Review: “Segredos de Sangue” de Chan-wook Park

Difícil falar de um filme como “Segredos de Sangue” sem entrar em spoilers. Sua história merece ser discutida sabendo de seus segredos, mas… Deixarei isso para uma conversa com amigos. Para resenhar vou me permitir não revelar os tais segredos de sangue da história. Mas é importante dizer: eis um raro filme onde sua reviravolta tem um significado central, uma temática que amarra o roteiro. E que vai lhe convidar a discuti-la depois.

No aniversário de 18 anos de India Stoker seu pai morre em um acidente. A garota, de personalidade bastante não convencional, que não gosta de ser tocada ou falar muito, fica bastante fechada. Não conhecemos o suficiente sua mãe para saber ainda qual o papel dela nisso tudo, mas logo somos introduzidos ao tio Charlie. Irmão do seu falecido pai, India nunca ouviu falar de Charles, e sua mãe parece não o conhecer muito bem também. Mas ele pede para ficar na casa com elas durante o período de luto.

O filme começa confuso, deixando bem claro que existe um mistério envolvendo alguns desses personagens, mas sem dar muitas dicas ou entregar peças do quebra-cabeça. “Segredos de Sangue” não explica a morte do pai, não diz se India é estranha assim mesmo ou está apenas traumatizada, e o personagem da mãe é um enigma. Nesses dois primeiro atos a história tem um rumo de terror, com cortes e edições elaboradas para tornar tudo mais confuso e misterioso. Apesar de nunca, efetivamente, conseguir aumentar o clima de suspense, o mistério fica no ar.

Quando a revelação vem não chega a ser um choque. Mas o roteiro é inteligente, brinca com o tema e certas coisas que lhe são mostradas anteriormente fazem sentido. Estreia de Wentworth Miller como escritor (ele é mais famoso como protagonista no seriado “Prison Break”), mesmo com uns buracos aqui e acolá o texto vai fundo em questões complicadas. Quem não tem qualquer familiaridade com psicologia vai achar tudo muito surreal. Por mais chocante que tudo pareça, as associações são muito bem feitas.

India diz em sua narração introdutória: “Assim como uma flor não escolhe sua cor, nós não somos responsáveis pelo que viermos a ser…”. Há controvérsias, mas a história nos mostra um tema complexo que cria algo a se discutir.

O filme é dirigido por Chan-wook Park, cultuado diretor da Trilogia da Vingança. Ele tem um incrível talento para criar belos quadros e também usa da edição em alguns momentos espertos. No início me pareceu tudo meio forçado, sem sentido, mas encaixou-se na estética da produção. Ao final, quando a história toma foco, as loucuras visuais diminuem. No elenco temos Mia Wasikowska, Matthew Goode e Nicole Kidman, entupida de botox, mas ainda capaz de realizar ao menos um bom discurso climático.

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