Review: “Na Terra de Amor e Ódio” de Angelina Jolie

A Guerra da Bósnia foi um dos maiores conflitos armados da história moderna e também um dos mais confusos. Marcou bastante os anos 1990, sempre mencionado nos noticiários com os ataques de todos os lados, mas haja estudo para entender o que aconteceu! Vários fatores políticos e religiosos colocaram diversos grupos militares em guerra que acabou dividindo os territórios da Bósnia, sem necessariamente acabar com o conflito mesmo hoje, pois o ódio continua.

“Na Terra de Amor e Ódio” (tradução pouco poética para “In the Land of Blood and Honey”) conta a história de uma bósnia e um servo que se encontram antes da guerra e durante, quando ela é capturada no território em que ele está chefiando. Ela é uma pintora tentando voltar para a irmã, ele um soldado que não concorda com o conflito nem faz questão de chefiar nada, mas está seguindo ordens do pai.

O filme pouco desenvolve além da sinopse. Ela é capturada, ele a protege; ele vai para Sarajevo, ela tenta fugir; eles se reencontram e conversam sobre o conflito. Por se tratar de uma guerra onde não há um claro lado errado, os dois se entendem ao mesmo tempo em que discordam, mas a verdade é que o roteiro não faz muito além disso. O casal se ama, mas discorda de questões políticas e é isso. Quando estão separados, ele não é um bom soldado (evita matar os inimigos) e ela fica o tempo inteiro sendo estuprada pelos colegas do amante. Ou vendo suas amigas serem estupradas. Ou servindo de escudo humano em tiroteio.

O principal problema do filme é que, não só o conflito dos dois pouco avança em termos de questões políticas (verdade seja dita, algo apropriado para a guerra em si) como é absurdamente triste, depressivo. Haja espírito para assistir a uma história onde ocorrem pelo menos uns cinco estupros na câmera. Ou outras situações mais violentas, por incrível que pareça! É um filme realista, mostra com trágica força a realidade de uma guerra, principalmente por se tratar da Guerra da Bósnia que foi aquela que tornou decisivo em transformar o estupro em crime contra a humanidade. Ainda assim, acaba sendo um filme de relato, quase documental, que não consegue questionar nenhum tema.

O filme é dirigido e roteirizado por Angelina Jolie, famosa como atriz de cinema, símbolo de beleza, mulher do Brad Pitt, mãe de trocentos filhos e Embaixadora das Nações Unidas. Não obstante em ser praticamente tudo, ela inventou de ser diretora e roteirista! Como diretora, ela se sai bem, tem bom ritmo e controle de cena. Produz alguns quadros interessantes, embora outros estranhos por uma fotografia um tanto forçada. Como roteirista, se sai pior, pois não consegue avançar nos delicados temas da história. Conhecemos Jolie por seu trabalho como Embaixadora da Boa-Vontade pelos Desabrigados, portanto esta história ganha tons fortemente realistas em contar as mazelas de uma guerra. Mas como desenvolvimento de personagens, ela não faz nada.

Um filme difícil de recomendar, pelo seu tema muito depressivo e uma história pouco envolvente. Mas como primeiro projeto da diretora Angelina Jolie, ela mostrou ousadia e capacidade.

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