Review: “Django Livre” de Quentin Tarantino

Quentin Tarantino nasceu para dirigir um western, se você percebeu tantas as inúmeras citações ao gênero em obras passadas já sabe disso. Até em algo moderno como “Kill Bill” ele já fazia suas homenagens. Agora ele finalmente entra de vez no estilo faroeste em “Django Livre”, refilmagem de um filme esquecido e que muda tudo para abordar outro tema mais forte e pouco abordado no gênero: o racismo dos Estados Unidos pré-abolição da escravatura.

Django (“o D é mudo”) é um escravo que é libertado por um caçador de recompensas alemão que está atrás de três criminosos procurados que ele conhece. Os dois acabam fazendo uma bela amizade e Schultz, o libertador de Django, resolve ajudá-lo a encontrar sua esposa, que foi comprada por algum fazendeiro do sul.

A aventura é longa e, após um começo agitado e divertido, passa por certos “quebra-molas” que atrasam o ritmo um pouco. Quando Django encontra sua esposa na fazenda Candyland e o grande vilão (Calvin Candie) é introduzido, vai entender, a história enrola. Justamente onde deveria empolgar mais! Claro que Tarantino é mestre em arquitetar boas cenas de diálogos e reviravoltas inesperadas, portanto as durante o ato final temos ao menos uns dois clímax, o suficiente para compensar os momentos chatos. Mas existem momentos chatos! Comparado com o roteiro de “Bastardos Inglórios”, muito melhor amarrado e com uma estrutura mais forte, “Django Livre” perde.

Mas, como já disse, é Tarantino. Certas cenas parecem que vão explodir de tensão, enquanto outras literalmente explodem na base de tiroteios e dinamites. Como sempre seu filme brinca com a violência absurda, que pode gerar críticas dos moralistas de plantão, que parecem não entender que este é um western cuja trama gira em torno da escravidão. Se isso não torna a violência plausível, há algo de errado! Deveríamos esperar um faroeste desbravado com abraços e escravos recebendo carinho? Deixe para Spielberg fazer um drama político sobre abolição ser leve e sóbrio. Tarantino faz mais o estilo que joga o podre no ventilador. Vai fazer piadas com racismo e, convenhamos, racistas deveriam ser mais alvos de piada.

No elenco temos Jamie Foxx, nosso herói Django, que leva o papel a sério quando deve levar, vira o herói fanfarrão e estiloso quando precisa. Seu companheiro alemão é vivido por Christoph Waltz, que ganhou um Oscar ao arrasar como o vilão de “Bastardos Inglórios”. Aqui ele é o cowboy com alma e coração, que quer ajudar um escravo por que acha que ele merece, e não tolera as maldades de qualquer fazendeiro malvado. Este que é interpretado por Leonardo DiCaprio, brincando com um vilão odioso e cínico. A mulher de Django é interpretada por Kerry Washington. Destaque importante para a atuação de Samuel L. Jackson como um escravo dúbio, de maneirismos fortes e personalidade misteriosa. Quando menos você souber do personagem, melhor. Franco Nero, o Django do original de 1966, também aparece.

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