A história de James Bond 007 nos videogames

Criado na literatura, popularizado no cinema, James Bond também tem seus momentos de brilho no universo dos videogames. Alguns de seus filmes antigos receberam adaptações para computadores durante os anos 1980, mas convenhamos que tudo só começou mesmo em 1997, com o sucesso arrebatador de “GoldenEye 007” no Nintendo 64. Este artigo é uma jornada pela história dos jogos do agente secreto desde então e sobre todas as mudanças que a série passou em 15 anos de história.

“GoldenEye 007” é um dos marcos na história dos videogames. Não só mostrou para o mundo que existia possibilidade de um bom FPS nos consoles assim como nos PCs, como também estreou um estilo próprio de jogabilidade, muito mais focado em um ritmo lento e não linear do que o tradicional mata-mata dos clássicos “Doom” ou “Duke Nukem 3D”. Além de introduzir o conceito de objetivos em cada missão – para mudar a regra do “ache a chave para abrir a próxima porta” -, o clássico da Rare produzido pela Nintendo foi o grande popularizador das partidas multiplayer deathmatch para consoles. Sem GoldenEye não existiria Halo ou Call of Duty.

Infelizmente este foi o único jogo do agente secreto feito pela produtiva parceria Rare/Nintendo. Um sucessor espiritual, “Perfect Dark”, foi lançado em 2000 com grande sucesso. Mas a partir de 1999 a marca James Bond ficou nas mãos da Electronic Arts. Seu primeiro jogo foi inspirado no filme seguinte de 007 com “007: Tomorrow Never Dies”, que fugiu completamente no estilo de seu antecessor ao apresentar uma aventura na terceira dimensão.

“Tomorrow Never Dies” seguia fielmente a história do filme “007 – O Amanhã Nunca Morre” e apresentava boa variedade de missões, com fases de carro e esqui, e deixava você controlar a Bond Girl Wai Lin também. Mas era um jogo medíocre, que não tinha o brilhante level design de “GoldenEye” e acabou caindo no esquecimento. Pior ainda se saiu “007 Racing”, também exclusivo para PlayStation e que tinha apenas fases de corrida. O jogo era simplesmente horrível!

Em 2000 a empresa apresentou outro jogo inspirado no mais recente filme James Bond em “007: The World is Not Enough”. O jogo recebeu duas versões diferentes: uma feita pela Black Ops e lançado para PlayStation, um medíocre FPS sem criatividade alguma; e a outra feita pela Eurocom para o Nintendo 64, seguindo mais os moldes estabelecidos pelo clássico do sistema. O “The World is Not Enough” do Nintendo 64 tinha boas fases com objetivos que variavam de acordo com a dificuldade e um level design muito bem pensado. O multiplayer do jogo, apesar de não ser tão acessível e ágil quanto o de “GoldenEye”, era muito divertido e contava com vários personagens da história da série cinematográfica.

Em 2001 foi lançado para PlayStation 2 (e no ano seguinte para GameCube e Xbox) o primeiro jogo da nova geração de consoles: “James Bond 007: Agent Under Fire”. Este novo projeto continuava com o estilo FPS que popularizou a série, mas apresentava fases de corrida como em “Tomorrow Never Dies”, só que dessa vez eram mais divertidas de jogar. O jogo em si era razoável, com um multiplayer desinteressante. Mas estreou um sistema interessante para a série: os chamados Bond Moments, ações específicas em cada fase que lhe davam mais pontos.

Em 2002, coincidindo com o aniversário de 40 anos dos filmes James Bond, foi lançado “007: NightFire” para os três consoles principais, desenvolvidos pela mesma Eurocom de “The World is Not Enough” do Nintendo 64. O jogo era um ótimo avanço em relação ao seu antecessor, com boas fases, objetivos criativos, o retorno dos Bond moments e mais fases de corrida. Também contava com um multiplayer muito divertido, que continha personagens e cenários clássicos dos filmes, que você liberava conforme conquistava medalhas nas fases singleplayer.

O jogo tinha uma fase bem diferente onde você controlava um carro/submarino.

No início de 2004 a Electronic Arts resolveu sair do lugar comum e estrear uma jogo completamente diferente dos anteriores e muito mais ambicioso em “James Bond 007: Everything or Nothing”. O jogo voltava ao esquema de “Tomorrow Never Dies” com a perspectiva na terceira pessoa, só que era muito mais elaborado, com fases bem feitas e uma enorme variedade de missões – algumas focadas no stealth, outras no tiroteio ou investigação, sequências onde o jogador controlava um Aston Martin ou um helicóptero e até uma empolgante perseguição de moto. Seguindo o esquema dos filmes (cheios de cenários e variedade), “Everything or Nothing” foi um grande sucesso entre os fãs ao apostar em uma fórmula muito mais variada e bem feita.

Outro acerto do jogo foi em conseguir um elenco de estrelas que deu à produção uma ar de blockbuster de cinema! O próprio Pierce Brosnan, então ator oficial do 007, emprestou suas feições e voz para a aventura. De uma certa forma, esta foi a última vez que Brosnan interpretou James Bond! Além dele também tínhamos Judi Dench como M (um papel que ela voltaria a dublar em todo jogo lançado depois), John Cleese como Q, Williem Dafoe como o exótico vilão Nikolai Diavolo e as Bond Girls da vez eram interpretadas por Heidi Klum e Shannon Elizabeth. E o famoso vilão Jaws, dos filmes com Roger Moore, também voltava, para alegria dos fãs! Ah, e a cantora Mya cantou a música tema da abertura. Ou seja, praticamente um novo filme de James Bond mesmo, disfarçado de videogame.

Uma aventura onde James Bond faz de tudo um pouco!

Uma pena que no mesmo ano a EA tenha dado um grande passo para trás como o próximo jogo usando a marca 007, que na verdade não teria James Bond como o protagonista. No final de 2004 a empresa resolveu aproveitar a fama do clássico “GoldenEye” e lançar “GoldenEye: Rogue Agent”, um FPS inspirado na jogabilidade de “Halo” onde você interpretava um agente malvado da MI6 que tinha um olho dourado! Ai ai… O jogo também trazia de volta vários vilões famosos da série cinematográfica: Dr. No, Goldfinger, Pussy Galore, Xenia Onatopp e Francisco Scaramanga, dublado pelo próprio Christopher Lee que o interpretou em “007 contra o Homem da Pistola de Ouro” de 1974. Apesar do charme desta reunião de personagens, a história era um mistureba sem sentido e o jogo era muito ruim, com fases repetitivas e chatas. O único ponto positivo: Ken Adam, diretor de arte dos filmes antigos de James Bond, deu pitaco na identidade visual dos cenários do jogo.

No ano seguinte a Electronic Arts veio a publicar seu último jogo com a marca 007 e voltou a fórmula que convenceu em “Everything or Nothing” e lançou “From Russia With Love”. Este seu último projeto não teve o mesmo apuramento e esforço, mas ainda assim é muito bom. É um remake do clássico “Moscou contra 007” de 1963, criando novas cenas dentro da mesma história, se passando inclusive nos mesmos anos 60 que o filme – sendo assim o único “Bond retro” até então. O jogo também conseguiu a façanha de ser dublado por ninguém mais que o próprio Sean Connery, voltando ao papel que o transformou em lenda mais de 20 anos depois de “007 – Nunca Mais Outra Vez”. Por este motivo apenas já é o suficiente para destacá-lo para fãs.

Não, isso não tinha no filme original, mas quem se importa?

A partir daí a marca 007 mudou de produtora e foi para a Activision, cujo primeiro jogo sob sua tutela foi “Quantum of Solace” de 2008, lançado junto com o filme “007 – Quantum of Solace” e que continha cenas deste filme assim como “007 – Cassino Royale”. Voltando ao esquema FPS tradicional de “GoldenEye”, o jogo foi um grande sucesso de vendas como o primeiro Bond da nova geração, sendo lançado para PlayStation 3, Xbox 360, PC e Wii. Desenvolvido pela Treyarch, que usou sua expertise na franquia Call of Duty para fazer um bom jogo de ação com um divertido multiplayer online, “Quantum of Solace” também contava com a dublagem do elenco principal dos dois filmes. Uma versão para PlayStation 2 (produzida pela Eurocom) também foi lançada, mas era um jogo completamente diferente.

Em 2010 a Activision lançou duas produções voltadas para públicos diferentes. Uma foi “James Bond 007: Blood Stone”, para PC, PlayStation 3 e Xbox 360. O jogo seguia os moldes de “Everything or Nothing”, foi desenvolvido pela Bizarre Creations e, apesar de ser divertido e bem produzido (tinha Joss Stone no elenco e cantando o tema de abertura, muito bom por sinal), o lançamento foi um grande fracasso de vendas que acabou provocando o fechamento da desenvolvedora. Melhor se saiu “GoldenEye 007”, remake do clássico que iniciou esta linhagem de jogos, lançado então exclusivamente para o Wii. Era novamente um FPS típico, com fases bem feitas, várias maneiras de se completar os objetivos e um bom modo multiplayer online e offline. A produção ficou a cargo da Eurocom, que soube usar todo o seu currículo jamesbondiano para fazer este que é o melhor jogo de 007 desde, quem diria, o primeiro “GoldenEye” mesmo! Mesmo não estando no mesmo nível em termos de inovação, foi um grande sucesso e acabou saindo para o PlayStation 3 e Xbox 360 no ano seguinte, sob o rótulo de “GoldenEye 007: Reloaded”.

Como nos velhos tempos!

Agora em 2012 a Activision irá lançar “007 Legends” que irá celebrar os 50 anos de filmes de James Bond misturando grandes clássicos desta história. O jogo ficou a cargo novamente da Eurocom e será lançado para PlayStation 3, Xbox 360 e Wii U.

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3 respostas para A história de James Bond 007 nos videogames

  1. f@f.com disse:

    CURTI !!!! SOU FAN DE 007, DESDE O GOLDENEYE N64 QUE TENHO ATÉ HOJE, TENHO TODOS OS JOGOS DE 007, QUEM QUERER CONFERIR AINDA TEM UMA GALERA FAN DO CLÁSSICO JOGO GOLDENEYE DO N64 NESTE SITE :

    http://www.goldeneyevault.com

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  2. FELIPE disse:

    Título Ano Desenvolvedor Plataformas
    James Bond 007 1983 Parker Brothers Atari, ColecoVision, Commodore 64
    A View to a Kill 1985 Mindscrape DOS, Macintosh & Apple II
    A View to a Kill 1985 Domark ZX Spectrum, Amstrad CPC, Commodore 64, Oric 1, Oric Atmos, & MSX
    Goldfinger 1986 Mindscape PC, Macintosh & Apple II
    The Living Daylights 1986 Domark Commodore 64, Amiga, Amstrad CPC and the BBC Micro
    Live and Let Die 1988 Mindscape Amiga, Atari ST, Commodore 64, ZX Spectrum
    James Bond 007 1983 Parker Brothers Atari, ColecoVision, Commodore 64
    007: Licence to Kill 1989 Domark DOS, Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, BBC Micro, Commodore 64, MSX, ZX Spectrum
    The Spy Who Loved Me 1990 Domark Amiga, Atari ST, Amstrad CPC, Commodore 64, DOS, Sega Master System, ZX Spectrum
    The Stealth Affair 1990 Interplay Amiga, Atari ST, MS-DOS
    James Bond Jr. 1992 THQ Nes, Super Nintendo
    The Duel 1993 Domark Mega Drive, Sega Master System
    GoldenEye 1997 Rare Nintendo 64
    James Bond 007 1997 Saffire Game Boy
    Tomorrow Never Dies 1999 Electronic Arts PlayStation
    The World Is Not Enough 2000 Electronic Arts Nintendo 64, PlayStation
    007 Racing 2000 Electronic Arts PlayStation
    007: Agent Under Fire 2001 Electronic Arts GameCube, PlayStation 2, Xbox
    007: Nightfire 2002 Electronic Arts GameCube, PlayStation 2, Xbox, Game Boy Advance, PC
    James Bond 007: Everything or Nothing 2004 Electronic Arts GameCube, PlayStation 2, Xbox, Game Boy Advance
    GoldenEye: Rogue Agent 2004 Electronic Arts GameCube, PlayStation 2, Xbox, Nintendo DS
    James Bond 007: From Russia with Love 2005 Electronic Arts GameCube, PlayStation 2, Xbox, PSP
    Quantum of Solace 2008 Activision Windows, PS2, PS3, Nintendo DS, Wii & Xbox 360
    007: Blood Stone 2010 Activision Windows, PS3, Nintendo DS Xbox 360
    GoldenEye 2010 Activision Wii, Nintendo DS
    007 Legends 2012 Activision PC, PS3, Xbox 360 & Wii U

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    • Como eu disse no início do post, minha intenção foi de apenas lembrar dos jogos pós-GoldenEye de 1997. Os títulos anteriores, a maioria jogos limitados para PC, não tinha nenhum digno de nota e foram esquecidos mesmos.

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