Review: “A Hora Mais Escura” de Kathryn Bigelow

Confesso que não sou muito fã de “Guerra ao Terror”, eleito o melhor filme no Oscar de 2010 e que catapultou a diretora Kathryn Bigelow para a fama – além de tê-la tornado a primeira mulher a ganhar o prêmio de melhor direção na Academia. Seu novo trabalho, “A Hora Mais Escura” (tradução melodramática de “Zero Dark Thirty”, termo militar para o horário 00:30) acabou escolhendo um tema mais interessante: a caçada de dez anos ao terrorista Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda e responsável pelos ataques de 11 de Setembro de 2001.

Maya é uma jovem agente da CIA que é enviada ao Paquistão em 2002 para trabalhar nas investigações sobre o paradeiro de Bin Laden e ela acredita fortemente na pista de seu courier, chamado Abu Ahmed, mas que ninguém sabe quem é ou como é. Durante seus anos de investigação, Maya perde muito de seus colegas de trabalho em atentados terroristas, o que torna sua caçada a Bin Laden ainda mais pessoal, transformando isso em seu único propósito de vida durante uma década!

Esse tema (a obstinação da protagonista) poderia ser o tema central do roteiro original de Mark Boal, que começou a ser escrito antes de Osama Bin Laden ser morto Maio de 2011. Era para a história ser sobre o esforço atrás deste fantasma que ninguém encontrava em lugar algum? Mas a vida real entrou no caminho da ficção e “A Hora Mais Escura” se viu colocando um clímax muito mais atraente e ativo. Sem, por isso, deixar de lado o drama de uma pessoa que dedicou 12 anos de sua vida a um único objetivo.

Poderia ser uma cena de Call of Duty.

Kathryn Bigelow não me convenceu em “Guerra ao Terror”, pois achei o filme profundamente desinteressante. Mas em “A Hora Mais Escura” ela tem um tema mais curioso e uma personagem muito melhor construída para acompanhar. O roteiro tem um excelente ritmo e constrói a história dela – e sua investigação – muito bem e o clímax de quase 25 minutos é absurdamente tenso, mesmo que você sabe que no final eles vão achar e matar o alvo. Muita gente até hoje duvida que, de fato, Bin Laden tenha morrido nesta operação da CIA, e mérito deve ser dado para o filme deixar certo tom de mistério no ar. O rosto do terrorista nunca é revelado e, mesmo que isso não indique incerteza da direção, deixa um positivo ar de dúvida.

A nossa obstinada heroína é vivida por Jessica Chastain, que carrega o filme todo nas suas costas. E quando ela some por um tempo – durante o clímax em que ela não participou ativamente – você vai até sentir falta. Maya é uma espécie de Carrie Mathison sem bipolaridade, apesar de ter seus momentos de surtos também. O resto do elenco é composto por Jason Clarke, Kyle Chandler, Joel Edgerton, Chris Pratt e James Gandolfini.

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