Review: “O Homem de Aço” de Zack Snyder

Apesar de o Superman ser o herói dos quadrinhos mais famoso e icônico, sinto que ele nunca recebeu uma adaptação à altura de sua importância. Claro que “Superman – O Filme” de Richard Donner é um clássico e será eternamente lembrado por sua importância. Mas não fez do personagem nada além de um nerd coxinha que voava para lá e para cá. E quanto menos lembrarmos de “Superman – O Retorno”, a última versão do herói nos cinemas, melhor. “O Homem de Aço” finalmente coloca o homem e o aço para as telas, em toda sua glória!

A história começa mostrando a origem que todos nós sabemos de cor: Kal-El foi enviado por seu pai Jor-El do planeta Krypton, em iminente destruição, para a nossa Terra. O prólogo em Krypton é longo, mas já tem ação o suficiente para mostrar que o enredo não quer dar tempo para trololó. Fácil dizer que os primeiros 15 minutos de “O Homem de Aço” apresentam mais ação que “O Retorno” em toda a sua exibição. Sem sequer ter ninguém voando ainda!

Kent vaga um pouco pelo planeta em busca de sua identidade, aí descobre que é Kal-El e aceita muito bem a tarefa de usar um uniforme justíssimo e indestrutível, por que seu pai kryptoniano disse que sim. Então aparece o General Zod que, como punição por uma tentativa de golpe de estado em Krypton, foi expulso do planeta em destruição – sortudo, hein?! Mas ele não quer saber do filho de Jor-El andando livremente pela Terra e resolve exterminar todo humano do planeta, para reconstruir sua raça. Cabe a Kal-El impedi-lo, afinal ele não usa um collant daqueles à toa, né?

O roteiro é David S. Goyer, responsável por outro reboot com o magnífico “Batman Begins”. Aqui ele aplica uma regra parecida, mostrando a trajetória atual de Clark Kent com alguns flashbacks de sua infância. Mas o roteiro de “Batman Begins” era muito melhor e mais significativo. “O Homem de Aço” apenas mostra como Kent chegou aonde chegou, sem dar conta do peso de sua existência, mesmo que tente criar um conflito sob o alien que deve confiar em seu planeta adotivo. Mas essa dúvida some logo que as coisas começam a explodir. Existem algumas cenas mais dramáticas, que funcionam, mas o personagem em si é pouco desenvolvido, se comparado com o Batman. Mas se compararmos com qualquer adaptação recente da Marvel, tá no padrão!

Goyer também não consegue fugir de alguns diálogos estúpidos, como a vilã Faora dizendo “a evolução sempre vence”. Legal, as teorias de Darwin atravessaram galáxias!

Mas certas fragilidades do roteiro são corrigidas por uma direção mais equilibrada. O responsável é Zack Snyder, famoso no mundo dos quadrinhos por adaptar “300” e “Watchmen” com razoável eficácia (em ambos os casos). Aqui ele usa toda a sua expertise em efeitos especiais para destruir Metropolis com muito gosto! Seu trabalho tem uns belos momentos, algumas bonitas tomadas, e o fato importante de que o caos destrutivo em nível máximo do clímax é coeso, tem sentido. Michael Bay tem muito que aprender com ele.

Henry Cavill é o Superman. Incomodei-me um pouco com sua insistência em enrugar a testa como expressão pastel para qualquer situação. Fora isso ele carrega bem o papel, tem força para protagonizar. E é muito bonito também, a mulherada sem dúvida vai suspirar bastante! Amy Adams interpreta a também famosa Lois Lane, com a mesma confiança que ela exibe em todos os seus papéis. Dá conta do recado. Michael Shannon é o General Zod, que enuncia demais suas falas, mas o roteiro não lhe dá o suficiente para demonstrar a fúria que ele conseguiu em outros papéis. Tem seus momentos ainda assim, principalmente em seu discurso final antes da última batalha.

Outros coadjuvantes incluem Diane Lane, Russel Crowe, Laurence Fishburne, a bela Antje Traue e Kevin Costner. Ninguém se destaca, mas cumprem sua parte. Faltou a “O Homem de Aço” talvez isso, algo que o elevasse além de uma competente adaptação do famoso herói. Mas, como filme do Superman, cumpre seu papel com louvor! A destruição é um tanto exagerada, mas se você espera alguma versão de “Downton Abbey” em Krypton, tem a Era Christopher Reeve para apreciar.

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