Review: “Mama” de André Muschietti

Produção de terror de Guillermo Del Toro como o excelente “O Orfanato” e o medíocre “Não Tenha Medo do Escuro”, “Mama” se encaixa exatamente no meio termo entre esses dois polos. Também segue a linha de horror fantasmagórico, sem medo de brincar com fantasias e procurar explicar as coisas com alguma surpresa psicológica. É uma história de fantasma que pouco inventa, mas consegue assustar.

O filme começa mostrando um homem que mata sua esposa, sequestra as duas filhas e, após se perder na floresta, se esconde com elas em uma cabana abandonada, onde ele é morto por alguma coisa. Nunca fica explicado se isso foi uma mera coincidência (minha teoria) ou se o fantasma já estava aprontando para isso acontecer. Acontece que as duas crianças acabam passando os próximos cinco anos de suas vidas no local, sendo cuidadas por Mama, um espírito com coisas mal resolvidas por aqui. Elas então são encontradas e vão para a casa do tio (irmão gêmeo do pai, por algum motivo qualquer) e sua namorada roqueira.

Claro que o fantasma rancoroso não vai desistir das duas, né? Seguindo a onda de filmes japoneses como “O Grito” e “O Chamado”, fantasmas não desistem. Imagina então um fantasma maternal? É um amor macabro, mas incondicional!

A história tem um ritmo interessante, que lhe prende atenção, mesmo que não seja incrivelmente surpreendente. O mérito está em ao menos um bom personagem, Annabel, a namorada roqueira do tio, que acaba tomando a posição de protagonista e carrega bem o filme. Ela não é uma típica heroína. Caiu sobre seus colos o compromisso de cuidar de duas garotas que ela não queria, portanto tem certa atitude “whatever…” para toda inusitada situação. Mas quando coisas estranhas começam a acontecer, ela está atenta e foge dos clichês da mocinha que fica entrando em porões procurando fantasmas. Acompanhar Annabel é o diferencial de “Mama”, que não consegue surpreender muito e tem um clímax forçado, mas ainda assim é bem amarrado.

O filme é dirigido por Andrés Muschietti, sua estreia. A direção é boa, evita muito dos enquadramentos óbvios e provoca bons sustos. A fotografia de Antonio Riestra também merece destaque. No elenco temos Jessica Chastain (“A Árvore da Vida” e “A Hora Mais Escura”) como a anti-heroína que precisa assumir uma figura maternal para enfrentar uma mãe demoníaca. O personagem é bem escrito e a atriz é competente em lhe dar vida, torná-la bastante real. Nikolaj Coster-Waldau é seu namorado que quer ser um bom tio, mas não participa tanto assim na história. Sua presença no clímax, por exemplo, é meramente de figuração. Gostaria de destacar o trabalha das meninas Megan Charpentier e Isabelle Nélisse, muito expressivas e com ótimo trabalho corporal.

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