Review: “O Canto da Sereia” de Patrícia Andrade e George Moura

Subintitulado “um noir baiano”, o romance “O Canto da Sereia” de Nelson Motta ganhou uma versão televisiva em forma de minissérie que não aposta na narrativa noir cinematográfica, mas bem que poderia. Ambientado em uma Bahia realista (sem os tradicionais folclores e clichês da televisão brasileira) e com um estilo bastante moderno, a série arrisca bastante e agrada por isso.

A história começa com uma cantora de axé, a Sereia do título, sendo assassinada em seu trio elétrico em pleno carnaval, na frente de uma multidão. Um de seus seguranças, Augustão, é contratado pela empresária da cantora para investigar por fora o assassino. Os episódios são divididos nessa investigação de forma simples, com cada personagem abrindo um pouco dos mistérios da trama aos poucos, bem na moda Agatha Christie mesmo.

A revelação do assassino e seus motivos são bastante óbvios para quem prestar atenção nos diálogos, mas isso não diminui a obra. Sim, a história é previsível e segue um padrão básico de investigação passo-a-passo, mas o estilo compensa. Se “O Canto da Sereia” não é puro noir, tem elementos. A Bahia de carnaval poderia muito bem se passar por uma São Paulo em dia qualquer, sempre escura e sombria, acabou saindo um belo cenário para uma trama noir. Esses cenários são todos de locação, dando um ar mais natural para as cenas, ajudado também pela fotografia bem específica e movimentação de câmera agitada. O único “porém” desse estilo fica por conta dos enquadramentos, ainda presos do tabu televisivo dos closes e planos médios. “O Canto da Sereia” ficaria estranho no cinema, mas dentro do universo da TV produz um resultado muito interessante.

É programação para adultos, o que a gente sabe ser algo raro na produção brasileira, que provavelmente acha que adulto só assiste jornal ou jornalísticos. Enquanto as novelas insistem em seus personagens batidos e de dramas infantis, raras minisséries como “O Canto da Sereia” tem lá sua dubiedade, mesmo dentro de uma história simples. Os personagens Mara e Tuta – a empresária e o marqueteiro da vítima – se destacaram. Seja por conta do livro de Motta (que eu nunca li) ou do texto de Patrícia Andrade e George Moura, o roteiro convence mesmo com uma estrutura linear demais.

A direção ficou por conta de Ricardo Waddington, que recentemente fez “Avenida Brasil”, um raríssimo exemplo de novela que fugiu dos tipos óbvios da estética “padrão Rede Globo de qualidade”. Nossa protagonista é interpretada por Ísis Valverde, que de cantora não tem nada, mas tem de atriz. Em certas cenas é visível a entrega dela no papel. Muito bem também estavam Camila Morgado  (pra variar) como a empresária e Marcelo Médici como o marqueteiro. O resto do elenco conta com Marcos Palmeira, Marcos Caruso, Fabiula Nascimento, João Miguel e Gabriel Braga Nunes.

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