Review: “Dead Space 3” para PlayStation 3

A série Dead Space nasceu talvez na geração errada. O gênero survival horror, de “Resident Evil 4” para cá, deixou de ser assim tão cheio de sobrevivência ou mesmo de horror. Mas o primeiro jogo desta franquia da Visceral Games tinha um conceito interessante: terror no espaço. Não é como se “Alien” nunca tivesse existido, mas em videogames era uma ideia pouco explorada. Com uma parte sonora caprichada e cenas de tensão marcantes durante os combates, o jogo criou muitos fãs. Sua primeira sequência pendeu para o lado do blockbuster, mas manteve o clima de tensão constante. Eis que chega “Dead Space 3”, sem grandes novidades e repetindo muita coisa, perdendo o ar de novidade. Mas, para os fãs de suspense, ainda é um jogo interessante.

A história começa anos após “Dead Space 2”, com nosso protagonista Isaac Clark sendo sequestrado por um grupo que envolve sua ex-namorada Ellie, que quer usar o conhecimento dos dois na tecnologia alienígena Marker para dar um jeito de impedir a infecção de necromorphs e salvar uma Terra com carência de energia renovável. O grupo acaba indo parar em um planeta gelado à lá Hoth, supostamente o território onde os Markers foram criados, para investigar o que tiver que ser investigado.

A essa altura a série está apenas inflando o balão da narrativa. O primeiro jogo tinha Isaac apenas procurando pela sua namorada em uma nave espacial abandonada. O tema religioso (pela fictícia Unitology) e o mistério do Marker eram simples e apenas secundários. “Dead Space 2” colocou a história em primeiro plano e transformando o protagonista em mero peão, deixando o arco de Isaac incompleto, e “Dead Space 3” continua levando ele para novas situações e tramas conspiratórias sem dar nenhum sinal de estar indo a algum lugar conclusivo. Se continuar assim iremos chegar a “Dead Space 35” com nosso idoso engenheiro destruindo seu 35º Marker dos planos diabólicos do 35º unitologista maluco.

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A sinopse é mera desculpa para colocar o herói em nova situação de perigo. Após um desnecessário prólogo, a jornada de Isaac tem um começo similar ao de “Dead Space 2” (fuga seguida de muitas explosões) antes de colocá-lo no espaço, navegando pelo vácuo entre estações espaciais abandonadas. Lá pela metade da história o jogo muda de cenário e o coloca no tal planeta Tau Volantis e, entre uma ou outra sequência envolvendo planícies geladas, o conteúdo é o típico da série. Mesmo que “Dead Space 3” possa ser acusado de ter debandado para a ação, a questão é que a série nunca foi puro survival horror. Mas o clima do primeiro, de completo abandono, silêncio e corredores escuros em uma estação abandonada no meio do espaço, remetia a jogos como “Resident Evil” ou “Silent Hill” em termos de suspense. Mesmo que a jogabilidade, em si, fosse bastante diferente, muito mais similar ao padrão inventado por “Resident Evil 4”. Esse clima de estar sozinho no espaço continua, mas é menos eficaz que nos dois primeiros jogos.

“Dead Space 3” volta ao esquema já batido de seus jogos anteriores de foco no desmembramento dos inimigos. Mas agora, em certas fases, soldados humanos irão atuar contra Isaac. Ecos de “Gears of War” aparecem no jogo, que pode colocar os fãs em descrença. São momentos menores, mas ainda assim desnecessários. Não vejo onde humanos com armas se tornam adversários melhores que os necromorphs, ainda mais quando a técnica do headshot funciona perfeitamente com eles. Nessas batalhas o jogo emburrece, já que os soldados são estúpidos e reagem de forma muito mais previsível que os inimigos tradicionais da série. Ainda assim, como eu disse, são menos frequentes e rápidos. O foco do jogo ainda está nos monstros aparecendo de surpresa em corredores mal iluminados.

Mas, claro, esse foco já perdeu a força de antes. Poucos necromorphs diferentes e sem muitas novidades, “Dead Space 3” sofre da famosa síndrome do mais-do-mesmo. Apesar de mudar completamente a administração de recursos (armas devem ser construídas e melhoradas utilizando itens deixados pelo cenário) isso não é o suficiente para dar um ar de novidade na série, que está precisando. Assim como a mudança do cenário para um planeta gelado, que não interfere em nada na jogabilidade. Entre uma ou outra planície nevada, a maior parte do tempo você andará por corredores estreitos, sejam eles instalações militares ou cavernas. Por falar em cenários, o visual do jogo continua muito bom, especialmente no departamento de iluminação. Claro, quem rouba a cena mesmo é a parte sonora, grande responsável pelas partes mais intensas de suspense. Entretanto, apesar da produção de alto nível, os aspectos audiovisuais de “Dead Space 3” também tem um ar de repetição.

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Uma importante novidade neste episódio seria a inclusão de um modo cooperativo, que pode assustar muita gente depois do fiasco de “Resident Evil 5”. Concordo, não sei quem teve essa ideia de exigir co-op em jogos onde a graça toda é se sentir sozinho, mas a benefício de “Dead Space 3” este modo não nos é forçado. É possível jogar sozinho e, fora uma ou outra missão secundária, se você não quiser conectar online sequer vai perceber que o jogo oferece a opção. Não joguei o co-op, portanto não posso dizer como ele funciona, mas é fato que ele não interfere na experiência singleplayer. E o modo multiplayer de arena, introduzido em “Dead Space 2”, foi para o espaço – me perdoem o trocadilho – e excluído de vez. Não era lá tão bom assim e não fará falta.

Talvez os maiores fãs gostem de repetir aquilo que já os agradou, mas não há nada significativamente inédito em “Dead Space 3” para converter aqueles que nunca se aproximaram da série até então. Sem dúvida um jogo bem feito e bem produzido, que irá lhe entreter pelas quase 20 horas de sua duração. Só não espere nada que você já não tenha visto lá em 2008.

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