Review: “DmC – Devil May Cry” para PlayStation 3

Quando a Capcom lançou o primeiro “Devil May Cry” para o PlayStation 2 conseguiu um sucesso em suas mãos. Mas a verdade é que, apesar de boas vendas, a franquia nunca conseguiu entrar no mainstream como clássicas franquias da empresa, de Street Fighter a Resident Evil. Claro, em se tratando de uma jogo hack ‘n slash, não é de surpreender. Fora God of War, fica difícil imaginar alguma série desse estilo que tenha se tornado blockbuster. Mas a Capcom não tinha motivos para reclamar, a meu ver. Além de produzir uma franquia de quatro jogos bem sucedidos, conseguiu incluir o protagonista Dante no seu louvável hall de personagens populares. Só que a empresa japonesa resolveu mudar e eis que nasce “DmC: Devil May Cry”, reboot que introduz um estilo visual completamente novo, na tentativa de aproximar a série ao mainstream americano.

(clique para ampliar)

Não tinha familiaridade alguma com a série Devil May Cry, nunca joguei nenhum jogo anterior, mas saberia reconhecer Dante de longe na feira. Claro, quem não conseguiria? De sobretudo vermelho e cabelos brancos, o visual do personagem era bem marcante, para o bem ou para o mal. Sempre achei bobo, mas a gente sabe que personagens japoneses são um pouco mais excêntricos. Mas talvez isso tenha afastado a franquia de ser um grande sucesso popular, por que os ocidentais tem mais facilidade de aceitar jogos orientais americanizados como Resident Evil sempre foi. Dante faria uma excelente companhia a Bayonetta e olhe lá!

Nosso herói agora volta com um sobretudo mais discreto, por cima de uma banal camiseta surrada, e cabelo e atitudes de bad boy. Sim, o excêntrico e colorido demônio badass japonês agora poderia muito bem se passar por um marrentinho qualquer! E é visível que é isso que a Capcom estava de olho quando contratou a britânica Ninja Theory para repaginar a série. O visual agora é mais sóbrio e a narrativa mais cinematográfica. Não que isso impeça o level design de brincar bastante, com cenários belíssimos que se racham e quebram a criam paisagens psicodélicas e apocalípticas. Com certeza uma combinação única.

Os fãs vão reclamar, por que quem gostava de Devil May Cry gostava especificamente por que Dante era único dentre tantos. O novo Dante de “DmC” é um playboy metido a marginal, caça demônios de dia e faz orgia com prostitutas de noite, para depois caçar mais demônios na manhã seguinte (de ressaca, claro). Sua introdução é hilária, em uma cena onde ele sai nu de seu trailer e, após ser atacado por um demônio, veste-se no ar – enquanto tacos de baseball e pedaços de pizza escondem suas partes íntimas. Ou seja, Devil May Cry ocidentalizou-se, mas não perdeu o estilo fantástico e ridículo.

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Referências ao visual clássico durante as sequências Devil Trigger (clique para ampliar)

Talvez aí esteja o forte dessa reinvenção. Se o novo Dante é mais um americano bonitinho tentando salvar o mundo, o jogo mantêm um foco criativo, com cenários diferentes, inimigos interessantes e uma estética própria. Ainda é um hack ‘n slash como sempre foi, e dos bons inclusive, e sem perder a temática absurda de jogos orientais. Não é carnavalesco como antes, e é compreensível que os fãs das antigas sintam falta disso, mas não é genérico. Nem de longe.

A história é simples: a organização secreta The Order pede ajuda de Dante, um nephilim (mistura de anjo e demônio), para derrotar o chefe dos demônios Mundus. Navegando pelo Limbo com a ajuda de Kat e de seu irmão Vergil, o herói vai descobrindo um pouco do seu passado. A narrativa é relativamente envolvente, mas o jogo interrompe demais as fases com diálogos desnecessários. Principalmente quando quer impor uma atitude “rebelde sem causa” em Dante, botando ele para falar trocadilhos infantis com os seus inimigos.

O ritmo do jogo, entretanto, é muito bom. Hack ‘n slash são repetitivos por natureza, já que o foco está em você matar trocentos inimigos sucessivamente. “DmC” vai dando aos poucos novas armas e habilidades ao jogador, interessante para forçar ele a mudar de estilo gradualmente. Muitas áreas secretas, com chaves que abrem portas com novas missões, quebram a rotina do apenas ficar apertando botões para matar demônios. O jogo também apresenta uma razoável variedade de sequências de plataforma. Elas são muito mais interessantes pelo visual – como uma que se passa dentro da abertura de um jornal televisivo, coisa tirada de uma fase do Super Mario! – do que pelos controles, bastante imprecisos nos pulos e voos de Dante.

Alguns cenários tem uma estética incrível (clique para ampliar)

Aos fãs do gênero, existem variações de armas, com estilos próprios, e inimigos que tem maior fragilidade para um ou outro método. Massacrar um único botão pode até lhe levar ao final da história (que é breve, não dura nem 8 horas), mas não irá lhe levar muito longe se você tentar jogar novamente nas dificuldades mais elevadas. Os combos são simples e fáceis de decorar, então mesmo se “DmC” não é difícil nem complexo como “Ninja Gaiden Black” (talvez o melhor jogo do gênero), poderá agradar com facilidade. É um formato simples que a Ninja Theory conseguiu trabalhar muito bem.

Mas dificilmente “DmC: Devil May Cry” irá criar novos fãs, como a Capcom tanto queria. O novo estilo é aceitável e convence, mas o problema de Dante nunca foram seus cabelos, e sim o gênero onde ele nasceu! Como hack ‘n slash, este reboot funciona. Como jogo mainstream, nem tanto.

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