Review: “Argo” de Ben Affleck

Inspirado em uma bizarra história real, “Argo” teve a coincidência de se tornar um filme atual após os recentes casos da revolta no mundo muçulmano com o filme anti-islamista. Aqui nós voltamos à época da famosa crise de reféns do Irã, que aconteceu entre 1979 e 1981 e culminou com o presidente norte-americano Jimmy Carter não sendo reeleito (algo raro). Em tempos onde alguns islâmicos fundamentalistas resolvem mostrar suas garras ao fazer revolta (e provocar mortes) por conta de um trailer de um filme que ninguém nem sabia que existia, “Argo” mostra o esforço de um homem para salvar seis pessoas de uma revolta parecida ao criar um filme que nunca iria existir.

A crise de reféns no Irã começou com a Revolução Iraniana, que expulsou a monarquia de um Xá colocado via golpe apoiado pelos Estados Unidos e que torturou e matou inúmeros iranianos e colocou no poder um Aiatolá Xiita, instaurando a república islâmica que dura até hoje com o nosso “querido”  Ahmadinejad. Inúmeros fundamentalistas, militantes e estudantes invadiram uma embaixada norte-americana em protesto contra o governo inimigo, fazendo mais de 50 pessoas reféns e exigindo a troca delas pelo xá deposto que era odiado por boa parte da nação. Enquanto os Estados Unidos davam asilo ao homem que eles colocaram no poder ilegalmente, os diplomatas americanos ficaram mais de 400 dias em cativeiro, antes de serem libertados após um acordo.

“Argo” mostra a história mantida em segredo até os anos 1990 onde seis americanos, que conseguiram fugir para a embaixada canadense no Teerã, foram resgatados pela CIA através de um plano louco de um especialista que entrou no Irã como produtor de um filme de ficção-científica e voltou com os seis americanos disfarçado de equipe da produção. Para criar uma boa fuga sem furos no roteiro, a CIA contratou um produtor de Hollywood, contratou atores e figurinos, criou uma empresa e divulgou o falso “Argo” na Variety.

“Argo” é um filme simples, mas soberbamente dirigido por Bem Affleck, que desde que deu um pé na bunda da Jennifer Lopez se tornou um grande diretor emergente. De seus três filmes, todos são excelentes, apesar de eu ter achado “Argo” um pouco inferior ao seu anterior (“Atração Fatal”). Apesar do ritmo ótimo e o tema político ser tratado com competência, faltou um maior baque dramático. A cena onde os americanos conseguem sair de espaço aéreo iraniano retrata com grande força a sensação maravilhosa de alívio que eles devem ter sentido. Mas, fora isso, faltou a “Argo” um pouco mais de drama.

Ainda assim, Affleck dirige muito bem e mantém o espectador grudado na trama (apoiado por uma produção sensacional e um roteiro bem feito). A história é complicada, mas consegue mostrar os dois lados do conflito, sem nunca se dar ao ridículo de vitimizar os Estados Unidos por estarem colhendo os frutos políticos de ficar implantando ditaduras ao redor do planeta como eles tanto fizeram durante as décadas de 50 e 60.

Ao mesmo tempo ele consegue mostrar o absurdo da fúria de um povo acostumado à violência e que não entende muito bem o conceito de diplomacia ou do bom e velho “vamos tentar não matar ninguém hoje?”. O Oriente Médio ainda não teve que lutar pelos direitos humanos como o mundo Ocidental o fez durante a Segunda Guerra Mundial, portanto não parecem conseguir se controlar perante uma crise política sem atitudes violentas. “Argo” mostra a fantástica história real de um homem que fez um filme falso e viajou para a pior locação do planeta da época só para poder salvar seis pessoas.

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