Review: “Lincoln” de Steven Spielberg

Abraham Lincoln, cultuado presidente norte-americano, quando não estava caçando vampiros na ficção, estava abolindo a escravidão na vida real. Os americanos o adoram, por ter aprovado a 13ª Emenda, tão importante por transformar os afro-descendentes em iguais, perante a Constituição, aos brancos. Ok, um Papa já havia proibido o comércio escravo em Veneza no século IX e a Islândia aboliu de vez a escravidão lá no século XI, então falando assim, parece que os Estados Unidos estavam muito atrasados no seu século XIX! Mas a emenda foi um importante passo rumo ao sufrágio mero cinco anos depois, permitindo aos negros votarem, além de ter sido o marco final da violenta Guerra de Secessão.

“Lincoln” não é uma cinebiografia do presidente e sim um relato político dos bastidores desse processo. A Guerra Civil está em seu fim, assim como o presidente no início de seu novo mandato, e ele quer aproveitar o momento para aprovar a 13ª Emenda. Segue aí uma jornada pessoal do presidente e sua trupe de lobistas atrás de votos, de preferência democratas indecisos, já que – ironicamente – os republicanos eram os liberais da época. A gente sabe como a história termina, inclusive a do próprio presidente, portanto a narrativa é focada totalmente na histórica votação (a 13ª Emenda foi aprovada por míseros dois votos).

O ritmo é lento, daquele que fazia a gente dormir na aula de história quando o professor passava algum filme que poderia nos ensinar bastante. O ponto forte está no roteiro, movido basicamente a bons diálogos, que pontua seus personagens com incrível beleza na linguagem. Difícil acreditar que o presidente Lincoln soltasse frases na cozinha como se estivesse discursando para a população, mas para fins artísticos o resultado funciona muito bem. E a história sabe pontuar muito bem que esta não é a história de um presidente americano (apesar dele ser protagonista) e sim a importante conquista democrática de uma nação. “Lincoln” não é patriotismo gratuito, mas sabe louvar por grandes homens que realizaram algo grande.

O filme é dirigido por Steven Spielberg, que dispensa apresentações desde antes de você nascer. Tem tempo que Spielberg não faz nada com a força artística dos seus anos 70, 80 e 90, mas dá para condenar o cara? “Lincoln” não chega às unhas de “A Lista de Schindler” nem mesmo “Munique”, mas tecnicamente é eficaz como você pode imaginar, com belíssima produção e fotografia. O filme é de Spielberg, mas para mim quem coordena toda a narrativa é o roteiro de Tony Kushner.

No papel de Lincoln temos Daniel Day-Lewis, vencedor de dois Oscar já (a última vez com “Sangue Negro”), carregando uma atuação de trejeitos com bastante leveza. Se ele está igualzinho ao Lincoln eu não sei, mas que ele conseguiu criar outra pessoa, isso é fato! Seguindo ele temos Sally Field (melodramática como se atuasse em uma novela), Tommy Lee Jones, David Strathairn, James Spader e Joseph Gordon-Levitt. Ah, e boa sorte em tentar reconhecer Jared Harris em sua participação especial!

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