Review: “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” de Peter Jackson

Grande sucesso da cultura pop no início do século XXI, a trilogia “O Senhor dos Anéis” do diretor Peter Jackson não só introduziu o mundo mágico criado por J.R.R. Tolkien para toda uma nova geração como também mostrou que é possível contar uma história de fantasia e calibrá-la com sentimentos humanos, reais. Parece que foi ontem, mas já faz tempo que nós vimos o Um Anel derreter ao final de “O Retorno do Rei” e cá estamos, voltando à saudosa Terra Média para uma nova trilogia inspirada no clássico infantil “O Hobbit”.

De certa forma o filme começa poucos minutos antes de “A Sociedade do Anel”, com Frodo Bolseiro conversando com seu tio Bilbo às vésperas do seu aniversário, antes da visita do mago Gandalf que vimos no primeiro capítulo da trilogia original. Mas a história de “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” volta no tempo para mostrar o jovem Bilbo em uma aventura muito antes de conhecer o Gollum e apoderar-se do Um Anel.

O dragão Smaug expulsou os anões de sua moradia na Montanha Solitária e eles passaram muitos anos perdidos na Terra Média, sem um lar. O Rei dos anões, Thorin, quer reconquistar a montanha e seu reino e Gandalf resolve ajudá-lo e ainda leva consigo Bilbo, um hobbit anti-social e pouco aventureiro, por que ele simplesmente acha que o pequenino pode servir para alguma coisa. A essa altura nem duvidamos, já tendo aprendido com a trilogia original que a coragem pode mesmo surgir na menor das coisas.

Enquanto a trilogia “O Senhor dos Anéis” é inspirada no livro (de mesmo nome) escrito por Tolkien que contava uma história épica de mais de 1000 páginas, a trilogia “O Hobbit” irá se inspirar em um livro infantil, lançado antes da magnum opus do autor e contando uma aventurinha leve em 300 páginas. Ou seja, Bilbo já está em desvantagem para Frodo, pois tem menos para mostrar na sua história. Enquanto que a jornada do seu sobrinho foi um grande épico que englobava inúmeros personagens e raças por toda a Terra Média, com muitos momentos de tensão e emoção, a aventura original de Bilbo é mais simplória. Nisso este “Uma Jornada Inesperada” já sai perdendo, por que passa muito tempo enrolando sem nada acontecer (em um ato inicial que recicla o caminho de “A Sociedade do Anel”, saindo da Vila dos Hobbits até chegar em Valfenda) e só lá quando os aventureiros chegam em uma caverna cheia de goblins que as coisas ganham chão. Claro, uma importante aparição do inesquecível Gollum ajuda muito!

Se quiserem comparar “Uma Jornada Inesperada” com o infame “A Ameaça Fantasma” (o Episódio I de Star Wars, que também serviu de prelúdio para uma trilogia) isso pode ser feito. A volta à Terra Média nem de longe chega ao impacto causado pelos primeiros três filmes. Mas isso não quer dizer que é decepcionante, muito menos ruim! Sim, o já citado primeiro ato é lento e enrola demais, mas a narrativa tem seus momentos divertidos e boas cenas. Ao final não ficamos com um gancho tão marcante quanto o de “A Sociedade do Anel” – este aqui mais parece com o fim de um parágrafo – mas isso não diminuiu o resultado final. Não é o melhor que a Terra Média tem para oferecer, mas é muito bom ainda assim!

O maléfico vilão mais adorável do cinema!

Esta trilogia “O Hobbit” será toda dirigida por Peter Jackson, que já demonstrou em “O Senhor dos Anéis” que sabe muito bem pegar o que foi escrito por Tolkien e adaptá-lo com força para os cinemas. De volta ao elenco principal temos Ian McKellen como o carismático Gandalf e participações breves de Ian Holm, Elijah Wood, Cate Blanchett, Hugo Weaving e Christopher Lee. E, claro, Andy Serkis roubando novamente as cenas (com uma única cena) como Gollum. As novidades estão para o excelente Martin Freeman e um bando de anões liderados por Richard Armitrage, bancando uma versão pobre de Aragorn – ou estaria ele canalizando Boromir?

Não tenha dúvidas: “O Hobbit”, como livro, não dá pano para manga para três filmes inteiros, mas quer saber? Que bom que Peter Jackson nos está dando mais três filmes na Terra Média ainda assim!

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