Review: “Para Roma com Amor” de Woody Allen

Nesta sua recente bossa pela Europa, Woody Allen aproveitou cidades que não são a sua querida Nova York para contar histórias diferentes do seu estilo, com temas próprios. Nos excelentes “Match Point”, “Vicky Cristina Barcelona” e “Meia-Noite em Paris” ele usou os novos ares para criar algo diferente em sua carreira de diretor que já dura meio século. Agora ele volta para Itália (que já apareceu um pouco em “Poderosa Afrodite”) em “Para Roma com Amor”.

O filme não tem uma história própria, segue o estilo “Decamerão” (o nome original do filme seria “Bop Decameron”) ao contar várias narrativas diferentes que não estão conectadas por nenhum personagem, trama ou sequer tema. São simplesmente pequenos contos que vão alternando. Esse estilo funciona um pouco e serve de reflexo ao trabalho de Woody Allen, um diretor que erra mais do que acerta. Mas isso não é um problema. Allen faz sempre um filme por ano, segue seu ofício com um ritmo de quem sempre tem alguma história para contar. E em “Para Roma com Amor” ele pegou algumas dessas várias histórias e contou todas juntas, ao invés de dedicar uma produção para cada.

Portanto algumas histórias são interessantes, mas a maioria é boba. Minha favorita é a estrelada por Roberto Benigni (de “A Vida é Bela”), que do dia para noite fica famoso e se torna uma pessoa requisitada, por motivo algum. Ele é apenas um trabalhador típico de classe média, mas de repente as pessoas querem saber como ele gosta de comer pão no café da manhã! Algumas boas situações surgem desse conceito. Talvez Allen estivesse falando de si mesmo? Ele é do tipo de diretor extremamente cultuado e idolatrado que parece não entender de onde vem sua fama – afinal ele é apenas um trabalhador, como todo mundo – mas parece saber aproveitá-la. Antes ser rico e famoso do que pobre e desconhecido, né?

Outra história que surge um pouco interessante é a de um jovem, vivido por Jesse Eisenberg (“A Rede Social”), que se interessa pela amiga de sua namorada (Ellen Page, a eterna Juno). Page não é nem nunca vai ser o furacão sexual que o roteiro quer fazer, mas a ideia do personagem de Eisenberg ficar conversando com sua consciência na forma de um homem adulto mais experiente, vivido pelo ótimo Alec Baldwin, produz ótimas conversas de ritmo próprio.

É razoável também a história do agente funerário que vira cantor de ópera no chuveiro – literalmente, a ponto de se apresentar assim mesmo! Apesar de ser um conto de uma piada só, é sempre bom rever Judy Davis e Woody Allen atuando juntos. As outras histórias são bobas e chatas. O resto do elenco conta com Penélope Cruz, Alisson Pill, Greta Gerwig e Alessandra Mastronardi.

“Para Roma com Amor” não repete o sucesso das recentes produções europeias de Woody Allen, mas tem bons momentos o suficiente para valer uma conferida pelos fãs do diretor.

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