Review: “Hitchcock” de Sacha Gervasi

O “mestre do suspense”, Alfred Hitchcock dirigiu inúmeros clássicos e tem um louvável currículo de bons filmes. Mas é com “Psicose” que ele é eternamente lembrado e associado. Uma produção independente, financiada pelo próprio e lançada pela Paramount, mas divulgada em uma inovadora campanha arquitetada pelo diretor (que, por exemplo, pedia para o público não contar o final antes do filme começar!), rendeu um livro que conta seus bastidores. “Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose”, de Stephen Rebello, agora virou um filme sobre um filme, chamado simplesmente de “Hitchcock”.

Não estamos falando de uma cinebiografia, mas o papel de Hitchcock é central e fundamental na narrativa. Apesar de, sim, ser a história da produção de “Psicose”, a trama gira em torno do relacionamento do diretor com sua esposa, Alma Reville, que sempre o ajudou na produção de seus sucessos e fracassos artísticos. Como esta nova empreitada é deveras arriscada – vale lembrar que foi o casal quem financiou o orçamento – surge, portanto, uma crise no casamento, também influenciada pelo complicado relacionamento que Hitchcock geralmente tinha com suas belas protagonistas loiras.

O filme tenta associar esta sua fixação com o clichê freudiano do homem aficionado no relacionamento com a mãe, que inclusive é a base de todo o mistério de “Psicose”, já que Norman Bates matava travestido como sua mãe. História, por sua vez, inspirado na real de Ed Gein, assassino do Winsconsin que matou duas pessoas e ficou famoso por exumar corpos de cemitérios e guardar lembranças dos cadáveres, o que serviu de inspiração para os assassinos de “O Massacre da Serra Elétrica” e “O Silêncio dos Inocentes”. No caso de “Psicose”, Gein inspirou por seu relacionamento maternal e, apesar de nunca ter travestido-se como sua mãe, de fato contou que vestia-se de mulher de vez em quando. Em resumo: Gein foi uma figura atormentada e que inspirou assassinos da ficção pelos elementos bizarros de seus crimes. De onde o roteiro de “Hitchcock” viu razão para associar isso ao fato do diretor ser um pouco fixado em suas protagonistas, eu não sei! Os momentos em que Hitchcock “conversa” com Ed Gein são absurdamente forçados.

Também ficou fraca a relação de Alfred e Alma, que nunca se desenvolve muito além de uma crise conjugal normal e que nem parece ter tanto a ver assim com a produção do filme. Elemento esse que, diga-se de passagem, teria sido muito mais interessante se o roteiro focasse! Quando “Hitchcock” esquece do marido Hitchcock e foca no diretor Hitchcock, tudo fica muito mais interessante. Inclusive quando mostra seu relacionamento com as atrizes do filme ou o papel de Alma na produção, tudo muito curioso e bem feito. O problema é querer dramatizar demais isso, já que o roteiro não dá conta de aprofundar os assuntos.

Dirigido Sacha Gervasi, sua estreia na direção de uma ficção, o filme tem bons momentos, mas não é equilibrado o suficiente. As referências aos símbolos hitchcockianos, entretanto, vão agradar aos cinéfilos de plantão. Anthony Hopkins interpreta o genial Alfred Hitchcock sem genialidade. Seus maneirismos são fortes, mas o papel não sai da maquiagem. Faltou dramaticidade. Melhor se sai Helen Mirren como a Sra. Hitchcock. Nos papéis do elenco principal de “Psicose” temos Scarlett Johansson, James D’Arcy e Jessica Biel. Toni Colette interpreta a secretária de Hitchcock e Danny Huston um amigo íntimo de Alma Reville.

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