Review: “Oz: Mágico e Poderoso” de Sam Raimi

Clássico infantil da literatura, “O Mágico de Oz” de L. Frank Braum gerou um universo composto por um total de 14 livros, mas é mais famoso pelo inesquecível filme de 1939 que leva o mesmo nome. Foi Judy Garland cantar “Over the Rainbow” e o mundo nunca mais conseguiu esquecer de Oz… Prova disso é o retorno à terra mágica pela primeira vez desde 1985 com “Oz: Mágico e Poderoso”, que serve de prelúdio para a história original e tem pretensões de dar um reinício à franquia.

A aventura começa de forma bem parecida com o clássico. Em uma Kansas descolorida, o mágico de circo Oscar segue com suas farsas até um tornado levar ele e seu balão para uma terra desconhecida, colorida, com flores que emitem sons de instrumentos musicais – uma sequência muito interessante! Ele é então recebido por Theodora, uma bruxa que o reconhece como Oz, o mágico da profecia que iria salvar a terra que leva o mesmo nome que ele. Durante sua jornada pela estrada de tijolos amarelos ele encontrará também Evanora, a bruxa que administra a Cidade Esmeralda, e Glinda, a Bruxa Boa do Sul que quer enfrentar a ameaça da Bruxa Má do Leste.

O filme segue um padrão óbvio e sem surpresas. Oz fará amizade com um macaco voador e uma garota de porcelana, que na verdade são versões fantasiosas de pessoas que ele conhecia em Kansas, assim como Glinda é uma ex-namorada. Repetindo o acontecido com Dorothy e seus amigos esquisitos, mas no caso essa relação era subentendida e, bem, Dorothy estava até sonhando! Já aqui a ligação fica tão óbvia que antes de Oz chegar a Oz você já sabe quem é quem. O roteiro não arrisca na criação de situações e todas as articulações para chegar a algum lugar parecem forçadas.

Mas o filme tem boas cenas e não fere o material original. Na verdade é bastante respeitoso e cumpre inúmeras referências de forma praticamente contratual! A revelação da Bruxa Má do Leste é muito bem feita e, convenhamos, essa vilã marcante estava fazendo falta no cinema. E, apesar de algumas leves liberdades criativas, este prelúdio se amarra de forma inteligente com “O Mágico de Oz”. Fiquei com medo do prenúncio de uma batalha na Cidade Esmeralda (culpe Tim Burton e sua Alice guerreira decapitando dragões!), mas o roteiro foi mais criativo com o clímax e inventou um artifício interessantíssimo para explicar um truque do mágico feito lá em 1939.

James Franco vive Oscar, com aquele jeitão dele de sempre, sem dar vexame. Claro, ele tem a ajuda de três belas e duas talentosas mulheres: Michelle Williams como a bondosa Glinda e Rachel Weisz como a sedutora Evanora vão bem como sempre, mas sem esforço. Já Mila Kunis me surpreendeu bastante. Ela não é boa atriz, mas deu conta do papel mais complicado da história. Se ela não se destaca como marcante, ao menos é a única a fazer algo um pouco mais arriscado.

O filme é dirigido por Sam Raimi, mais famoso pelas trilogias Homem-Aranha e Uma Noite Alucinante. É um diretor pela qual tenho respeito, por não ter medo de arriscar em ângulos e cortes estranhos, nem que seja pelo puro bom-humor de ser inusitado. Ele sabe brincar com a linguagem cinematográfica e cria resultados divertidos com facilidade. “Oz: Mágico e Poderoso” poderia ter ares de Tim Burton (só existiu após o sucesso de sua versão para “Alice no País das Maravilhas”), entretanto se segura perante um possível fracasso por que Raimi sabe que “O Mágico de Oz” é insuperável, mas, se já estamos aqui, por que não brincar um pouco?

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