Review: “007 – Operação Skyfall” de Sam Mendes

Completando cinquenta anos de cinema, James Bond volta às telas pela vigésima terceira vez no seu filme mais ousado. Já nos anos sessenta a fórmula virou aquele padrão, receita de bolo, que foi repetida ad infinitum em suas aventuras até o fim da Era Brosnan. Com “007 – Cassino Royale” os produtores aproveitaram a onda dos reboots e livraram James Bond da maioria dos seus conceitos básicos, o que deu à estreia de Daniel Craig um ar muito mais novo. Agora em “007 – Operação Skyfall” ainda mais novidades surgem, ao mesmo tempo em que muitas homenagens ao que fez sucesso no passado vêm à tona. É o aniversário dele, afinal de contas!

Em missão na Turquia, James Bond está atrás de um HD roubado com informações sobre todos os agentes secretos da MI6. As coisas não dão exatamente muito certo e o tal novo proprietário do HD quer usar essas informações para chantagear M, a chefe de 007, por conta de algum erro do passado dela. É um enredo incrivelmente simples para o padrão da série, que já envolveu tramoias de Guerra Fria e satélites de raio laser que podem destruir o mundo! Agora é apenas um vilão querendo matar a chefe de James Bond e ele tentando defendê-la.

Por aí o filme já mostra que é diferente. Os ambiciosos planos dos vilões excêntricos sempre foram divertidos. Mas aqui a tentativa é outra. Já nos acostumamos com o relacionamento maternal entre 007 e M nos filmes recentes, portanto acabamos nos importando mais do que de costume. A M realmente fica a perigo de morte em algumas cenas, portanto essa tensão é novidade. Outro elemento interessante é o clímax, que sempre foi de alguma forma uma grande cena no covil secreto do vilão – em um vulcão ou em um deserto. O inimigo da vez tem seu covil (uma ilha abandonada com cara de limbo de “A Origem”), mas isso sai de cena logo no início. No final temos James Bond se defendendo, em algo que poderia ser considerado o seu próprio covil secreto, dos ataques do terrorista. É, inclusive, um dos melhores confrontos finais da série até hoje, muito tenso e divertido. Todo o roteiro é um jogo de xadrez que leva a isso, o que é bastante simples e recompensador.

Não é nem o vilão nem o Javier Barden que você está acostumado.

A essa hora o mundo já está acostumado com Daniel Craig, o novo 007 que convenceu no momento que saiu correndo por um obra em Madagascar atravessando paredes! Seu agente secreto brucutu continua assim, um pouco mais suave e com bom humor do que das duas últimas empreitadas. Se você ainda não havia se convencido com Craig, talvez esse filme lhe ajude. Se nem isso der certo, vai ler um dos livros de Ian Fleming e estuda um pouquinho o papel, tá beleza? O vilão da vez é interpretado por Javier Bardem, que inclusive ganhou seu Oscar interpretando um malvado recentemente (“Onde os Fracos Não Tem Vez”). Seu personagem aqui é o excêntrico típico, só falta o gato persa. Uma espécie de Coringa da série Bond, completamente focado em seu objetivo, doa a quem doer. Não tem um plano, não quer dinheiro e nem tem propósito político. Apenas quer matar M e fará de tudo para isso. O ator diverte-se do papel, cheio de trejeitos, caras e bocas. Tem uma excelente cena de diálogo com James Bond, trocando insinuações que nunca foram trocadas por 007 e seus vilões. É uma ótima cena!

Judi Dench volta como M em papel que ela recebeu nos anos 90. Desde a Era Craig ela já havia crescido, saindo de chefa teimosa para figura maternal. Aqui ela tem sua derradeira chance de brilhar e, bem, é a Judi Dench, adivinha? Bem Whishaw trás de volta o querido Q, que não tem nenhuma caneta explosiva para Bond, mas ele bem diz que “não fazemos mais isso” (uma mensagem clara dos produtores para o publico). Bérénice Marlohe é a Bond Girl da vez, linda de morrer e que tem uma ótima cena mostrando seu conflito interno em único diálogo de expressões reveladoras, mas depois não faz mais nada, infelizmente. Albert Finney, Ralph Fiennes completam o elenco com Naomie Harris, uma agente nova que tenta ajudar Bond e tem uma função secreta na história. Especificamente aos fãs.

O filme é dirigido por Sam Mendes, que já ganhou um Oscar por “Beleza Americana” e sempre mostrou competência em dirigir dramas. Um blockbuster de ação? Do 007?! Pois é, deu certo! Agradeça ao ótimo roteiro e um elenco afinado, mas o cara sabe dirigir. As cenas de diálogo são muitas e bem pontuadas. As cenas de ação fogem do recente recurso de ângulos próximas e câmeras tremidas, dando um enquadramento das antigas e de visual mais marcado. A luta corpo-a-corpo entre Bond e um inimigo em um apartamento na China é arte, de uma estética incrível! Não é a primeira vez que os produtores colocam alguém atrás de uma imagem mais preciosa do que o tradicional e é bom ver Mendes apto ao trabalho.

Ao final de tudo (e conformem-se com a nova posição da gun barrel!) aparece a mensagem “50 anos – James Bond irá voltar”. Uma piscadela dos produtores ao público que foi tão fiel em meio século. A essa altura, ninguém duvida nunca mais. E após mais um bom filme, é o que todo mundo deseja.

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