira, mas é daquelas besteiras desafiadoras que lhe prendem a atenção mais do que o nosso preconceito imaginou.

Cada legume tem uma personalidade e pede cortes diferentes, todos os dias. E se você ficar alguns dias sem “abrir o salão”, eles lhe mandam uma mensagem (para o menu do Wii) perguntando onde você estava. E se você realmente demorar muito para voltar, alguns deles estarão com cabelos enormes e cheios de teia, além de deprimidos! Deixar os legumes felizes antes de alguma viagem faz você receber um cartão postal. E, se você quiser, também pode tirar foto de suas criações e mandar para amigos. As possibilidades e variações são muitas, o que rende ao jogo uma incrível vontade de voltar no dia seguinte.

Cave Story

Seguindo a onda, “Cave Story” é um Metroidvania com gráficos 8-bits e dificuldade de “Ninja Gaiden”. Eis um jogo de tiro com exploração de mapas, chefes e muitos desafios. Em tese uma experiência simples (ande para lá e para cá com explorações básicas do cenário), mas o segredo está nas ações que você toma ao longo da jornada. Qualquer item ou atitude mudam o decorrer na aventura, que apresenta um três finais diferentes, envolvendo um fase secreta absurdamente difícil!

Não é um jogo para qualquer um, mas seu apelo é indiscutível. O level design é incrível, a história é interessante, os chefes são bem bolados e toda a jornada envolve um mínimo esforço para chegar ao final mais fácil. Se você gosta de jogos que te estimulam a vencer grandes desafios, “Cave Story” é um dos mais interessantes.

Contra ReBirth

A Konami relançou três jogos em sua “trilogia ReBirth” para WiiWare, revisitando franquias clássicas de seu passado com um charme 16-bits: “Gradius ReBirth”, “Contra ReBirth” e “Castlevania: The Adventure ReBirth”. Dos três, “Contra” sem dúvida é o melhor (“Castlevania” vale uma menção honrosa, pois é bem legal também). O jogo é um típico Contra que os fãs adoravam durante a Era dos jogos 2D, mas não é apenas o saudosismo que marca  este lançamento: ele simplesmente é muito bom mesmo!

“Contra ReBirth” é exatamente aquilo que você espera de um jogo da série: ágil, frenético e desafiador, além de excelente para jogar com um amigo. É curto (contém apenas cinco fases), mas até aí serve para manter o estilo retro, pois jogos antigos realmente eram mais curtos – mas talvez nem tanto, né? Ainda assim, temos personagens para liberar e quatro variações de dificuldade. É um jogo que lhe convida para jogar várias vezes e melhorar seus reflexos, de preferência com um amigo do lado, onde tudo fica mais divertido. Quem acha que “não se faz mais jogos como na época do Super Nintendo”, tem que experimentar “Contra ReBirth”!

Final Fantasy Crystal Chronicles: My Life as a Darklord

A Square-Enix lançou inúmeros jogos com o rótulo da cultuada franquia Final Fantasy para o WiiWare. O primeiro deles foi logo ao lançamento do serviço, o “Final Fantasy Crystal Chronicles: My Life as a King”, um interessante jogo de administração de cidade com toques de RPG. Sua sequência foi lançada no ano seguinte com “Final Fantasy Crystal Chronicles: My Life as a Darklord”, que na verdade é um jogo de estratégia que em nada lembra seu antecessor! Mas é bem feito o suficiente para se destacar com louvor na biblioteca do Wii.

Nele você controla a malvada Mira, filha de um vilão, que quer dominar o reino. Para isso ela deve construir fortalezas, que são atacadas pelos heróis. O jogador escolhe cada tipo de andar para construir e que monstros terá neles. A estratégia para saber como enfrentar a horda de guerreiros ou magos é fundamental para impedir que eles alcancem o topo da torre e destrua o cristal de Mira. O jogo começa simples, mas avança e se torna bastante complexo e difícil. Se você estiver com dificuldades, a Square-Enix oferece inúmeros extras via download pago para lhe ajudar, como novas criaturas, andares e magias. Todos são opcionais e é completamente possível finalizar a longa campanha do jogo sem gastar um centavo a mais. Só que vai dar trabalho!

Fluidity

Lançado sem muito alarde ou hype, “Fluidity” surpreendeu os fãs da Nintendo por ser um dos jogos do WiiWare a melhor aplicar uma subutilizada função do Wii Remote: o giroscópio que mede a posição do controle. Aqui você controla uma poça d’água (isso mesmo!) que deve navegar em um livro representado por um cenário 2D para coletar gostas mágicas. Use o Remote na horizontal para inclinar o livro para um lado ou para o outro, ajudando a água a deslizar pelas fases.

A ideia é simples, muito criativa e, o melhor de tudo, executada com primor! Os controles funcionam muito bem, sem a necessidade do infame waggle que amedronta muita gente no Wii. Os enigmas e soluções são por hora simples, outras vezes muito complicados e pouco óbvios. O jogo oferece quatro mundos cheios de cenários, objetivos e extras. Conforme você avança, libera novas habilidades para a sua poça d’água aventureira. Um genial e criativo jogo, como nada que você encontrará em qualquer sistema por aí!

LostWinds: Winter of Melodias

O primeiro “LostWinds” foi lançado junto com o WiiWare e chamou bastante a atenção. O jogo era belo, criativo e tinha cara de ser o primeiro blockbuster do serviço. Mas tinha seus problemas, basicamente por ser curto demais, fácil e linear. Sua sequência, “Winter of Melodias” consertou esses problemas e tornou-se um jogo muito mais interessante.

Os gráficos são os mesmos, mas os cenários muito maiores, variados e criativos. O jogo é relativamente linear, mas coloca você para explorar mais. E os enigmas e desafios são bem mais interessantes e usam melhor a interessante mecânica do jogo. Uma espécie de “Metroid zen”, “LostWinds” coloca o jogador para controlar o vento e ajudar um personagem a resolver situações e alcançar seus objetivos. A agradável trilha sonora ajuda a compor o clima de uma aventura leve, descompromissada, mas muito bem feita.

Mega Man 9

Desaparecido dos consoles por muito tempo (o último jogo da série foi “Mega Man 8” para o PlayStation), aquele que antes já foi o maior símbolo da Capcom resolveu voltar para um sistema Nintendo em um lançamento que surpreendeu muitos com sua inusitada proposta: “Mega Man 9” voltava à Era 8-bits, dos gráficos simplórios à jogabilidade básica e dificuldade altíssima. Muitos viram isso um retrocesso, ao invés da óbvia homenagem. O resultado deu certo de qualquer forma: “Mega Man 9” é o responsável pela onda retro que atingiu os serviços de download de jogos durante esta geração.

O jogo é basicamente aquilo que os três primeiros jogos eram durante os anos 1980: controle Mega Man, escolha um dos oito chefes e use suas armas para avançar nas fases cheias de armadilhas e inimigos variados. O resultado é excelente exatamente por se manter fiel à proposta. Quem nunca sentiu saudades de jogar um inédito jogo de Nintendinho? Entre “Mega Man 9” e “Mega Man 10”, prefiro o primeiro. Só não se preocupe, pois os dois são excelentes! A sequência peca por não arriscar tanto quanto seu antecessor. Mas ambos são lados de uma mesma moeda.

MotoHeroz

“MotoHeroz” parece um jogo de corrida, mas na verdade é um puzzle. Você controla um pequeno carrinho e deve percorrer uma pista 2D, alternando sua velocidade para medir saltos e avançar no menor tempo possível. É daqueles jogos trial and error como o “Bit.Trip Runner” já citado: você irá morrer inúmeras vezes por fase antes de descobrir o que tem que fazer. Mas a graça está aí!

Primeiro por que o level design é brilhante, portanto o jogo não foco nos seus reflexos (como “Runner”) e sim na sua compreensão de como vencer um obstáculo. Segundo por que são muitas fases (mais de 100!), todas elas com segredos, moedas e medalhas para você tentar melhorar seu resultado. E terceiro pelo ranking global onde jogadores disputam os melhores tempos nos desafios. É, sem dúvida, um pacote completo!

World of Goo

O primeiro clássico do WiiWare, “World of Goo” caiu como uma luva no conceito do serviço. Um jogo independente, feito por uma equipe de duas pessoas, que utilizava muito bem os controles específicos do Wii. “World of Goo” também está disponível para PC (via Steam) e funciona muito bem com um mouse, claro. Mas talvez por toda a publicidade que girou vindo da própria Nintendo, é como se este aqui na verdade fosse o killer app do WiiWare.

O jogo de estratégia envolve você ajudar – com o pointer do wiimote – um bando de adoráveis gosminhas a chegar ao cano do outro lado da fase. Seu papel é ir grudando uma nas outras, criando estruturas (pontes, torres…) para elas seguirem seu caminho. Simples, diferente e muito inteligente. São inúmeras fases que irão testar a sua criatividade e o jogo ainda te convida a tentar de formas diferentes, em menor tempo ou com menos movimentos. Uma pérola um pouco cara que convenceu logo no início que o WiiWare era um sistema com grande potencial para excelentes jogos. É, sem sombra de dúvidas, um dos melhores jogos do Wii, independente de ser exclusivo para download.

Menções honrosas: Seleciono abaixo outros dez jogos de WiiWare que também consider dignos de destaque, mas não o suficiente para listar neste meu Top 10. Alguns deles são inclusive citados ao longo deste artigo. Não são jogos que eu recomendaria com louvor (como os acima), mas que vale uma investida. Seriam eles: “LostWinds”, “Final Fantasy Crystal Chronicles: My Life as a King”, “LIT”, “Onslaught”, “Tetris Party”, “NyxQuest: Kindred Spirits”, “Mega Man 10”, “Castlevania : The Adventure ReBirth”, “Final Fantasy IV: The After Years”, “La-Mulana”.

Dentre jogos de aventura, ação, puzzle, estratégia ou nostálgicos, tem um pouco de tudo no WiiWare. Aproveite!

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