Review: “Contágio” de Steven Soderbergh

Sabe-se lá o que é pior: um contágio de um vírus mortal ou da cultura do medo. Hoje em dia, qualquer um pode publicar na internet uma tese errada, sem estudo ou base alguma. Ei, estou eu aqui escrevendo uma simples resenha de um filme, mas eu poderia estar usando esse mesmo espaço para dizer algo violento e perigoso. Assim como um vírus pode se espalhar ao acaso de um simples porquinho que come uma banana errada, o mesmo acontece com uma boa mentira. “Contágio” é um filme sobre a facilidade com que esses dois perigos se espalham.

Muitos devem lembrar de “Epidemia”, produção do início dos anos 90 lançada no auge da epidemia do Ebola na África, e “Contágio” foi lançado em uma situação semelhante com a pandemia do H1N1, a gripe suína que matou quase 20.000 no mundo inteiro e fez muita gente andar de máscara cirúrgica por aí. Diferente do Ebola (uma doença muito mais perigosa, mas que matou menos e continua localizada apenas no continente africano), o H1N1 se espalhou em tempos da comunicação global. Sempre surge uma gripe nova que periga se transformar em epidêmica, originária de alguma ave ou mamífero qualquer, e que acaba matando anualmente centenas de milhares de pessoas em todo o planeta. Mas o H1N1 acabou virando notícia e deu no que deu, se tornou especial.

Aqui em “Contágio” o protagonista é o vírus fictício MEV-1, que começa em uma americana que entra em contato com chineses e europeus em um cassino de Macau e logo o diabo está no planeta inteiro e em questão de meses causa a morte de 25 milhões de pessoas. Um número absurdamente alto para uma pandemia, por isso o filme aposta em um cenário quase apocalíptico. Basta pensar no que o H1N1 causou no cotidiano das pessoas (quem na época não sentia aquele calafrio quando alguém tossia ao seu lado no ônibus?) e realmente uma situação como a mostrada nessa história me parece bastante real.

Os humanos do roteiro não estão interligados, ou apenas levemente. Servem apenas de hospedeiro para o vírus ou para o medo, enquanto acompanhamos a verdadeira estrela da vez (o contágio) atingir cada um deles. Isso aqui é uma narrativa, quase documental, da velocidade com que algo pode se espalhar entre as pessoas, seja por uma tosse na rua ou no encostar de um copo, ou via Twitter ou Facebook!

Não julgue esse personagem: você usou máscara por algo muito menor!

O filme é dirigido por Steven Soderbergh, que gosta de dirigir de tudo um pouco: histórias envolvendo drogas, prostituição ou golpes em cassinos de Las Vegas. É um diretor talentoso, com boa habilidade narrativa. “Contágio” tem ritmo e uma edição excelente, pois não foca em nenhum ser humano e ainda assim consegue manter sua atenção, sempre focado na ciência e deixando o melodrama de lado. O elenco, não só estrelado como também fortemente oscarizado, conta com Gwyneth Paltrow (que não dura nem três minutos!), Matt Damon, Laurence Fishburne, Kate Winslet, Jude Law e Marion Cotillard.

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