Review: “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo” de Lorene Scafaria

Como o fim do mundo voltou ao consciente popular (por conta dos malditos calendários maias), falar sobre o apocalipse se tornou lugar comum esses dias. Não que a humanidade ou o cinema já não tenham feito seus inúmeros ensaios previamente. Mas, pós-11 de Setembro, estamos um pouco mais cínicos. É como se realmente acreditássemos, ou temêssemos, que a partir do dia 21/12/2012 não haverá mais nada. E se for isso mesmo? “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo” é uma dramédia romântica sobre o amor em fim dos tempos.

Imagine “Armageddon” sem o final feliz, é assim que começa nossa história. Um meteoro vai se chocar com a Terra e a única esperança de salvar o planeta não deu certo. Portanto temos apenas três semanas sobrando. Dodge é um homem casado, só que sua mulher foge dele às vésperas do apocalipse, deixando ele mais sozinho do que já é. Os amigos tentam ajudá-lo a curtir de tudo que tenha para curtir – é o final dos tempos, vale tudo! – só que o acaso o leva a conhecer uma vizinha, Penny, que lhe entrega uma carta da antiga paixão de Dodge que estava com ela e os dois resolvem viajar pelos Estados Unidos atrás do amor que ele perdeu no passado.

O filme funciona, mas é inegável que tem problemas. A começo de tudo é uma dramédia, gênero muito difícil. Já não é fácil fazer drama nem comédia, misturar e equilibrar então fica pior ainda! “Procura-se um Amigo” não é uma boa comédia – é engraçadinho, mas não faz rir – e é um drama razoável. Brinca com as possibilidades do que aconteceria às vésperas do fim do mundo, cria situações interessantes, mas não leva nada a sério. Quando resolve levar (como na bela cena em que Penny conversa com os pais que estão na Inglaterra) funciona melhor.

Não obstante em ser dramédia, o roteiro resolveu ser dramédia romântica – inventei ou isso existe mesmo?! Imagine uma comédia romântica, só que adicione os dramas do apocalipse. O romance do casal funciona e é fofinho. O fim do mundo é um bom argumento para aquela velha história do “que seja eterno enquanto dure” e nesse momento o filme funciona. Dodge não é um personagem nem remotamente interessante, mas Penny e seu ar doidinho equilibra o casal, que se complementa muito bem. “Os opostos se atraem” não é nenhuma receita, mas às vezes funciona.

Lorene Scafaria assina o roteiro e a direção. Sua estreia como diretora é funcional, mas sem destaque. Ela também foi a responsável pelo roteiro de “Uma Noite de Amor e Música”, que divide alguns temas em comum com “Procura-se um Amigo”. Este filme não funciona completamente por que é desnivelado, mas tem boa intenção e boas cenas. Convence o suficiente para valer uma investida, só não espere nada de demais em cima desse conceito que com certeza poderia render algo mais profundo e emocionante.

Nosso casal é protagonizado por Steve Carell sério demais e Keira Knightley sem roupas de época (um milagre!). Carell é melhor comediante do que ator dramático, mas dá conta do recado. O problema é que Dodge não é um personagem interessante. Já Knightley recebe algo muito melhor para trabalhar e realiza o serviço com a qualidade de sempre. E também temos o lendário Martin Sheen fazendo uma importante participação ao final.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s