Review: “A Viagem” de Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer

Reunindo três diretores diferentes, “A Viagem” é uma jornada épica através de séculos de histórias e dezenas de personagens. Inspirado no livro “Cloud Atlas” de David Mitchell (ainda não publicado no Brasil), eis uma obra que, ao mesmo tempo em que ousa, não ousa. Sua tentativa complicada de narrar paralelamente seis histórias conectadas apenas filosoficamente provavelmente daria mais certo se a direção tivesse arriscado mais.

É impossível gerar uma sinopse para a história. Começamos com a jornada de um advogado no século XIX, passamos para um músico do início do séculoXX, depois para uma jornalista investigativa dos anos 1970, as aventuras de um idoso nos tempos atuais, o mistério de uma garçonete no futuro e com o encontro de dois estranhos em uma Terra pós-apocalíptica indefinida. Originalmente introduzidos cronologicamente, nas seguintes 2 horas e 50 minutos de projeção o filme vai e vem, conectando seus inúmeros personagens entre cenas que se amarram em pequenos detalhes – alguns difíceis de perceber.

Todas essas histórias são conectadas por algumas questões filosóficas que permeiam a humanidade desde antes da escrita surgir. Por que cometemos os mesmos erros? É o amor que nos conecta ou existe uma força maior? O filme não pretende responder essas perguntas, mas talvez devesse. Por que, ao final de tudo, falta em “A Viagem” um impacto emocional maior. Tem uma única cena, dividindo duas histórias, que mostra a conexão entre um pai e uma filha tendo consequências dramáticas de forma diferente em dois tempos completamente distantes. O que os distancia, na verdade, não é o tempo, e sim o fato de ele querer o mal estabelecido e ela querer mudar isso. Para uma obra que quer mostrar como esse conflito eterno (maniqueísta, mas real) sempre se repete, faltou uma tentativa – por mais fracassada que fosse – de tentar responder por que diabos isso acontece!

Estamos todos conectados pelo amor da mesma forma que estamos pelo ódio e ainda não descobrimos o que faz isso acontecer. Se é Deus, se é o Universo, se é a natureza ou o mero acaso. Mas uma conexão há e, em “A Viagem”, os diretores conformaram-se com a resposta de que “eu não sei, só sei que é assim”. Aceitável, mas tira o impacto de um clímax que nunca chega. E sim, o filme é lento ainda por cima.

Ele não é um oriental, caso a maquiagem ruim não tenha deixado óbvio.

A direção está a cargo de Andy Wachowski e Lana Wachowski, dupla responsável pela trilogia Matrix, e também por Tom Tykwer, de “Corra Lola Corra”. É raro um trio dividir a direção de uma grande produção como essa (geralmente alguém vira “diretor convidado”), mas não vi grandes benefícios de ter três mentes atrás de uma mesma ideia. O projeto era ousado e exigia muito, mas não vi nada em “A Viagem” que tenha me mostrado que haviam três pessoas trabalhando em sua execução. Os Wachowski foram mais firmes quando arriscaram em um similar sci-fi filosófico no “Matrix” original de 1999.

O elenco é enorme e cada ator repete inúmeros personagens. Temos Tom Hanks (o que mais varia), Halle Berry, Jim Broadbent (o melhor, adorável e malvado com igual força), Jim Sturgess, Doona Bae, Bem Whishaw, James D’Arcy, Hugh Grant, Susan Sarandon e Hugo Weaving, o “grande diabo cósmico” da história toda. Detalhe deve ser dito para a maquiagem dos atores, que infelizmente não é boa. Berry interpreta uma judia caucasiana, Sturgess um oriental, Bae uma americana e Weaving uma enfermeira durona, mas todos ficaram com caras estranhas em suas formas não originais.

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