Review: “O Legado Bourne” de Tony Gilroy

Quando estreou “A Identidade Bourne” lá em 2002 vimos o nascer de um novo tipo de herói de ação. Primeiro por que Matt Damon, com sua carinha de bom moço, não ameaçava ninguém, mas na hora de atuar como agente super-habilidoso o ator inventou uma nova imagem para si. E também pela narrativa realista, bastante diferente do que o mundo estava acostumado nas séries James Bond ou Missão Impossível, onde um herói era caçado em ritmo de espionagem moderna. Com o sucesso de crítica e público vieram dias sequências que transformaram Damon em astro de ação. Mas a trilogia acabou e a Universal não se deu por satisfeita. O resultado? “O Legado Bourne”.

O diretor de “Supremacia” e “Ultimato”, Paul Greengrass, disse que um quarto filme da série deveria se chamar “A Redundância Bourne”. Impossível discordar dele ao assistir “Legado”. Com um longo e lento prólogo que se passa durante os eventos dos dois filmes de Greengrass da trilogia (Doug Liman dirigiu “Identidade”) acompanhamos como serviços de inteligência dos Estados Unidos tentam lidar com o vazamento do projeto Treadstone com o agente Jason Bourne por aí no mundo, livre e solto em busca de repostas. Somos então apresentados a Aaron Cross, um agente em treinamento do projeto Outcome.

Outcome, Treadstone, Bourne, Cross. Prepare-se para ouvir muitos nomes e para o roteiro não tentar lhe explicar nada, enquanto a edição mistura cenas de diálogos rápidos com momentos de Cross apreciando a vista de uma montanha. Como faz parte da história eliminar todos os agentes desses projetos de lavagem cerebral (ou seja lá o que eles forem) para evitar um “Vazamento Bourne”, tentam matar Cross para apagar sua existência. Claro, não conseguem. Cross estão está desesperado através de medicamentos que fazem parte de seu treinamento e vai atrás de uma doutora que pode fornecê-los.

Esses dois parágrafos são a sinopse do filme, para você ver como o roteiro está perdido em sua narrativa. Uma hora introduzindo um personagem sem muita personalidade para colocá-lo em um conflito que o primeiro filme conseguiu fazer na metade do tempo? Quando “O Legado Bourne” finalmente começa ele se torna uma história de ação interessante, mas todas as conspirações e procuras pelo casal agente e doutora somem. Aí vira ação descerebrada e frenética. E o filme acaba sem resolução alguma. Aaron Cross consegue o que queria e o roteiro chega para o público e diz “viu, era só isso!”

O filme é dirigido por Tony Gilroy, que roteirizou a trilogia original e teve uma ideia de sequência e veja só no que deu! Como diretor ele parece emular muito bem o estilo de Greengrass. O que é uma pena, pois se Jason Bourne chegou aonde chegou foi graças a Doug Liman e sua direção mais centrada em “A Identidade Bourne”. Ele soube mostrar um agente em busca de identidade em um emocionante thriller de ação. “Legado” fracassa nisso tanto em roteiro quanto em direção. Tem um começo lento e praticamente dialogado, com trilha sonora pulsante para fingir que aquilo é emocionante. Mas a jornada de Cross é completamente vazia comparada à de Bourne. Ele apenas quer tomar remédios. E o filme é apenas sobre isso, um cara que quer tomar remédios e sai correndo por aí atrás deles.

Jeremy Renner é Aaron Cross. O cara é um bom ator, mas não entendo essa obsessão de Hollywood em transformá-lo em herói de ação. Curiosamente ele, com sua cara de brucutu e físico de atleta, convence menos do que o bom moço Matt Damon! Não é por falta de talento, talvez seja o tal do carisma. Rachel Weisz o acompanha como a doutora que sabe onde tem remédios. Sua participação no início do filme é boa, mas logo que ela se encontra com Renner eles formam a clichê dupla do “cavaleiro solitário e donzela em perigo”. Ela fica o clímax inteiro berrando “Aaron!”. Edward Norton é um agente secreto que quer apagar Cross de seus arquivos e fica andando em escritórios para fazer isso.

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