Review: “O Segredo da Cabana” de Drew Goddard

Apesar de ser um gênero feito para assustar, filmes de terror às vezes nos fazem rir. Intencionalmente ou não. Uma boa combinação desses elementos criou a quadrilogia “Pânico” e “Arraste-me para o Inferno”, bons exemplos de produções que seguem a risca os moldes do horror, sem nunca perder o senso de humor em cima de todo o ridículo da história. “O Segredo da Cabana” é o mais novo exemplo desse estilo e o meu review abaixo contêm alguns spoilers leves – que considero spoilers apenas por que a sinopse do filme não os revela, apesar da primeira cena já deixar tudo bem claro.

“O Segredo da Cabana” mostra o clichê do grupo de amigos universitários que embarcam em uma viagem para uma cabana no meio do nada para curtir um final de semana e, claro, coisas erradas acontecem. Mas o filme não é simplesmente isso: a tal floresta onde fica a cabana, na verdade, é um gigantesco complexo disfarçado onde cientistas manipulam eventos que levam os quatro jovens a situações clichês do gênero de terror. Uma metáfora óbvia ao papel dos roteiristas de uma produção, nada que acontece por lá é simplesmente por acaso e tem todo um estudo por trás.

Nada é ensaiado, na verdade, tudo é bem real – para os personagens do filme, ao menos. Vou evitar aprofundar mais na mitologia, mas basicamente tudo que acontece é por uma razão e a metáfora da história não é jogada lá por puro ineditismo. Ao mesmo tempo em que isso é um aspecto positivo do filme (nada é gratuito, mostrando que o roteiro foi melhor pensado além da boa ideia), acredito que compromete um pouco a diversão. Quando tudo é revelado para as vítimas da história, “O Segredo da Cabana” se torna um absurdo de referências, algo divertido, mas o humor da metalinguagem se esvai rápido. A possibilidade de brincar com clichês e elaborar em cima do gênero some após a primeira metade do filme, o que é uma pena, pois o potencial poderia render mais.

Não estou querendo criticar a obra por não ter sido algo que eu queria. Mas sim, acho que o resultado final ficaria mais interessante se nós passássemos mais tempo acompanhando os cientistas manipulando o “jogo” de terror.

À lá “Pânico”, cada personagem segue um arquétipo.

O filme é dirigido por Drew Goddard, em sua estreia na direção, que também assina o roteiro ao lado de Joss Whedon. Os dois tem passagem pela televisão e por outras produções de terror (“Cloverfield – Monstro” para Goddard e “Alien – A Ressurreição” para Whedon). O roteiro é muito bem escrito e os diálogos são cheios de humor. A direção é… Trivial.

O elenco tem os desconhecidos Kristen Connolly, Fran Kranz e Jesse Williams, e os conhecidos Chris Hemsworth (o Thor), Richard Jenkins e Bradley Whitford. Os dois últimos no papel dos cientistas “roteiristas”, provavelmente interpretando Whedon e Goddard no final das contas.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s