Review: “Ferrugem e Osso” de Jacques Audiard

Se o cinema norte-americano adora um blockbuster de efeitos especiais, o cinema francês adora um drama de alguém que sofreu algum tipo de paralisia corporal. Para cada “Transformers” deve existir um “O Escafandro e a Borboleta” – exemplos aleatórios, ignore a brutal diferença de qualidade nestes casos, ok? O que importa é a tendência dos cineastas franceses em pegarem esse tema de alguém que sofre um aleijamento físico e transformar isso em tema.

“Ferrugem e Osso” conta a história de Stéphanie, uma domadora de baleias que conhece Alain, um segurança de boate, e ambos têm uma forte tendência autodestrutiva. Ele gosta de luta, ela o conhece após brigar durante uma noitada. Que casal! Stéphanie, então, sofre um acidente no trabalho e acaba perdendo as duas pernas. E resolve se apoiar neste novo amigo para ajudar a se adaptar a esta nova vida para ela.

O filme poderia escorregar para o melodrama, mas não o faz. É um filme simples, com uma história bem contada e que se apoia nos dois personagens complicados para levar o enredo em frente. Stéphanie, claro, tem os momentos mais interessantes, envolvendo os novos obstáculos que ela tem que aprender a ultrapassar. Mas achei Alain um personagem mais interessante, mais dúbio, que resolve participar de lutas de rua por que, claramente, ele gosta de apanhar. Ao fim é uma história de duas pessoas e suas feridas – reais mesmo, mas como elas servem de espelho para refletir a respeito de seus machucados psicológicos.

Danos todos sofremos, mas sempre arranjamos um jeito de cuidar da ferida e seguir em frente, né? Seja de uma dramática perda das pernas ou de uma simples mão quebrada.

O filme é dirigido por Jacques Audiard, que ganhou fama com a direção do cultuado “O Profeta”. Audiard não apela para cenas mais chocantes e sabe pontuar certos momentos muito bem. Uma das minhas cenas favoritas (o clipe acima) é quando Stéphanie volta ao aquário e interage com uma baleia através do vidro. O enquadramento e corte único cria um resultado belíssimo!

Marion Cotillard é a nossa protagonista sem pernas, em uma excelente e simples atuação. Ela já ganhou um Oscar por interpretar Edith Piaf, então não precisa mostrar a ninguém que sabe atuar com exageros e maneirismos. Sua interpretação aqui é muito mais discreta. Como na já citada cena onde sua personagem interage com uma baleia. Cotillard consegue demonstrar sua tristeza e saudade de costas para as câmeras. Se isso não é uma estupenda atuação, eu não sei mais o que é!

Matthias Schoenaerts é seu companheiro problemático. Ele acaba ficando nas sombras de Cotillard por que o papel dela é muito mais dramático, mas ele está ótimo ainda assim. Eis o tipo de filme que prende a sua atenção pelo ótimo trabalho do seu casal de protagonistas.

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