Os cinquenta anos de James Bond 007 no cinema!

Com sua premiere britânica tendo acontecido em 05 de outubro de 1962, “007 contra o Satânico Dr. No” está celebrando cinquenta anos de seu lançamento. E, por consequência, toda da franquia cinematográfica James Bond, já que este foi seu filme de estreia. Não há muito que dizer sobre o cinquentenário da série mais importante do cinema ocidental: a mais duradoura, a com mais filmes, a com maior público consolidado, ou simplesmente a mais famosa mesmo. Star Wars sempre será a referência em termos de grande fenômeno cultural – capaz de criar uma cultura ao seu redor – mas James Bond também já deixou de ser apenas um evento casual nas telas do cinema. Da introdução gun barrel, ao martini batido não mexido ou a simples evocação do famoso “Bond, James Bond”, 007 hoje em dia faz parte da cultura humana. Todo mundo sabe assobiar sua música tema.

O que mais precisa ser dito? Nada. Portanto, para poupar o seu tempo, vou evitar narrar aquilo que todo mundo já sabe. E, para comemorar os cinquenta anos desta série, irei revisitar meus dez  filmes favoritos da série, uma jornada de 1962 até 2008, em ordem de lançamento.

007 contra o Satânico Dr. No (1962)

Cinquenta anos depois, “O Satânico Dr. No” não envelheceu tão bem assim. Na época considero um filme de ação, hoje em dia ele é bastante lento, onde pouca coisa acontece. Mas, colocando a crítica de lado, é sem dúvida um clássico, e uma das mais influentes obras do cinema europeu dos anos 60.

Muitos símbolos clássicos da série já nasceram aqui: as bebidas, os carteados, os carros luxuosos, as belas mulheres, os lugares exóticos e os vilões absurdos com planos megalomaníacos. “Dr. No” é inspirado nas grandes aventuras seriais do cinema dos anos 1930, assim como Indiana Jones e os recentes filmes da Marvel. Despropositado, relaxado, apenas interessado em entreter o público, a aventura inspirou inúmeras outras produções nos anos seguintes. Além, claro, de ter dado o pontapé inicial da franquia mais longeva de todos os tempos.

Sean Connery está marcante em sua estreia (ele já convence no primeiro “Bond, James Bond”); apesar de o filme ficar preso praticamente na Jamaica, seu ar exótico e estranho deixa a produção com um clima muito agradável; e, claro, a Honey Ryder de Ursula Andress saindo da praia, nesta que é uma das cenas mais marcantes do cinema pop dos anos 60. “Dr. No” não é livre de defeitos. Mas tem méritos o suficiente para merecer a cunha de clássico!

Moscou contra 007 (1963)

Seguindo “O Satânico Dr. No”, o próximo 007 apostou em uma receita muito mais elaborada para convencer que era a grande novidade do cinema. “Moscou contra 007” é um verdadeiro filme de espionagem, com clássicas intrigas envolvendo Reino Unido e União Soviética no auge da Guerra Fria, um querendo algo do outro, um jogando um agente como isca para o outro; e nenhum dos lados sabendo que, na verdade, tudo não passava de um plano do grupo terrorista SPECTRE.

Até hoje os testes para o papel de James Bond reproduzem esta famosa cena.

“Moscou contra 007” é um dos melhores filmes de espionagem da época, e também um dos poucos de James Bond que segue fielmente essa temática (eles geralmente andam mais para o lado da aventura). A história é incrivelmente fiel ao livro original de Ian Fleming – uma obra sensacional, inclusive – mas sem perder o apelo de grandes cenas de ação e o mistério da exótica Istambul. A cidade da Turquia iria servir de palco inúmeras vezes na série. Outro elemento introduzido aqui é a aparição do grande vilão Blofeld, em sua clássica presença escondida, mostrando-lhe apenas as mãos acariciando um gato persa.

Um filme marcante para a série e também um dos poucos que se sustenta como um sensacional clássico do cinema, independente de fazer parte da franquia James Bond.

007 contra Goldfinger (1964)

O maior clássico da série, aquele que é mais lembrado e associado. Se você só puder ver apenas um filme de James Bond, assista a esse! Não é o melhor e, francamente, exageram um pouco no seu louvor. Mas é ótimo, é divertido e explica muito o sucesso da série. “Goldfinger”  foi o lançamento que catapultou o agente 007 ao estrelato, transformando Sean Connery e todos ao seu redor e grandes celebridades dos anos 1960.

O filme fez mais bilheteria do que “Os Reis do Iê Iê Iê”, clássico pseudocumentário dos Beatles lançado no auge da beatlemania. Já diz o suficiente sobre seu impacto cultural.

Muito do que veio a se tornar obrigatório na série aparecia aqui pela primeira vez: a abertura musical (espetacular, inclusive!) ao som de uma pomposa música cantada aos berros; o Aston Martin DB5 e seus acessórios absurdos; a Bond Girl de nome absurdo, Pussy Galore; em seu terceiro filme, James Bond já se firmava como astro da ação e, aqui, a história extrapolou de vez para o absurdo gratuito em prol de manter a narrativa o mais excitante possível.

O filme também tem muitos elementos inesquecíveis, símbolos audiovisuais da cultura da época: a moça pintada de ouro na cama de hotel (um quadro que eternizou o diretor Guy Hamilton); a deliciosamente absurda cena onde 007 é ameaçado por um armadilha a laser (“você espera que eu fale, Goldfinger?”, “não, Sr. Bond, eu espero que você morra!” – uma troca perfeita!); o ousado clímax no Forte Knox, que inicia com uma brilhante montagem musical ao som da barulhenta orquestra de John Barry. “Goldfinger” não é o melhor filme da série. Mas basta assisti-lo uma única vez para entender todo o fervor que se criou em torno dele!

Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967)

“Só Se Vive Duas Vezes” pode ser considerado como a primeira vez onde James Bond fez paródia de si mesmo. Ok, “A Chantagem Atômica” também tem seus absurdos que o levam muito para o lado cômico, mas nada no nível de seu sucessor. E está exatamente aí a força deste filme: um 007 mostrando que não tem medo de rir de si mesmo!

Este é uma das histórias mais marcantes da série e, para os fãs de Austin Powers, a razão de muitas associações. O principal está lá: o esquisito Blofeld (perfeitamente parodiado por Mike Meyers como Dr. Evil) e o seu covil absurdo dentro de um vulcão adormecido (um cenário impressionante criado pelo designer Ken Adam). São tantas situações marcantes e absurdas que dão ao ar de “Só Se Vive Duas Vezes” um charme próprio. Assim como iria acontecer muitas vezes na Era Roger Moore, para o bem ou para o mal, é bom saber que James Bond não se leva tão a sério. Faz parte da longevidade da franquia não menosprezar seu público.

“One billion dollars!!!”

007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)

Poucos dão atenção para este filme, por ser o único estrelado pelo ator George Lazenby como James Bond, que pediu demissão por achar que os produtores iriam demiti-lo do papel (ele estava enganado). “A Serviço Secreto de Sua Majestade” entra no grupo de filmes como “Moscou contra 007” e “Cassino Royale” que são clássicos do cinema, independente de sua conexão com a franquia. O filme é, simplesmente, muito bem feito!

Lazenby tinha que convencer as pessoas que não era Sean Connery e não conseguiu. Seu James Bond fica muito preso ao ator que tornou o personagem famoso, por isso parece que ele fica meio perdido na produção… Mas os problemas param por aí. A história é excelente, muito bem amarrada, com ótimas cenas de ação e a melhor interpretação do vilão Blofeld. Sem contar a soberba Diana Rigg dando vida a Tracy Di Vicenzo, a única Bond Girl que conseguiu se casar com o agente 007. Ao lado de Vesper Lynd, Tracy é a única personagem feminina que mexe com o herói durão, criando boas cenas de romance e drama de forma que você jamais iria esperar em um filme desses.

James Bond durante 1969, yeah baby!

A cena em que James Bond se declara para Tracy é um primor, do trabalho da fotografia, diálogo e atuação. Quando o filme chega ao seu trágico final, e George Lazenby despede-se do papel dizendo “nós temos todo o tempo do mundo” para sua falecida esposa, fica a certeza de termos assistido a uma excepcional produção.

007 – O Espião Que me Amava (1977)

Roger Moore será eternamente lembrado como o James Bond palhaço. E não por causa da cena em que ele, de fato, se veste de palhaço em “007 contra Octopussy”, mas sim por que suas produções sempre levavam um ar leve de aventura misturado com comédia. À exceção de “Somente Para Seus Olhos” (seu filme mais sombrio), Moore sempre encarnou um agente secreto com noção do ridículo, que dialogava com a câmera e o público. “O Espião Que Me Amava” é o filme mais lembrado de sua safra.

Além da introdução do famoso vilão Jaws – que iria voltar na ridícula sequência, “007 contra o Foguete da Morte” – temos também a famosa Barbara Bach (mulher do beatle Ringo Starr) como a Bond Girl que também é agente secreta soviética XXX. James Bond matou o ex-namorado dela e agora os dois estão trabalhando juntos por um inimigo em comum. O filme tem ótimas cenas de ação, como a perseguição que envolve carros, motos e helicópteros (tudo junto!) e termina com o Lotus Esprit de 007 mergulhando no mar e se tornando um submarino. Outro bom momento da aventura é a sequência dentro de um cargueiro que sequestra submarinos, mostrando um gigantesco cenário daqueles que só mesmo os filmes de James Bond tinham coragem de criar.

Um festival do absurdo, feito com muito humor e sinceridade, sem nunca menosprezar seu público.

007 – Permissão para Matar (1989)

Pobre Timothy Dalton. Ator com grande potencial, que tentou coisas novas para o papel de James Bond (que, no futuro, Daniel Craig também experimentaria), mais focado na violência e praticidade do personagem elaborado por Ian Fleming. Mas com apenas dois filmes, ficou difícil para ele mostrar a que veio. Seu lançamento em “Marcado para a Morte” foi muito bem recebido, ao voltar ao estilo tradicional de espionagem dos primeiros filmes. Mas sinceramente? Eu não suporto a Bond Girl vivida por Maryam d’Abo e o ato final é muito anticlimático. Indo contra a maré, prefiro muito mais “Permissão para Matar”!

Sim, esse da esquerda é o Benício Del Toro.

O filme tem duas Bond Girls bonitas e diferentes entre si, além de um excelente vilão vivido por Robert Davi (muito famoso com um dos ladrões de “Os Goonies”). Além disso, “Permissão para Matar” permite a Dalton explorar o lado mais sombrio do herói, com uma história de vingança e cenas bastante violentas. Também adoro a participação do adorável Q nos momentos finais da aventura (a cena em que ele finge ser tio de 007 para suas duas amantes é ótima!) e aquele espetacular clímax, uma perseguição no deserto com vários caminhões, é insuperável. Um dos filmes mais subvalorizados na série.

007 contra GoldenEye (1995)

“GoldenEye” é muito mais lembrado pelo videogame do que pelo filme. Sim, talvez este seja o derradeiro caso onde uma adaptação videogamística seja mais importante que a obra original, mas não vamos confundir as coisas: o filme “GoldenEye” também é excelente!

Pela primeira vez, o vilão é um antigo parceiro de 007, colocando este novo James Bond vivido por Pierce Brosnan em uma trama uma pouco mais pessoal.  E por falar em “pessoalidade”, o que dizer da inesquecível e louca Bond Girl vivida por Famke Janssen, a malvada Xenia Onatopp? “(On a top? Onatopp!”) A moça rouba todas as atenções na história, asfixiando homens com suas coxas e delirando de prazer com a possibilidade de um trem descarrilar. A cena de perseguição de tanque em plena São Petersburgo também merece destaque, espetacular.

Outro destaque deve ir para a introdução de Judi Dench como uma inesquecível M feminina – quebrando a tradição da figura paternal da série – e trocando bons diálogos iniciais com o agente secreto. O filme não tem medo de lembrar que, sim, James Bond é uma relíquia da Guerra Fria, que nos anos 90 já havia se tornado história passada. A própria abertura musical brinca com isso. É, o mundo onde James Bond se tornou herói não existia mais. Só que “GoldenEye” provou que, no cinema, 007 sempre será necessário.

007 – O Mundo Não é o Bastante (1999)

É aqui que eu me comprometo? “O Mundo Não é o Bastante” raramente é incluído na lista de melhores filmes da série, pois geralmente tem mais chances de ser listado como um dos piores mesmo. Eu tenho uma razão muito sincera para cultuá-lo: foi o primeiro James Bond que assisti nos cinemas! E como dizem por aí, o primeiro James Bond a gente nunca esquece.

E o filme tem seus méritos que eu defendo sem medo: a introdução que culmina com uma perseguição absurda no Rio Tâmisa é uma das melhores da série; a música tema cantada pelo Garbage também é uma das melhores – que somando transforma os primeiros 15 minutos como os melhores do filme; a ótima Elektra King é a primeira Bond Girl vilã da série e a sua história cria ótimos ganchos; e eis a primeira vez onde a incrível Judi Dench tem algo para fazer com a sua M.

Claro, a Dra. Christmas Jones de Denise Richards é ridícula e o vilão Renard é subaproveitado, assim com o fato do filme ter uma história muito confusa que não dá atenção nenhuma ao próprio James Bond. Defeitos “O Mundo Não é o Bastante” tem muitos. Mas, pessoalmente, eu adoro as suas qualidades. E a cena de despedida de Desmond Llewelyn como o Q é muito tocante! O velhinho deixou saudades…

007 – Cassino Royale (2006)

Ninguém dava nada para Daniel Craig como o primeiro James Bond loiro da história. Mas como as pessoas se surpreenderam! Não só Craig criou um 007 muito mais audaz e surpreendente do que seu antecessor, o filme é um dos melhores da série. De longe! Muita gente inclusive o coloca como o melhor e eu tenho tendência a concordar com esta maioria. A melhor qualidade de “Cassino Royale” é o fato de ele simplesmente não fazer nada de errado. Nada. Nadica!

Sim, “Cassino Royale” é o derradeiro filme perfeito da série James Bond.

A introdução em preto e branco foi uma rasteira de criatividade dos produtores no público; e a abertura musical que mistura a famosa gun barrel na animação também. Daí seguimos para a incrível cena de perseguição que transformou Parkour em obrigação pop nos filmes de ação. Um começo inesquecível! Em diante a história mantém um ritmo excelente e, quando finalmente chegamos ao Cassino Royale, voltamos ao Ian Fleming original, em uma adaptação fiel a sua incrível história de espionagem escrita em 1953. A excelente Eva Green arrasa na marcante Vesper Lynd, trocando incríveis diálogos com o abusado James Bond de Craig. E quando o filme chega ao seu dramático clímax e ele tem a derradeira oportunidade de dizer “o nome é Bond, James Bond”, o público já está convencido: que venha o próximo!

E que venham muitos outros mais! Um brinde aos próximos cinquenta anos do agente secreto 007!

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