Review: “Moonrise Kingdom” de Wes Anderson

O que seria do nosso amadurecimento sem a adolescência, esta gloriosa fase onde a gente sente um monte de coisa que é imaturo demais para entender? Esse conceito é explorado em “Moonrise Kingdom”, uma história de amor em tempos de hormônios. É do tipo de filme que tem facilidade em cativar, por lidar com um tema que qualquer um consegue entender, e ainda é estranho o suficiente para ter chances de virar clássico cult!

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O filme conta a história do casal Suzy e Sam, dois jovens excluídos que moram na estranha ilha fictícia de New Penzance em 1965. Junto eles resolvem fugir (pela ilha mesmo, não dela) o que motiva uma caçada por conta de um policial, um chefe dos escoteiros local e os pais da garota. Entre uma fuga ou outra os dois vão descobrindo que tem um interesse maior entre si apenas do que o de querer fugir da vida. É uma história simples, sem mistérios, que todo mundo sabe como termina. A graça é o desenvolvimento deste casal, composto por um nerd e uma típica adolescente furiosa que beira à bipolaridade. Os dois meio que combinam, mas eu pessoalmente duvido que o relacionamento vá além da história do filme.

A graça está aí: não é a história do maior amor de todos os tempos ou de felicidade eterna. São adolescentes e convenhamos que nesta idade praticamente tudo tem durabilidade bem curta! Mas quem se importa? A descoberta de sentimentos novos é um tema de fácil relação e os personagens são humanos o suficiente para nos conquistar. Ponto para o roteiro, do diretor Wes Anderson e escrito também por Roman Coppola, que tem facilidade em escrever contos estranhíssimos.

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E contos estranhos é a praia de Anderson, que caiu no gosto do público cult com “Os Excêntricos Tenenbauns” e seguiu com outras doideiras como “A Vida Marinha com Steve Zissou” e “O Fantástico Sr. Raposo”. “Moonrise Kingdom” segue seu estilo, com um visual todo próprio, completamente inusitado e original. A história pode ser boba e bem linear, mas isso não impediu o diretor de arriscar com enquadramentos interessantes e algumas tomadas mais longas de resultados interessantíssimos. Repare como o diretor abusa de planos onde a câmera acompanha os personagens para a direita, dando uma movimentação bem teatral na ação. Visivelmente Anderson estava tentando algo estranho (para combinar com os personagens) e o resultado funciona muito bem.

O casal principal é vivido pelos estreantes Jared Gilman e Kara Hayward, ela uma jovem de olhar enigmático, ambos muito confortáveis no papel de protagonistas. O quão raro é hoje em dia encontrar uma produção que arrisca com adolescentes como centro da história? Ajuda o filme o elenco de coadjuvantes adultos, composto por Bruce Willis, Edward Norton, Frances McDormand, Bill Murray e Tilda Swinton. Uau! Todos visivelmente confortáveis em arriscarem com seus personagens teatrais e exagerados. Parecem ter se divertido bastante.

Esse clima descontraído ecoa por toda a produção. Parece que elenco e direção resolveram relaxar e tentar algo simples e novo, sem grandes exageros ou modismos. Adultos revisitando a adolescência, com certo saudosismo.

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