Review: “A Garota” de Julian Jarrold

Assim como “Hitchcock” antes dele, “A Garota” quer contar a história por trás dos bastidores da produção de filmes do mestre do suspense e explorar seu relacionamento complicado com suas protagonistas. Continuando de onde a outra biografia parou, agora vemos como o diretor Alfred Hitchcock descobriu a modelo Tippi Hedren e a escalou para sua primeira produção pós-“Psicose”, o também icônico “Os Pássaros”.

Desculpem-me comparar os dois filmes – de propostas diferentes – mas acho conveniente. “Hitchcock” mostrava um diretor excêntrico envolvendo-se com sua protagonista (a loira Janet Leigh) em detrimento de seu relacionamento com sua mulher Alma. Aquela história, na verdade, era sobre Hitch e sua esposa. Já “A Garota” foca completamente na relação entre ele e Tippi (também loira), desde a descoberta para “Pássaros” ao final de sua história em “Marnie”. Alma é mera coadjuvante, uma mulher que, aparentemente, tinha importância secundária na vida do diretor – o que sabemos ser uma mentira.

Não é questão de “Hitchcock” ser um melhor filme, mas ao menos ele tinha mais interesse em seu protagonista. “A Garota” trata Hitchcock como um vilão de filme de James Bond, um certo desprezo por um gênio genioso, subjugado por sua aparência física, querendo abusar de seu poder desmedidamente. Sabe-se que Tippi passou maus bocados nas mãos de Hitch (foi escolha dela romper um contrato de sete anos com o estúdio, isso já diz o suficiente) e a desmistificação de um mito é sempre interessante em uma biografia. Mas a reprodução de um Hitchcock vil, amargo, beirando um Dr. Evil me parece de extremo mau gosto.

Mesmo que queiramos ver nossos ídolos como pessoas com defeitos e maldades, uma interpretação tão maniqueísta me pareceu infantil demais. O roteirista parecia estar interessado em contar a história de Hitler, não de Hitchcock. A mocinha era pura, ingênua, donzela em perigo, sendo salva durante as gravações por um belo e amável assistente, enquanto o rei malvado ficava sentado em seu trono cruel! Sério? Dificilmente consigo imaginar um conto de fadas que tenha Hollywood como reino encantado…

A belíssima Sienna Miller como Tippi Hedren.

Toby Jones interpreta Alfred Hitchcock e, como Anthony Hopkins antes dele, não consegue sair da mímica. Seu Hitch é ainda mais sem graça por conta de um roteiro que o transforma em um grande sapo cruel, o Bowser do reino Paramount, então cabe a ele ficar nesse terreno limitado. Tippi Hedren é interpretada pela estonteante Sienna Miller, que dá à moça uma segurança forte. O resto do elenco conta com Imelda Staunton e Penelope Wilton (de “Downton Abbey”), uma atuando como esposa e a outra como secretária de Hitchcock, mas o roteiro não vê muita diferença nesses dois papéis. A direção é de Julian Jarrold.

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