Review: “O Grande Gatsby” de Baz Luhrmann

A mais famosa obra de F. Scott Fitzgerald, “O Grande Gatsby” é um clássico norte-americano por que mostra com grande vigor uma época – que Fitzgerald mais tarde veio a nomear de “A Era do Jazz” e todo mundo aceitou – bem melancólica, a beira do precipício. Eram os anos 1920, os americanos estavam ficando cada vez mais ricos, suas cidades cresciam cada vez mais, a arte aflorava por todos os lados. E, em questão de anos, viria a maior crise econômica da história do capitalismo.

A melancolia reside no fato que boa parte dos personagens de “O Grande Gatsby” teriam falido em 1929 e estourado seus miolos algum anos depois. Mas também está no tratar de uma geração perdida em sua própria riqueza, entediada e sem valores. A história de um homem que criou uma grande fortuna para viver o sonho de se casar com uma fútil mimadinha reflete bem a história de um país que teve que se reinventar nos anos 30. Adaptar isso pode parecer fácil, mas não é. Tem muita coisa além de apenas um romance.

“O Grande Gatsby” é o novo filme de Baz Luhrmann, queridinho dos cinéfilos por seu exuberante “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, musical esquizofrênico, carnavalesco e quase nonsense, mas que agradou com seu visual arrojado e história pastelão de amor trágico. “O Grande Gatsby” também é trágico, mas Luhrmann parece interessado mais na tragédia do amor do que no da sociedade. Os personagens falam muito, mas pouco refletem seu vazio existencial em seus diálogos. Algo que era significativo no livro.

O filme, apesar de esteticamente belo, é vazio. A história é narrada por Nick Carraway – com frases tiradas inteiramente do texto de Fitzgerald, inclusive seu encerramento filosófico – que por algum motivo não dito está em um hospício, relembrando de seu amigo e contando sua história de amor. Jay Gatsby conheceu Daisy cinco anos antes, foi para a Grande Guerra e voltou determinado em reconquistá-la, apesar de ela estar casada com o bruto Tom Buchanan. Carraway (“dentro e fora” da história) assiste a tudo, encantado por Gatsby e seu tremendo otimismo, mas será? Para mim a obsessão de Gatsby beira a loucura, mas sim, Fitzgerald estava certo em dizer que seu otimismo era próprio de todos nós – ou ao menos deveria ser!

Todos os méritos da produção estão carregados no texto original – a adaptação é bastante fiel e pouco inventa. Mas a história não é tão boa quanto seu texto e o filme perde nisso. Os personagens têm personalidade e profundidade, mas nada fazem. Gatsby e Daisy não se amam, apenas vivem a fantasia de quem sabe serem felizes juntos – isso não é amor, é expectativa. O clímax trás reviravoltas interessantes, mas o filme é arrastado até lá. As festas, que poderiam muito bem perder-se na extravagância de Luhrmann, são comportadas e sem eventos. Único destaque eu daria para a trilha sonora, composta por músicas de época (quando tocadas nas festas) ou atuais (quando tocadas para o espectador, narrando sentimentos da tela).

O elenco também está afinado. Leonardo DiCaprio, que só vem crescendo desde “Titanic” (nem parece o mesmo ator), leva todas as sutilezas e loucuras de Gatsby no olhar. Joel Edgerton também arrasa como Buchanan. Tobey Maguire é Carraway, mas parece ainda ser Peter Parker. Carey Mulligan não faz nada de especial com sua princesinha Daisy. Fiquei encantado por Elizabeth Debicki, ótima escolha para Jordan Baker (minha personagem favorita do livro).

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s