Review: “O Ditador” de Larry Charles

Foi “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” que colocou o nome do comediante Sacha Baron Cohen nas notícias de todo o mundo. Com o sucesso de seu mockumentário ousado, sátira aos muitos moralismos dos norte-americanos, o ator conseguiu fazer bastante dinheiro e elogios para seguir na linha. Veio então “Bruno”, que foi além, jogando as críticas no nível mais alto possível – o incômodo que este filme causa é proporcional ao moralismo do espectador. Claro, acabou não sendo tão bem sucedido. Para completar sua trilogia de excêntricos personagens vem “O Ditador”, talvez o mais leve das três produções. Mas não se engane: ainda é humor de críticas duras!

O filme começa com um noticiário (falso, evidentemente) mostrando Aladeen, ditador do fictício país Wadiya, que cria encrencas com a ONU por conta de seu urânio enriquecido que ele jura que não vai utilizar para fins violentos. Acontece que a ONU ameaça atacar o país e resta a ele viajar para Nova York para assinar um acordo. Entra em ação seu tio Tamir, que quer dar um golpe, e o ditador acaba perdendo sua barba e se perdendo pela cidade.

A produção abandona o estilo mockumentário de “Borat” e “Bruno”, seguindo uma narrativa mais tradicional, com alguns eventuais momentos de noticiário. As piadas são contra os inúmeros infames ditadores de nosso planeta (o filme começa com uma irônica homenagem a King Jong-Il), mas não somente eles estão no alvo. O racismo étnico não é poupado, chegando a momentos que o roteiro parece estar sendo racista, mas está apenas repetindo clichês que às vezes as pessoas levam na naturalidade – e não percebem estar repetindo preconceitos. Mas talvez o grande toque de gênio no filme esteja no clímax, quando Aladeen faz um discurso defendendo uma ditadura, quando na verdade os roteiristas (Cohen sendo um deles) estão fazendo uma pesadíssima e inteligentíssima crítica ao modelo político ocidental, muito rotulado de democrático, mas com contradições bastante ditatoriais.

Opa, filme errado!

A história tem seus momentos de humor escrachado e absurdo, como quando Aladeen faz um parto e esquece o celular dentro do útero da mãe (com direito a enquadramento de cena mostrando o aparelho ao lado do bebê), mas esses momentos não diminuem as inteligentes tiradas do roteiro. Apenas desequilibram, pois quando “O Ditador” não está sendo inteligente, está sendo bastante banal. Talvez o personagem funcionasse melhor como esquete de programa de comédia. A verdade é que as sátiras funcionam muito bem e carregam o filme, quando ele não está sendo bastante bobo.

A direção do filme é de Larry Charles, o mesmo de “Borat” e “Bruno”. Sacha Baron Cohen está excelente como ditador fascista e tem o bom apoio de Ben Kingsley e Anna Faris no elenco.

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